MPL: “Entenda como funcionam as negociações de Rueda e conheça personagens decisivos no ato final da novela”.

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O estafe de Reinaldo Rueda tem dois personagens que, quando entram em cena, algo novo está (ou não) para acontecer. Amigos pessoais do (ainda) técnico do Flamengo, Andreas Werz e Ramy Abbas Issa costumam cuidar dos últimos detalhes das decisões tomadas pelo treinador. Portanto, o desembarque de Ramy Abbas, em Santiago, informado neste domingo pela imprensa chilena, é, sim, um indício de que o treinador pode estar mesmo de saída. O blog ouviu três fontes diferentes ligadas ao treinador. Duas evitaram cravar o desfecho alegando que a palavra final é de Rueda. Um terceiro entrevistado apontou a saída do Flamengo como irreversível (leia opinião do blogueiro ao fim do post). Caso isso se confirme, Rueda será o técnico de seleção mais bem pago da América do Sul; e Paulo César Carpegiani pinta como favorito à sucessão do colombiano. Cuca corre por fora e Jorge Luis Pinto diz ter sido procurado por empresários que o sondaram em nome do clube carioca.

Para usar uma palavra da moda no mundo corporativo, as negociações de Reinaldo Rueda costumam seguir um compliance. O treinador ouve a proposta esportiva e rola a bola para outros dois profissionais de sua confiança. Ex-porta-voz da Fifa, o suíço Andreas Werz é o responsável por receber e analisar a oferta financeira. As questões jurídicas, como a confecção e a finalização do contrato, são atribuições de Ramy Abbas Issa. O advogado trabalha como agente do meia-atacante egípcio Mohamed Salah, do Liverpool. Ele esteve no Rio quando Rueda assinou com o Flamengo. O profissional é amigo de jogadores brasileiros como Rafael Sobis, do Cruzeiro, e Fernandinho, do Grêmio. Em dezembro, vestiu até a camisa tricolor na final do Mundial de Clubes diante do Real Madrid.
Neste domingo, o blog apurou com três fontes próximas a Rueda que Werz e Ramy Abbas Issa começaram o ano trabalhando duro na negociação entre o cliente e a Associação Nacional de Futebol Profissional do Chile (ANFP). A contraproposta salarial de US$ 3,25 milhões por ano acelerou a negociação, que havia esfriado antes da virada do ano.
Ramy Abbas Issa praticamente morou no avião nos últimos dias. Durante a semana, acompanhou seu cliente mais famoso, Mohamed Salah, até Accra, capital de Gana, onde o vice-artilheiro da Premier League (17 gols) recebeu o prêmio de melhor jogador africano de 2017. De lá, voltou para a Inglaterra com o egípcio em um jatinho. Na sequência, embarcou para a Colômbia, onde chegou no último sábado. Após se reunir pessoalmente com Reinaldo Rueda, arrumou a mala rumo a Santiago, no Chile, para negociar com a ANFP.
“Se o interesse do Chile fosse concreto, eu saberia. Eu não tenho chamadas perdidas e muitos menos um e-mail com alguma proposta”, Andreas Werz, agente de Rueda, após a final da Copa Sul-Americana.
Eduardo Bandeira de Mello, Ramy Abbas e Reinaldo Rueda na assinatura do contrato com o Flamengo
Ramy Abbas Issa estava com Rueda, na Alemanha, no ano passado, quando houve o início do acerto do Flamengo com o treinador. Acompanhou toda a negociação e estava na sala com o presidente Eduardo Bandeira de Mello e Reinaldo Rueda no ato da assinatura do contrato entre o Flamengo e o treinador. Portanto, a entrada de Abbas na lista dos personagens da novela é um sinal de que há, no mínimo, uma negociação prestes a ser sacramentada, mas sujeita a reviravolta.
Outro personagem decisivo é Andreas Werz, o homem que blindou Reinaldo Rueda nas últimas três negociações com seleções — duas delas quando o amigo ainda trabalhava no Atlético Nacional, da Colômbia. Houve rumores de que Rueda assumiria os Emirados Árabes Unidos. Werz negou. O Paraguai estava praticamente fechado com o técnico colombiano e Werz voltou a entrar em cena no papel de escudeiro quando o presidente da Associação Paraguaia de Futebol, Robert Harrison, detonou o treinador na imprensa por recuar na decisão de trocar o Atlético Nacional pela seleção guarani.
Werz reapareceu no dia seguinte à final da Copa Sul-Americana para despistar sobre o interesse do presidente da ANFP, Arturo Salah, de contratar Rueda. “Se o interesse do Chile fosse concreto, eu saberia, e não é assim. Eu não tenho chamadas perdidas e muitos menos um e-mail com alguma proposta”, disse após a perda da taça para o Independiente.
Andreas Werz e Ramy Abbas Issa defendiam, até pouco tempo, que Rueda aguardasse o fim da Copa da Rússia para realizar seu sonho: voltar a comandar a Colômbia. No dia seguinte à final da Copa Sul-Americana, Werz deixou claro que o projeto pessoal do treinador era suceder Nestor Pekerman. Ramy Abbas é um crítico feroz de Pekerman. Chegou até a usar as redes sociais nas Eliminatórias para pedir que o técnico argentino deixasse a seleção. A Colômbia corria o risco de não se classificar para a Copa de 2018.
Ramy Abbas Issa: torcida pelo Grêmio na final do Mundial de Clubes
O apoio de Werz e de Abbas ao projeto pessoal de Rueda começou a enfraquecer quando o técnico e seus dois inseparáveis assistentes, Carlos Eduardo Velasco (preparador físico) e Bernardo Redín (auxiliar-técnico), souberam que o favorito para assumir a Colômbia após a Copa é Juan Carlos Osorio, atualmente no México. A Federação Colombiana de Futebol está dividida entre os dois. Foi a senha para Rueda reabrir o leque de opções, como aceitar a proposta do Chile e ouvir sondagens do Equador e do Uruguai. A Celeste estuda nomes de sucessores para Oscar Tabárez depois do Mundial.
Como o blog mostrou desde o início da novela, Reinaldo Rueda tem fama de cumprir contratos. A última vez que não honrou o que estava assinado foi em 2002, ao trocar o Independiente Medellín pela seleção sub-20 da Colômbia. Você leu aqui também que ele já esteve muito perto de assumir o Paraguai, em 2016, mas, de repente, mudou de ideia e ficou no Atlético Nacional para o Mundial de Clubes da Fifa. Braço direito de Rueda, o preparador físico Carlos Eduardo Velasco disse ao blog que planejou toda a temporada de 2018 do Flamengo.
Portanto, a essa altura dos acontecimentos, só três fatos novos podem impedir Rueda de assinar o contrato com o Chile: a vontade pessoal de cumprir o contrato com o Flamengo; uma reviravolta na negociação com a ANFP (Ramy Abbas está em Santiago para tratar disso; uma contraproposta rubro-negra — praticamente descartada após o desgaste causado pelos últimos dias; ou a convicção de Rueda de que assumirá a Colômbia ou o Uruguai após a Copa da Rússia. Ontem à noite, antes de embarcar para o Brasil, Rueda disse à FOX Sports Colômbia que é técnico do Flamengo, retorna ao Brasil uma semana antes do fim de suas férias para seguir trabalhando e mostrou insatisfação com a novela.
O certo é que o capítulo final da novela não passará desta segunda-feira…
A Opinião do blogueiro
Entrevistei Reinaldo Rueda pelo menos quatro vezes, todas registradas aqui no blog. Uma delas, justamente a primeira, você pode conferir aqui. Na época, a intenção era mostrar aos leitores do Correio Braziliense quem era aquele mentor do futebol mais bonito da Libertadores de 2016 à frente do Atlético Nacional. A outra aconteceu no dia da tragedia da Chapecoense. Rueda revelou em primeira mão, por telefone, que o clube colombiano abria mão do título da Sul-Americana. As outras duas foram sobre as negociações com Corinthians (início de 2017), quando ele contou até que não contava mais com Borja, que acertava como Palmeiras, e outra sobre o convite do Flamengo no meio do ano passado.
A sensação que tive em todas as conversas com o treinador colombiano — seja por telefone ou por troca de mensagens —, foi de um senhor sério, profissional, transparente e sobretudo de palavra. Cheguei a mostrar aqui no blog que Rueda tem fama de cumprir acordos verbais e por escrito. Portanto, por essa ótica, arrisco dizer que ele permanecerá no Flamengo.
Por outro lado, durante essa novela, tive contato com pelo menos três fontes muito próximas de Rueda e com uma da Associação Nacional de Futebol Profissional do Chile, com quem não consegui contato neste domingo. Tentei falar várias vezes com Reinaldo Rueda, mas ele manteve o silêncio sobre o interesse do Chile. Com base nessas apurações, é possível, sim, admitir que Rueda desembarcará no Rio com a intenção de ser “cavalheiro” e encerrar pessoalmente o vínculo. Jornalisticamente, fiz o que era possível para desvendar o mistério. A palavra final, como disseram duas fontes, é de Rueda. Simples assim.
Fonte: Marcos Paulo Lima/Correio Braziliense

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