Reformulação no Fla fortalece Lomba, mas dirigente terá desafio: controlar vestiário

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Vergonhoso, absurdo, inaceitável, inadmissível. Palavras fortes, duras e que se tornaram chave para a reviravolta feita dentro do futebol do Flamengo nas últimas 24 horas. Foi assim que o vice de futebol do clube, Ricardo Lomba, classificou publicamente a eliminação do time no Carioca e colocou em xeque todo o trabalho do departamento que assumiu em outubro do ano passado.

A partir daí, a Gávea entrou em ebulição. A cobrança pública de Lomba foi bem aceita entre os vices do clube. Apesar de não ter agradado Bandeira de Mello pela exposição causada, o presidente se viu em uma sinuca de bico. Não havia mais clima para Lomba e Rodrigo Caetano. Apesar de sempre defender o diretor, ir contra seus pares, logo neste momento, seria uma má ideia politicamente.

Na página de “comissão técnica” no site do Flamengo, metade dos 12 primeiros não estão mais no clube (Foto: Infoesporte)

”Absurdo, uma vergonha”

Lomba estava incomodado. Antes mesmo de sua entrevista no Maracanã, era possível ver seu desconforto pelos corredores do estádio. No vestiário, também foi duro com jogadores e com o próprio diretor. Rodrigo sempre foi totalmente contra expor externamente os problemas. Não falavam mais a mesma língua.

Só Bandeira e Fred Luz bancavam Caetano

O ambiente para Rodrigo Caetano não era fácil desde o ano passado. Alto investimento, apostas consideradas erradas e o discurso não agradavam boa parte dos nomes de peso da Gávea.

Em um ano de eleição, não chegar nem na final custaria mais caro ainda. Por mais que o discurso de revolta de Lomba tenha sido de cabeça quente e, de fato, o dirigente estava incomodado, é impossível negar o viés político disso tudo.

Lomba é um dos nomes fortes para ser candidato na eleição. No entanto, não esteve com Bandeira e Fred Luz nas reuniões que definiram as demissões do departamento. Também não foi ao Ninho do Urubu e preferiu não se pronunciar.

Bandeira e Luz conversam com grupo; Lomba tem desafio

No Ninho do Urubu, Bandeira e Fred Luz conversaram com o grupo e participaram da despedida do treinador. Filho de Carpegiani, o auxiliar Rodrigo era um dos mais emocionados, assim como outros do elenco. Aos atletas, o presidente do clube disse que contrataria um novo diretor antes de buscar o técnico substituto.

A ausência de Lomba no CT não foi por acaso. Se politicamente suas declarações caíram bem, será necessário administrar a situação no vestiário. Jogadores se sentiram expostos e, como esperado, não gostaram do questionamento que o time ”correria menos” que o rival.

Além da direção

Os reflexos foram além do diretor. Carpegiani se despediu do comando após três meses. Ele foi bancado por Rodrigo Caetano no comando após a saída de Reinaldo Rueda. Inicialmente, vinha para a função de coordenador técnico.

Gerente de futebol, Mozer também deu adeus. Assim como o auxiliar Jayme de Almeida e o preparador Marcelo Martorelli.

Reprodução: Globo Esporte

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