Paquetá deve ser ponto de partida para Tite armar meio da Seleção

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ANDRÉ ROCHA: Neymar e Arthur lesionados, Philippe Coutinho, Douglas Costa e Willian em baixa, Gabriel Jesus na reserva do City, Richarlison oscilando no Everton. Casemiro é parte da irregularidade do Real Madrid na temporada. Vinícius Júnior é a boa nova, mas ainda parece verde para assumir grandes responsabilidades. Fred na reserva do Manchester United.

Tite tem poucas certezas para a montagem da seleção brasileira a partir do meio-campo já pensando na Copa América. Talvez a única seja Roberto Firmino, constante no Liverpool. Mas dentro do 4-1-4-1 que é a base tática do treinador só tem vaga no centro do ataque, ainda que no clube inglês venha exercendo a função de “dez”.

Lucas Paquetá comemorando seu primeiro gol pelo Milan – Foto: Divulgação

É neste “vácuo” que o nome de Lucas Paquetá cresce. O meia chegou ao Milan, assumiu a titularidade e já contribui para a nítida evolução da equipe de Gennaro Gattuso. Invencibilidade de seis partidas na temporada desde a derrota para a Juventus e já sonhando com vaga na Liga dos Campeões.

É claro que o atacante polonês Krzysztof Piatek é o grande protagonista e artilheiro desta virada rossonera desde que chegou do Genoa para substituir Higuaín, que foi para o Chelsea. Mas o brasileiro vem entregando outra dinâmica no trabalho entre as intermediárias.

Em cinco partidas pela Série A, o jogador de 21 anos marcou um gol e serviu uma assistência. Finalizou seis vezes e acertou oito dribles. No 4-3-3 de Gattuso, atua como meia pela esquerda, ao lado de Kessiê e à frente de Bakayoko. Com personalidade, dribla e participa da organização com o turco Çalhanoglu, que sai da ponta esquerda para dentro e ajuda na articulação das jogadas.

Participa ativamente do trabalho defensivo (tem 12 desarmes e três interceptações), mas já não é mais o “peladeiro” dos tempos do Flamengo de Mauricio Barbieri atuando num 4-1-4-1 e circulando aleatoriamente por todos os setores. Já havia melhorado com Dorival Júnior jogando mais avançado e agora lê com mais clareza os espaços que precisa ocupar em campo. Também arrisca menos os dribles desnecessários com o time saindo para o ataque.

Paquetá ainda está em processo de adaptação ao futebol praticado na Europa, mas considerando a carência de jogadores na função que exerce, Tite deve partir dele para o acerto do meio-campo da seleção. Com Casemiro, ainda intocável na proteção da defesa, e Arthur, que deve voltar em março e, com suas características de controlar a bola e ditar o ritmo, tem tudo para se entender muito bem com Paquetá, mais dinâmico e que aparece na área para finalizar.

A comissão técnica está atenta. O auxiliar Sylvinho vem monitorando o atleta e é só elogios: “O Milan é um grande clube, bem organizado pelo Gattuso e possui movimentos táticos parecidos com o da Seleção. Essas primeiras avaliações do Paquetá na Europa são muito positivas e sem dúvidas é um jogador com muita margem de crescimento”, afirmou em entrevista após acompanhar os jogos do meia contra Napoli e Roma.

Se continuar nesse processo de evolução será nome certo nas próximas listas de convocados. Talvez já esteja presente na que será divulgada no dia 28 para os amistosos contra Panamá e República Tcheca. Em meio a tantas dúvidas e preocupações, Tite pode depositar suas fichas em Paquetá para dar liga à seleção que, até pelo contexto, precisa urgentemente de renovação.

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