Maioria dos clubes já não descartam pagar pelo VAR no Brasileiro

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MARCEL RIZZO: A maioria dos clubes que disputará a Série A em 2019 se mostra disposta a pagar parte ou até mesmo 100% dos custos para a utilização do VAR (árbitro de vídeo, na sigla em inglês) no Brasileirão deste ano. O cenário é diferente de 2018, quando 12 dos 20 disseram não ao VAR principalmente porque teriam que bancar a tecnologia. Nesta sexta-feira (22), na sede da CBF, o assunto será decidido e o valor será o protagonista da reunião.

O blog ouviu 19 dos 20 participantes, todos favoráveis ao uso do VAR mas preocupados com as cifras (somente o Cruzeiro não se posicionou). Sete afirmaram que pagariam 100% do custo para ter a tecnologia, já outros oito esperam a apresentação da CBF para conhecer o orçamento, mas não descartam arcar com alguma coisa. Quatro se mostraram menos favoráveis ao pagamento, mas mesmo assim dois, Ceará e Santos, abrindo possibilidade de dividir custos. Nesse panorama, se o valor for considerado viável é provável que os clubes aprovem o VAR mesmo se precisarem colocar a mão no bolso, algo que parecia improvável semanas atrás.

Andrés comanda pedido para CBF bancar custo total

Na reunião desta sexta-feira (22), o presidente corintiano Andrés Sanchez deve comandar aqueles que acham que a CBF deveria bancar 100% para implementar o árbitro de vídeo na Série A. “Não concordo em pagar, mas sou a favor do VAR”, disse Sanchez. No ano passado, a CBF apresentou projeto em que o custo ficaria na casa dos R$ 50 mil por partida e cada clube seria o responsável por pagar quando fosse o mandante. Como, por questões de infraestrutura, a CBF só poderia oferecer o serviço a partir do segundo turno, cada um gastaria cerca de R$ 500 mil por metade do campeonato (equivalente a R$ 1 milhão nas 38 rodadas).

Para diminuir esse números, a CBF contratou a Ernest & Young para fazer a consultoria do processo de escolha da empresa que prestaria serviço para uso do VAR por todo o campeonato. Representantes da EY estarão presentes no conselho técnico de sexta e farão uma apresentação aos clubes a respeito principalmente dos custos. O blog apurou que o valor caiu e deve ser apresentado algo entre R$ 16 milhões e R$ 17 milhões de total, o que significa R$ 42 mil a R$ 44 mil por partida ou cerca de R$ 800 mil para cada clube para a competição toda. A CBF ainda analisa como esse valor seria repassado, mas trato como improvável que a entidade banque tudo.

Clube de menor orçamento entre os 20 integrantes do Brasileirão, o recém-promovido CSA de Alagoas crava que não pode arcar com um custo tão elevado, por isso deverá votar com o Corinthians para que os clubes não paguem integral ou parcialmente o VAR. “O CSA não tem condições de pagar”, disse o diretor executivo, Fabiano Melo.

Avaí, Fortaleza e Goiás, que subiram com o CSA, admitem pagar. Os dois primeiros integralmente, se necessário, já os goianos querem avaliar o preço que será apresentado, mas não descartam tirar algo do bolso para ter o VAR.

“Em 2017  fui rebaixado empatado em número de pontos com o Vitória, o primeiro a se livrar. Teve um jogo contra o Flamengo que perdi dois pontos por causa de um pênalti que o juiz primeiro marcou, depois voltou atrás. Sou a favor do VAR e se precisar pagar 100%, o Avaí paga”, disse o presidente, Francisco Battistotti. “Sou a favor de pagar. Se perder dois pontos num jogo com erro de arbitragem pode decidir uma permanência na Série A, uma vaga na Sul-Americana. E historicamente os times menores são mais prejudicados”, disse Marcelo Paz, presidente do Fortaleza.

O posicionamento desses três clubes explica porque a votação em 2019 pode ser diferente daquela de 2018. Os quatro clubes rebaixados no ano passado à Série B votaram contra o VAR nas condições apresentadas pela CBF naquela ocasião — América-MG, Vitória, Sport e Paraná. Mas alguns que ficaram na primeira divisão também estão revendo posição, a depender, claro, do que a CBF propor. Casos do Atlético-MG, Athletico Paranaense, Vasco, Botafogo e Fluminense, que querem ouvir a oferta mas não rejeitam de bate-pronto não pagar pela tecnologia. “Vamos esperar o Conselho e ver o que a CBF vai propor”, disse Mário Celso Petraglia, homem-forte do Athletico.

Se até algumas semanas atrás o custo parecia ser um problema para o uso do VAR na Série A, agora vai depender muito do que a CBF conseguiu economizar. A Federação Paulista de Futebol (FPF), por exemplo, vai gastar R$ 28 mil por partida nas 14 que terão VAR nas fases finais do Paulistão. Uma logística menos complicada do que a do Brasileirão, que tem rodadas com partidas em várias regiões do país, explica a diferença de preço e isso será exposto na reunião de sexta. É ver o que os clubes decidirão ao final.

Posição dos 20 clubes da Série A sobre o VAR no Brasileiro em 2019:

Athletico Paranaense –Aguarda a proposta da CBF, não é contra o VAR mas quer conhecer os custos

Atlético-MG – Aguarda a proposta da CBF, não é contra o VAR mas quer conhecer os custos

Avaí – Paga 100% se necessário

Bahia – Paga 100% se necessário

Botafogo – Aguarda proposta da CBF, mas não descarta pagar parte do valor

Ceará – Contra pagar tudo, mas pode analisar pagar parcialmente dependendo do valor

Chapecoense – Paga 100% se necessário

Corinthians – Contra pagar, acha que a CBF tem que bancar 100%

Cruzeiro – Não se posicionou, mas em 2018 votou contra o VAR na proposta apresentada pela CBF

CSA – Contra pagar, diz não ter como arcar com os valores

Flamengo – Continua favorável como em 2018, mas quer analisar os custos que serão apresentados

Fluminense – Aguarda a proposta da CBF, não é contra o VAR mas quer conhecer os custos.

Fortaleza – Paga 100% se necessário

Goiás – Quer conhecer os custos, mas não descarta pagar parcialmente se necessário

Grêmio – Paga 100% se necessário

Inter – Paga 100% se necessário

Palmeiras – Paga 100% se necessário

Santos – Acha que a CBF tem que pagar 100% ou parcialmente

São Paulo – Favorável ao VAR, espera a apresentação da CBF para entender os custos

Vasco – Quer conhecer os custos e não descarta pagar desde que os valores sejam reduzidos

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