Choro pelo Flamengo, pelo esporte e pelo Brasil

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TORCEDORES: Por Juvenal Dias

Esta é uma crônica que traz o choro pelo que representa o Flamengo e tudo o que aconteceu neste fim de semana. Mas é um choro também de como se encontra o esporte brasileiro e das recentes tragédias que estão “desmontando” o Brasil.

Eu choro. Desde da última sexta-feira, já chorei no final do dia depois das notícias que chegavam. Mas o choro permanece, ainda que agora seja interno e silencioso. Hoje o choro é pelo enterro dos jovens que buscavam se tornar atletas profissionais. Afinal, quem nunca se imaginou como um jogador de um grande time? Também já pensei nisso, assim como já pensei em ser piloto de corrida. Mortes assim nos identificam como parte do futebol e que poderia acontecer conosco. Para quem é pai e mãe, mortes assim fazem pensar nos filhos que alimentam um sonho de melhorar de vida. Então é difícil que alguém não compadeça dessa dor.

Flamengo

Eu choro. Choro pelo que significa o Flamengo. Como é triste saber que um time com essa grandiosidade, essa história não jogou no fim de semana, como faz desde sempre. Que não trouxe alegria ou frustrações para um povo maior que muitos países no mundo. Também é responsável por dar alegrias ou tristezas aos adversários. Hoje seria o Fluminense. Um alerta é ligado no futebol brasileiro. Se o Flamengo, com seu tamanho todo, alojava seus futuros atletas nessas condições, como é a realidade de clubes formadores de menor porte?

A consternação se estende porque um time desses é o retrato do Rio de Janeiro, para não dizer do Brasil. Uns poucos são tratados com toda regalia possível, mas até chegar nessa elite é tratado como mercadoria. Mercadoria que tem duas opções: fica guardado em latas ou é vendido precocemente e o clube fica mais um pouco milionário.

Não é só por isso que o Flamengo é um retrato do Brasil. É pela negligência e descaso com autoridades e poder público. Uma entidade que não cumpre as regras para que esteja apto a funcionar. Mais um daqueles casos do “jeitinho brasileiro” que vai levando até que aconteça alguma coisa. Aconteceu. E o que mais revolta é ouvir que vai ser aberto um inquérito para apurar as causas e verificar culpados. No fundo, sabemos que o tal inquérito não vai apontar o dedo para ninguém. Ou serão revertidos em “cestas básicas”, mas ninguém ficará atrás das grades como deveria. Uma situação que vai ser prolongada até cair no esquecimento.

Esporte

Este choro é um desabafo também de tudo o que vem acontecendo no esporte nacional. A Chapecoense não foi uma fatalidade. A busca de uma companhia mais barata e com menos recursos matou os integrantes daquele fatídico voo que nunca pousou no aeroporto em que deveria. O futebol brasileiro não está bem das pernas há muito tempo. O reflexo acontece em jogadores criticados no exterior e nossa seleção com cada vez menos prestígio. A seleção de base agoniza para buscar uma classificação no mundial.

Não é só o futebol, já que ele faz parte de uma cultura maior, que é o esporte. Constantemente vemos atletas brasileiros conquistando resultados extremamente significativos. Contudo não há o devido reconhecimento. Muito menos apoio financeiro, seja de empresas privadas seja do assistencialismo governamental ou da falta do esporte como uma política pública efetiva. As notícias de cortes sucessivos para ajudar com equipamentos, viagens, treinos ou alimentação soma-se a todos os problemas vindos da Copa de 2014 e Olimpíada de 2016.

Brasil

Por fim, choro por um Brasil que parece estar se desmanchando aos poucos. O esporte é uma das áreas que estão ruindo no país. Dois ou três dias antes, o Rio de Janeiro já tinha se devastado com mais uma daquelas enchentes que cai água “do mês todo em um dia”. O próprio clube do Flamengo ficou inutilizável para seus sócios. Milhares de pessoas tiveram que esperar para retornar do trabalho. Sem falar as vítimas nos deslizamentos.

Não tinha dado tempo de recuperamos de Brumadinho. Mais uma tragédia que devasta uma parte do país e centenas de famílias. Assim como havia acontecido em Mariana. Há duas semanas o esporte fazia um minuto de silêncio por essas vítimas, assim como foi feito nestes dias. Mas o país vai desmontando aos poucos. É o prédio que pega fogo no centro de São Paulo e afeta os que ocuparam a construção. É o Museu Nacional que perdemos cultura e história, não apenas nossa, mas da humanidade. São ondas de violência que assombram as grandes cidades e chegam a novos territórios. O Nordeste é a bola da vez. Assim não tem choro que baste.

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