Duas versões de Rodinei: piadas à parte, lateral se firma como titular do Flamengo

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É improvável não sorrir perto de Rodinei. Mais difícil ainda é vê-lo sério fora dos gramados. Mas o lateral se esforça. A fama de ser um dos jogadores mais brincalhões do Flamengo (e do Brasil) não incomoda, mas o camisa 2 planeja não ser lembrado apenas pelas piadas. Até por isso deixou um pouco de lado as redes sociais, um antigo vício.

– Tem hora que tem que descontrair o ambiente. Não dá para ficar só sério. Mas sempre friso: brincadeira é fora de campo. Dentro de campo é muito sério. Jogar no Flamengo não é brincadeira, não. Estou um pouco longe das redes sociais. O foco é fazer o meu melhor. Foi uma coisa minha mesmo. Estava tomando muito o meu tempo. Ficava no Instagram, no Whatsapp para lá e para cá. Dei uma afastada para focar no trabalho. Dei um tempo. Tenho certeza que isso tem me ajudado, estou mais confiante.

De fato, o momento dentro de campo parece estável. A dois jogos de completar 100 pelo Flamengo, Rodinei comemora a titularidade. Desde que chegou ao clube, em janeiro de 2016, ele vive uma eterna disputa com Pará. Sob o comando de Maurício Barbieri, no entanto, foi titular em todas as sete partidas.

– Graças a Deus ele está me dando essa sequência. Ele conversa muito comigo. Tive altos e baixos desde 2016. Houve momentos em que o Pará jogou mais. Joguei mais com o Muricy, depois me lesionei, e ele jogou mais com o Zé Ricardo. Futebol é momento. Estou me sentindo bem com essa sequência e quero agarrar essa oportunidade.

Foco, liderança, titularidade, maior concentração… tudo isso faz parte da nova versão de Rodinei. O difícil é colocar a seriedade no mesmo pacote. Em Bogotá, por exemplo, antes da partida contra o Santa Fe, o lateral – aparentemente brincando -, imitou Cuéllar no momento do hino colombiano. A cena viralizou, virou meme, mas Rodinei garante que foi um gesto de respeito ao companheiro de quarto nas concentrações.

– Não foi brincadeira. Foi respeito. Do mesmo jeito que ele respeita o Brasil, fiz o gesto em homenagem a ele, que é um grande irmão que fiz no Flamengo. Foi algo natural, sério.

É difícil agradar a torcida do Flamengo?

Com certeza. É a maior torcida do Brasil. Eu trabalho para agradar, nunca vou abaixar a cabeça. Sempre fui muito cobrado desde que cheguei aqui. O único jeito é sempre dar a vida em campo. E tenho certeza que no final do ano esse grupo vai conquistar grandes coisas.

Críticas e busca por laterais

Evito ver se a torcida quer a contratação de lateral ou não. O negócio é entrar dentro de campo e fazer o meu papel. É impossível agradar todo mundo. Para jogar em time grande tem que saber conviver com a pressão. Continuo fazendo o meu trabalho aqui quietinho.

– Não estou no Flamengo por acaso. Se a torcida está pedindo lateral, cabe à diretoria. Eu não posso contratar. Estou feliz com meu momento e com a sequência que o Barbieri está me dando. Fico meio marcado com esse meu lado brincalhão. Às vezes falo sério, e o pessoal acha que estou de brincadeira. Não tem problema, gosto dessa fama fora de campo. O que não pode é dentro de campo, quando entro para ajudar meus companheiros e honrar as cores do Flamengo.

São momento engraçados que marcam. Fizeram aquele comercial do Premiere. Ficou uma resenha, todos levaram para o lado da brincadeira. Cumpri o que o Flamengo pediu, mas dentro de campo levo bem a sério. Levo na boa, na esportiva.

Crise e protestos

Sabemos que teremos momentos bons e ruins. O que não pode é se esconder. Independentemente de perder o jogo, eu vou colocar a cara na entrevista. Somos 11 líderes em campo. Temos um elenco de homens.

– Jogar no Flamengo não é brincadeira, sabemos do tamanho da pressão. A semana passada ficou para trás. Só dependemos de nós na Libertadores, estamos bem no Brasileiro. Vamos focar no trabalho para conquistar grande coisas nesse ano.

Marcação

Evoluí muito. Quando cheguei ao Flamengo, só pensava em atacar, atacar, atacar… Agora estou focado na marcação. Há quatro jogos não sofremos gols. Mas é lógico que não vou perder o que sei fazer bem. Não adianta só marcar, não atacar e sair das minhas características.

Muita gente fala que eu ataco muito e não vou bem na marcação. Não concordo. Sempre fui lateral, sempre soube marcar e atacar. Mas trabalho no dia a dia. Sei que posso melhorar. Estou longe de ser o melhor lateral do Brasil. Então trabalho muito e tento assimilar as orientações do treinador.

Reprodução: Globo Esporte

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