Chega ao fim a era Gabriel no Flamengo.

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Cinco anos depois, chega ao fim uma era. Quando olhar para o gramado ou — como acontecia mais recentemente — para o banco de reservas, o torcedor rubro-negro não mais verá aquele corpo franzino envergar a camisa 17. A caminho do Sport, por empréstimo, Gabriel colocará um ponto final (será?) em uma trajetória cuja longa duração é difícil defender.

Sua chegada ao Flamengo, em janeiro de 2013, deu-se em um contexto de vacas magérrimas. Naquela temporada, apesar de Elias, desembarcou na Gávea a dupla Val e Bruninho. Fazia sentido, então, apostar no menino que se destacara no Bahia na temporada anterior. Mas, assim como a combalida economia rubro-negra, seu corpo carecia de pujança. Por isso, foi protagonista de um trabalho de fortalecimento muscular na temporada seguinte. Gabriel ganhou 11kg de massa magra, mas o upgrade no peitoral não foi acompanhado de sucesso técnico.
Se nunca caiu nas graças da torcida, não foi por falta de oportunidades dos técnicos. Em cada uma de suas quatro primeiras temporadas rubro-negras, entrou em campo pelo menos quarenta vezes por ano. Mesmo em 2017, quando sua falta de crédito com a torcida ficou evidente, conseguiu atuar em 30 oportunidades. Os números são humildes para um atacante de R$ 200 mil: 22 gols — média de pouco mais de quatro por temporada.
À medida que o Rubro-negro reforçava seu elenco, tornava-se mais dura a missão de justificar a permanência de Gabriel. A torcida, nas redes sociais, elaborou uma teoria que talvez explique o mistério: ele soube ter lampejos na hora certa, em geral na reta final das temporadas.
Candidatos a todas as barcas, não partiu em nenhuma. E, em março de 2017, acabou premiado pela diretoria com a ampliação do contrato até 2019.
Se restava dúvidas, não há mais: o elenco do Flamengo se tornou grande demais para Gabriel. Mas, apesar da incompatibilidade de tamanho, o atacante não sai enxotado. Figura constante num período de inúmeras crises, conservou a boa imagem, sendo exemplo de conduta em meio às ameaças do Bonde da Stella. Os tímidos feitos do camisa 17, como a pintura na goleada sobre o San Lorenzo na Libertadores-2017, dificilmente durarão na memória. Mas só os mais rancorosos rubro-negros guardarão antipatia de seu agora ex-jogador. A bola seguirá rolando, e é chapa no canto, pai.
Reprodução: O Globo

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