Uma semana após invasões, Fla e autoridades não identificam nem punem torcedores.

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Nesta quarta-feira, dia de sorteio dos grupos da Libertadores 2018, o Flamengo ainda contabiliza o prejuízo fora de campo pelo caos na final da Sul-Americana. A Conmebol denunciou o clube em dois artigos que compreendem problemas como desordem e danos causados pela invasão do Maracanã. As punições previstas vão desde multa de US$ 400 mil a exclusão de competições, mas a expectativa é pela perda de mando de campo ou o mando de jogos com portões fechados ou em outras praças.
Uma semana depois da barbárie vista de fora para dentro do estádio, pouca coisa foi feita pelo Flamengo e pelas autoridades. Apesar de ter levantado um dossiê sobre aquela noite e anunciado o fim do plano corporativo de torcidas organizadas, a diretoria não identificou nem indicou punição interna a nenhum sócio, sócio-torcedor, conselheiro ou membro de organizada envolvido.
Um exemplo foi o paraquedista Gustavo Areias, que teve que pagar multa para ser liberado no Juizado do Torcedor, mas não teve qualquer advertência do clube. Questionado, o Flamengo informou através da assessoria que aguarda as autoridades para analisar o material relativo aos acontecimentos da partida e, a partir daí, tomar as medidas necessárias.
As autoridades também não indicaram avanço. O Juizado do Torcedor informou, através da assessoria, que das 13 ocorrências registradas no estádio, não há informações sobre a identidade dos torcedores ou a que organizadas pertenciam. O Grupamento Especial de Policiamento em Estádios, o Gepe, ainda apura eventuais punições às torcidas. No entanto, a PM, que atribuiu a invasão a falta de ingressos impressos pelo clube, teria muito mais a explicar.
Primeiro, sobre os preparativos para a operação da partida. A corporação sustentou em nota que foram 650 policiais, entre Gepe e batalhão local. Fontes ligadas à operação do jogo descartam o número. E além do efetivo também indicam uma queda de qualidade no serviço. Inicialmente pelo comando duplo, de Gepe e do 6° BPM. Antes, com auxílio do 4° BPM, a operação costumava ser mais harmoniosa.
Segundo relatos, os agentes do 6° BPM sequer utilizaram o rádio que coordena as ações de clube e da polícia no último jogo, contra o Independiente, sobrecarregando o Gepe. Situação que sobrecarregou o Gepe, que havia solicitado reforço específico e recebeu menos agentes. O resultado foram apenas bombas e gás como recurso.
A exigência da PM para impressão de ingressos para facilitar a checagem foi vista no Flamengo como desculpa para a falta de efetivo. Segundo fontes, a impressão gera falsificação e confusão semelhante para troca de ingressos. No Fla-Flu do Estadual, foram quatro mil bilhetes falsos.
Questionada sobre a operação, a PM informou em nota que: “O 6ºBPM (Tijuca) tem atuado no policiamento externo ao estádio desde que a Área Integrada de Segurança Pública (AISP) que abrange o bairro Maracanã foi alterada pela Resolução 1092 da Secretaria de Segurança Pública, conforme publicado em Diário Oficial no dia 07/07/2017”.
O Juizado Especial do Torcedor informou que no total quatro prisões preventivas foram decretadas pelos crimes de roubo, sendo três casos anotados como roubo qualificado. Seis ocorrências foram registradas pelo crime de provocação de tumulto, uma por cambismo, uma por estelionato e uma por fato atípico. Nestes casos, as decisões variaram entre transações penais (quando o réu concorda em declarar-se culpado e há abrandamento da pena) e concessão de liberdade provisória. Não há menção à invasão do estádio.
As investigações estão a cargo da Polícia Civil, na 18° DP e 16° DP, além do Grupo de Defesa do Torcedor do Ministério Público do Rio.
Fonte: O Globo

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