O Flamengo evoluiu, mas a imprensa e o futebol brasileiro não

O Flamengo jogou muito bem, chegou a ser superior em parte do primeiro tempo, mas o Liverpool, no geral, foi melhor, por ter criado muito mais chances claras de gol. Mereceu a vitória.

Os dois times, como era esperado, utilizaram muitas bolas longas, nas costas dos defensores, pois as duas equipes atuam com a marcação mais adiantada. A entrada de Vitinho, no segundo tempo, tirou o lugar de Bruno Henrique, que criava grande perigo pela esquerda. Na prorrogação, Firmino, com sua classe, fez o gol da vitória, em uma jogada rápida de contra-ataque.

A grande diferença entre os grandes times europeus e os sul-americanos não diminuiu. O Flamengo é exceção. Se fosse qualquer outro time brasileiro, seria goleado pelo Liverpool.

O Flamengo ensinou aos times brasileiros que é possível unir a disciplina tática e a improvisação, o individual e o coletivo, o jogo calculado e o passional. O Flamengo rompeu com paradigmas que predominam no futebol brasileiro há muito tempo, uma excessiva cautela, a marcação mais recuada, para fechar os espaços, os dois volantes em linha, o centroavante fixo, os zagueiros colados à grande área e o posicionamento estático dos jogadores.

FOTO: ALEXANDRE VIDAL/FLAMENGO

Parabéns ao Flamengo, ao explosivo e revolucionário técnico Jorge Jesus, aos brilhantes e vibrantes jogadores e à sua fascinante torcida, além das diretorias atual e anterior, pelas conquistas do Brasileiro e da Libertadores e pelo vice-campeonato mundial.
O Flamengo mostrou que é um grande time do mundo.
Liverpool x Flamengo na final do Mundial de Clubes

O Corinthians fez duas excelentes contratações, a de Tiago Nunes, destaque entre os treinadores brasileiros, e a do meia Luan, apesar das incertezas técnicas e físicas. Vale o risco. Luan é o elo do meio para frente. Facilita para todos, embora jogadores como ele, que atuam como um meia de ligação, sejam cada vez mais abandonados pelos grandes times.

Liverpool e Flamengo não têm esse clássico meia. Gérson ou Diego atuam vindo de trás, do próprio campo. São meio-campistas. Diego, na maior parte da carreira, foi um meia clássico ofensivo. Recebia a bola de costas para o gol e rodava com ela, com pouca eficiência. Descobriu, com Jorge Jesus, seu melhor lugar.

O São Paulo manteve Fernando Diniz, embora a equipe, sob seu comando, não tenha apresentado nada de diferente dos técnicos anteriores. Fernando Diniz quis ter mais segurança no início, para, depois, implantar seu estilo ou mudou alguns conceitos? Além disso, é necessário ter jogadores com as características ideais para usar certas estratégias. O Fluminense, com Fernando Diniz, trocava muitos passes curtos e ficava com a bola porque tinha, no meio-campo, três jogadores habilidosos e que gostavam da bola, Ganso, Daniel e Allan.

Santos, Palmeiras e agora o Atlético fizeram muito bem em não atender às delirantes exigências do esquisito Sampaoli. Ele é muito bom, mas acha que é o melhor técnico do mundo e que vai dirigir o melhor time do mundo.

O Internacional foi ousado e trouxe o jovem técnico Eduardo Coudet, que fez sucesso na Argentina. Há uns dois anos, vi o Rosário Central, dirigido por Coudet, jogar contra o Palmeiras, em São Paulo, e fiquei impressionado com o jogo coletivo da equipe. Ele é da turma dos loucos, como Jorge Jesus, Sampaoli, Guardiola, Klopp e poucos outros. São organizados e passionais.

Todos nós que trabalhamos no futebol precisamos evoluir, e não apenas os técnicos.

Por:FOLHA DE SÃO PAULO

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