Os três mosqueteiros do Flamengo: estilo, idade e sotaques a serviço de Carpegiani

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Um é carioca, 65 anos, fez sucesso como zagueiro e ganhou títulos como treinador do Flamengo. Outro é paulista, tem apenas 36 anos, dedicou-se aos estudos e trabalhou como auxiliar e técnico no interior de São Paulo. O terceiro, gaúcho, tem 42, arriscou-se como jogador, mas decidiu acompanhar o pai nos últimos anos. Perfis distintos, trajetórias completamente diferentes e uma mesma missão.

Longe dos holofotes, o trio de auxiliares-técnico do Flamengo dá suporte ao trabalho de Carpegiani. Jayme de Almeida, Maurício Barbieri e Rodrigo Carpegiani – filho do treinador – viram seus caminhos se cruzarem neste ano. E apesar dos sotaques diferentes, já falam a mesma língua.

– Conheço o Rodrigo (Carpegiani) há muitos anos, o Maurício (Barnieri) estou conhecendo agora. Como estou há mais tempo, estou meio que ciceroneando, mostrando como é o Flamengo. Está sendo maravilhoso, estamos sempre interagindo, um ajudando o outro, com respeito. Estamos nos ajudando e, consequentemente, ajudando o Flamengo. Eles vêm com a juventude, eu com mais experiência. Fico por trás dando suporte para esses dois garotos. É um grande prazer – conta Jayme.

Jayme de Almeida (Foto: GloboEsporte.com)

O clima entre os três, de fato, é muito bom. Jayme e Rodrigo se conhecem de longa data. Moram no mesmo condomínio, frequentam a mesma pelada e ainda têm em comum a amizade entre as esposas. A aproximação se deu por conta de Carpegiani, amigo de Jayme desde os tempos de jogador. Trabalhar juntos, no entanto, é a primeira vez.

Talvez em poucos clubes do Brasil seja tão comum auxiliares comandarem treinos técnicos. Carpegiani arregaça as mangas nas atividades táticas, mas conta com a ajuda de seus três fiéis escudeiros, no dia a dia, nos treinos táticos.

Como funciona?

Nenhum dos três está restrito a apenas uma função. Todos fazem de tudo um pouco. Mas é claro que alguns têm características mais específicas. Até por conhecer a garotada há mais tempo, Jayme de Almeida gosta de trabalhar com os mais jovens que fazem a transição da base para o profissional. Foi ele, por exemplo, que deu um empurrãozinho para a carreira de Paquetá decolar.

– O Rueda tinha acabado de chegar e não conhecia o plantel. Ele estava sem Guerrero (suspenso) e Vizeu (machucado) e precisava de um centroavante. Eu falei para ele que o Paquetá poderia ajudar na função, vinha treinando muito bem. Ele começou a jogar, foi bem em mais de uma função e conquistou espaço. Ele conseguiu esse espaço em campo – lembra Jayme.

É comum ver Rodrigo Carpegiani comandar treinos técnicos.

– Nós damos mais os treinos técnicos, os pequenos jogos, não entramos muito na parte tática, que é mais do Carpegiani. Montamos os treinos que não têm a parte tática, montamos os vídeos para mostrar para os jogadores. Ele (Carpegiani) nos avisa quando precisa dos jogadores para ele. Mas é claro que ele nos consulta e tentamos ajudar. Eu sou o que mais escuto (risos). Escuto de tudo, o lado bom e o lado ruim. Mas é tranquilo, ele é muito aberto – diz Rodrigo.

Rodrigo Carpegiani (Foto: GloboEsporte.com)

Rodrigo até tentou seguir os passou do pai como jogador. Passou pelas categorias de base de Grêmio e Inter. Mas desistiu da carreira de atleta para estudar e seguir o caminho do pai fora dos campos.

– Tentei (ser jogador), mas tinha que correr demais (risos). Eu não precisava. Era um meia razoável, mas não dei valor. Eu não precisava, tinha tudo em casa. Não marcava, só queria a bola – recorda Rodrigo, com bom-humor.

O mais novo (36), Maurício Barbieri era técnico do Desportivo Brasil quando recebeu o convite para ser auxiliar permanente do Flamengo. Não pensou duas vezes e topou o desafio. Além dos treinos técnicos, ele gosta de analisar dados de jogos e treinos para ajudar Carpegiani.

– Ele nos pede opiniões, sugestões. Sempre buscamos dar suporte nos treinos ao que ele pretende fazer, ajudando de alguma forma. Analisamos as características dos jogadores e, às vezes, trabalhamos algo específico de defesa ou ataque. O Paulo nos dá toda a liberdade para isso. Fazemos os vídeos, e o Carpegiani acompanha tudo. É uma troca constante entre nós três e o treinador. O Flamengo é quem ganha com isso – ressalta Barbieri.

Maurício Barbieri Flamengo (Foto: GloboEsporte.com)

Novo esquema em pauta

Tática, os três deixam claro, é exclusividade de Carpegiani. Mas lógico que o treinador conversa com seus auxiliares sobre o novo esquema do Flamengo. Após três temporadas, o time deixou para trás o 4-3-3, com dois homens abertos na frente, e adotou o 4-1-4-1, com apenas um volante (Jonas) e quatro armadores (Lucas Paquetá, Diego, Everton e Éverton Ribeiro). O time titular ainda não perdeu nessa formação.

– Ele (Carpegiani) procura colocar os melhores para jogar, quem tem mais qualidade técnica, como o Diego, o (Éverton) Ribeiro. Dessa qualidade, ele não abre mão. Enquanto o pessoal der resposta, ele vai manter o time. A resposta e os resultados estão vindo. Não tem problema nenhum você colocar quem tem mais qualidade, desde que eles cumpram uma função tática. Se vai mudar lá na frente, é melhor o Carpegiani responder – analisou Rodrigo, filho do treinador, com quem trabalha desde 2007.

Dito e feito. Insatisfeito com a atuação no empate no Fla x Flu, Carpegiani testou opções e deve mudar o time (e o esquema), nesta quarta, contra o Botafogo. O time, que voltará a ter dois volantes, terá Arão no lugar de Everton Ribeiro. Pará entra na vaga de Rodinei. Renê dá a vaga a Vinicius Junior, com Everton Cardoso sendo recuado para a lateral.

Reprodução: Globo Esporte

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