O que fez Barbieri antes da chance no Flamengo

59

GLOBO ESPORTE: Acessos para a elite dos dois principais estaduais do país, fama de estudioso, convivência com Mourinho em estágio no Porto e decepção na única chance que teve em clube de mais evidência. Essas são as credenciais de Mauricio Barbieri, que vê cair em seu colo a chance de abrir o Brasileirão como treinador do Flamengo. Enquanto o clube não se encontra no mercado, a vez é dele.

Contratado no início de 2018 como auxiliar permanente, o jovem de 36 anos divide opiniões na diretoria a respeito de uma efetivação. As decepções recentes e o peso de um ano eleitoral pendem para um nome mais experiente, mas a carência de opções dá a Barbieri lastro para se tornar um “novo Zé Ricardo”. Panorama diretamente ligado a um início muito bom de Brasileirão.

Entre os entusiastas da ideia está o novo executivo do futebol, Carlos Noval, velho conhecido de Barbieri. Há quatro anos, o então diretor da base sugeriu a contratação do treinador que começava uma carreira de sucesso em clubes de menor investimento levando Audax e RB Brasil à Primeira Divisão dos campeonatos Carioca e Paulista, respectivamente.

Mauricio Barbieri treinou o RB Brasil (Foto: Divulgação / Red Bull Brasil)
Mauricio Barbieri treinou o RB Brasil (Foto: Divulgação / Red Bull Brasil)

Era o início da trajetória de um jovem que, ainda recém-formado, teve um professor de luxo: José Mourinho, na época em que foi campeão da Liga dos Campeões pelo Porto, em 2004. Então estagiário das categorias de base do clube europeu, ele aproveitou para observar de perto o “Special One” e trouxe na bagagem a filosofia de jogo do português.

O sucesso no RB, clube que levou às quartas de final do Paulistão por dois anos, chamou a atenção do Guarani, no ano passado. E foi justamente no maior desafio da carreira, um clube de tradição e com pressão de torcida, que Barbieri decepcionou.

O sonho do acesso se transformou rapidamente em frustração e o discreto treinador se viu em colisão com a torcida após uma entrevista em que disse não dar ouvido aos questionamentos. Pouco depois, foi demitido com apenas seis partidas e tentou se explicar sobre o episódio.

Queria me desculpar pelo mal-entendido. Em nenhum momento eu disse que ignoro a torcida. Só falei que, como comandante, eu preciso saber separar as coisas e analisar a situação com mais lucidez.

Barbieri enfrentou pressão da torcida no Guarani (Foto: Oscar Herculano Jr / EPTV)
Barbieri enfrentou pressão da torcida no Guarani (Foto: Oscar Herculano Jr / EPTV)

O último degrau antes do Flamengo foi o modesto Desportivo Brasil, conhecido por revelar jovens promessas. Em menos de seis meses, montou a equipe eliminada nas quartas de final da Copa Paulista, para Portuguesa, e deixou boa impressão.

– Metódico, calado e estudioso, sempre estava na sala com os analistas táticos e de desempenho. Adepto do 4-3-3, não abre mão de um atacante de área e de uma rápida recomposição, priorizando a marcação alta sem a bola. No Desportivo, Barbieri demonstrou não ter problema em “barrar” nomes mais conhecidos. Dinelson, ex-Corinthians, e Rodriguinho, ex-Flu, podem ser considerados medalhões no interior paulista e eram opções no banco – analisou Emílio Botta, que acompanhou o time de Porto Feliz pelo GloboEsporte.com.

No Flamengo, a grande chance da carreira caiu no colo. Muito didático, o jovem conquistou a simpatia do elenco. O caminho até uma efetivação, entretanto, ainda é longo e depende de vitórias. Se Audax, RB e Desportivo Brasil mostraram um treinador estudioso, o Guarani ligou o alerta para um fator que encontrará de sobra no Ninho: pressão.

COMENTÁRIOS:

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here