Elogiada fora de campo, “Era” Bandeira não se prova com grandes títulos do Flamengo

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“Boas gestões refletem em campo”. Essa máxima do futebol é quase uma unanimidade entre os dirigentes de futebol. Porém, ela não se aplica aos Flamengo e à gestão Eduardo Bandeira de Mello, que se encerra no fim de 2018 permeada por elogios quanto à reestruturação financeira do Rubro-Negro, mas repleta de críticas pela falta de títulos dentro das quatro linhas.

Dentro das quatro linhas, a “Era” Bandeira contou com 25 competições disputadas, mas apenas três conquistas: a Copa do Brasil de 2013 e os Estaduais de 2014 e 2017. Além disso, a principal ambição do clube e do presidente, a Copa Libertadores, foi tema de sucessivos fracassos. Participante nas edições de 2014, 2017 e 2018, o Rubro-Negro conseguiu seu melhor resultado na atual edição, quando caiu nas oitavas de final para o Cruzeiro. Nos outros anos, o time foi eliminado precocemente na fase de grupos.

Apesar da ausência de títulos internacionais, o Flamengo ainda possui uma final de Copa Sul-Americana no currículo, em 2017. Com uma boa campanha até a decisão, o time, na época comandado por Reinaldo Rueda, enfrentou o Independiente na disputa pelo título, mas terminou com o vice em pleno Maracanã após um revés por 2 a 1 no jogo de ida. O treinador colombiano, inclusive, é mais uma das polêmicas da gestão.

Se dentro das quatro linhas as coisas não caminharam de forma tão positiva, fora de campo os mandatos de Bandeira ficarão lembrados pela reestruturação financeira do Flamengo. Uma das grandes marcas da gestão foi o equilíbrio das contas, os sucessivos superávits e as dívidas controladas, que possibilitaram grandes investimentos para o time, como a recente contratação de Vitinho.

Administração
Time competitivo e retorno aos eixos nas finanças. Essas foram as duas grandes promessas de Eduardo Bandeira de Mello quando foi eleito presidente do Flamengo. Considerado o “torcedor-dirigente”, Bandeira teve o apoio de ninguém mais ninguém menos que Zico, um dos maiores ídolos do clube, para liderar uma gestão de percalços.

Empresário e sócio do Flamengo há 40 anos, além de uma passagem pelo Conselho de Administração entre 2007 e 2009, o atual presidente foi eleito em 2012 sendo candidato apenas no último mês de campanha, assumiu o lugar que era de Wallim Vasconcellos, que teve sua candidatura impugnada por não possuir, na época, cinco anos de vida associativa ao clube.

Ao vencer Patrícia Amorim, que tentava a reeleição, Bandeira apostou na experiência de seus executivos de futebol para comandar o Flamengo como uma grande empresa. E isso se comprovou com números. Em seu primeiro mandato, o presidente flamenguista equilibrou as contas cortando gastos e reduziu a dívida, que era de R$ 750,7 milhões de acordo com a auditoria realizada para início do mandato.

Além disso, a gestão focada em sanar as dívidas e reestruturar o Rubro-Negro termina premiada. Em 2015, por exemplo, o clube foi o vencedor do prêmio BrSM, que reconhece as melhores práticas esportivas do país, levando os troféus de Melhor Gestão e Transparência Financeira. Depois, aos poucos, junto com o equilíbrio vieram os patrocínios, principalmente no segundo mandato do presidente que, entretanto, acumulou fracassos dentro das quatro linhas.

Gestão de futebol
Conhecida pela boa gestão financeira, a passagem de Bandeira de Mello pelo Flamengo possui como ponto negativo justamente o futebol e a ausência de conquistas em campo. Em seis anos, foram apenas três títulos, sendo o de maior expressão a Copa do Brasil no primeiro ano de mandato, em 2013.

Os fracassos, porém, se explicam pela forma com a qual o futebol foi lidado pelo presidente. Em seus dois mandatos, foram 14 treinadores e a média de permanência de cada um na Gávea inferior a seis meses. Foi entre 2017 e 2018, inclusive, que a gestão se aproximou das críticas, justamente pelas condições e pela forma com a qual o caso do comando técnico foi conduzido.

No fim de 2017, após a derrota para o Independiente, da Argentina, na decisão da Copa Sul-Americana, Reinaldo Rueda recebeu um convite da seleção chilena para assumir o time sequer classificado para a Copa do Mundo da Rússia. O treinador, porém, postergou a definição, modificou o planejamento Rubro-Negro e, no fim, deixou o Rio de Janeiro.

Como consequência, o Flamengo se viu sem treinador para 2018 e teve de apostar em Paulo César Carpegiani, contratado inicialmente para desempenhar a função de coordenador. A escolha e a condução da negociação com Rueda, aliás, foi um dos momentos de maior indignação por parte da torcida com Bandeira.

Carpegiani permaneceu poucos meses e a falta de resultados fez com que a diretoria apostasse no jovem Maurício Barbieri. Após um bom início, o comandante viu os resultados caírem por terra, assim como seu emprego. Para “apagar o fogo”, Dorival Júnior foi contratado, mas sua continuidade para 2019 depende do processo eleitoral programado para este sábado.

A “Era” Bandeira, além disso, terminou da mesma forma como começou dentro das quatro linhas: com Dorival Júnior. No dia 19 de janeiro de 2013, no primeiro jogo sob o mandato do presidente, o Flamengo venceu o modesto Quissamã pelo Campeonato Carioca. Cerca de seis anos depois, o mesmo comandante marcou o fim do mandato com uma melancólica derrota para um Maracanã cheio.

Eleições
A fim de sanar os problemas do Flamengo, principalmente dentro de campo, quatro chapas disputam as eleições presidenciais neste sábado: ‘Chapa Rosa – Avança Mais, Flamengo’, do candidato Ricardo Lomba; ‘Chapa Roxa – Unidos pelo Flamengo’, de Rodolfo Landim; ‘Chapa Branca – Fla Tradição e Juventude’, de Marcelo Vargas; e ‘Chapa Amarela – Coração Valente’, do José Carlos Peruano.

Programado para acontecer no Ginásio Hélio Maurício, na sede social da Gávea, das 8h às 21h, o pleito irá determinar o 57º presidente da história do Flamengo. E entre as propostas comuns aos candidatos está a conquista de títulos, apontado como parte crucial da gestão e principal erro dos mandatos de Bandeira de Mello.

Fonte: Gazeta Esportiva


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