Flamengo em nova reconstrução

Maurício Barbieri, treinador do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza

GILMAR FERREIRA: Time nenhum do mundo perde quatro atacantes “titulares” e recupera o padrão em tão pouco tempo – e com duas contratações ainda “discutíveis”.

E que se entenda como “titulares” jogadores estratégicos, como o quarteto Paquetá, Vinícius JR, Guerrero e Everton.

É evidente que o Flamengo não perdeu para o Cruzeiro o jogo das oitavas da Libertadores, no Maracanã, só pela ausência destes quatro jogadores.

Mas ficou claro que o conjunto de peças à disposição do técnico Maurício Barbieri sofreu queda de qualidade no pós-Copa.

O time consegue volume e posse de bola, mas vê diminuir, sensivelmente, a eficácia nas finalizações.

E nesta partida o time de Mano Menezes mostrou ter mais entrosamento e robustez tática, melhores opções de jogo e poder decisivo.

Se tivesse podido contar com o dinâmico Lucas Paquetá, o “ritmista” do time, o Flamengo certamente teria feito outro jogo.

Mas a ausência por suspensão decretou mudança substancial na engrenagem que já sofre com a carência deixada pelos ponteiros Vinícius JR e Everton.

E não será em uma semana ou em um mês que Vitinho e Uribe entregarão o que se espera deles – ainda mais em reta decisiva.

A base do time do Flamengo é trabalhada desde Muricy Ramalho, passando por Zé Ricardo, Reinaldo Rueda e Carpegiani antes de Maurício Barbieri assumir.

E agora caberá ao jovem treinador encontrar a fórmula para o time, com novas peças e as exigências de sempre: vencer, vencer e vencer.

E num calendário ingrato, pesado nestes meses de julho, agosto e setembro, o que exige estratégia corajosa na definição de prioridades.

Barbieri dirigiu o time em 18 partidas até a paralisação para a Copa do Mundo e perdeu um só jogo – e com time reserva, poupando titulares.

Venceu dez e empatou sete.

Nos sete jogos do pós-Copa, venceu dois, empatou dois e perdeu três.

Mano Menezes, por exemplo, tem 160 jogos à frente do time desde 2015, com hiato de sete meses para experiência no futebol chinês, em 2016.

E não sofreu perdas significativas nos últimos meses – ao contrário, recebeu o reforço do argentino Hernan Barcos.

O Flamengo fez sua sétima partida em 22 dias, quase um a cada três dias – com mais seis nos próximos 21 até o jogo de volta, dia 29, em Minas.

O Cruzeiro fez oito em 24 dias, mesma média, portanto – também com seis a cumprir até o duelo que define a classificação para as quartas.

A diferença que é o time mineiro administrou melhor seu elenco e teve regras mais claras para o atingimento de suas metas prioritárias.

Mas é uma troca de socos entre dois gigantes – e a briga continua…