sexta-feira, setembro 18, 2020
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Ronald Ramón tenta levar o Flamengo às semifinais do NBB.

Foto: Divulgação

GLOBO
ESPORTE
: Quem dá uma volta pelo Bronx, em Nova York, e visita a quadra da All
Hallows High School, irá observar que lá no alto, atrás de um dos aros, reluz a
camisa 14, guardada carinhosamente em um quadro. Imortalizada pela diretoria da
escola americana, ela foi usada por Ronald Ramón, armador do Flamengo. Filho de
Ricardo Ramón, ex-jogador de basquete, o dominicano nasceu em 14 de janeiro de
1986, criou-se no bairro berço do hip hop e por laços afetivos óbvios escolheu
o número para acompanhá-lo em sua carreira nas quadras. Foi assim na seleção da
República Dominicana e nos seus planos seria assim no Rubro-Negro, onde chegou
em 2016. O pedido, porém, foi negado de maneira respeitosa pela diretoria.

Desde
2014, o número eternizado por Oscar, o “Mão Santa”, não é mais
utilizado, apesar de não ter sido oficialmente aposentado como fazem nos
Estados Unidos. Coube a Ramón então buscar uma segunda opção. Seria o 4, como
foi na Universidade de Pittsburgh e no começo no Limeira, quando chegou ao
Brasil em 2010. Mas essa era de outro ídolo e ainda em ação, Marcelinho
Machado. Ofereceram então a 10, aceita de bom grado e nada mau para um clube
que tem na história um certo Zico. É com ela que Ramón, armador titular mesmo
com a chegada de Ricardo Fischer, irá tentar ajudar o Flamengo a vencer o
Pinheiros no jogo 4 das quartas de final do NBB, triunfo que significaria 3 a 1
na série e uma vaga na semifinal contra o Bauru. A partida será às 19h30, em
São Paulo, no Ginásio Henrique Villaboim.

Lógico que a história dele é gigante, todo mundo conhece, é um cara que não
preciso nem falar. Mas, pessoalmente o número para mim significava muito. Usava
desde pequeno, era uma coisa pessoal. Não tem nada a ver com o Oscar. É a minha
data de nascimento, usei sempre. Quando cheguei em Limeira, o André Bambu usava
a 14, então não deu para usar. Usei a 4 por conta do meu pai, e depois de
alguns anos consegui mudar. Aqui fiquei com a 10 – conta Ramón, de forma
serena.
Ramón
vive o basquete desde antes de falar. Seu pai, Ricardo, também jogou na seleção
da República Dominicana. Teve passagem no basquete americano e mais tarde jogou
ainda no Brasil e na Argentina. Na infância, Ronald fez história na All Hallows
High School. Terminou os estudos com médias de 24 pontos e oito assistências de
média, formando-se na classe de 2004. No mesmo ano, recebeu uma bolsa para
estudar e jogar pela Universidade de Pittsburgh. Lá, atuou ao lado de Sam
Young, que mais tarde teve uma chance na NBA, cumpriu os quatro anos e
formou-se em comunicação. Durante os quatro anos, foi titular e no último
acabou campeão da conferência “Big East”, no Madison Square Garden,
vencendo a Georgetown que tinha Roy Hibbert, duas vezes All-Star e hoje no
Denver Nuggets.
Após
formado, não foi draftado no ano em que Derrick Rose foi a primeira escolha e
Russell Westbrook a quarta. Veio então para o basquete argentino para atuar
pelo Lanús. Passou pelo Tabaré, do Uruguai, Toros de Aragua, na Venezuela, até
chegar no Limeira, em São Paulo, em 2010, onde ficou até a chance de defender o
Flamengo, no ano passado, quando foi campeão do NBB. Nesta temporada, mesmo com
a concorrência de Ricardo Fischer, contratado para ser o número 1, ele segue
como titular e importante para o Rubro-Negro com médias 10,2 pontos e quatro
assistências. Experiente aos 31 anos, ele quer fazer valer a confiança
depositada nele.
– Neto
sempre teve confiança em mim. Foi assim no ano passado, quando me contratou no
meio da temporada. Isso já diz muito para mim. Nunca mudou essa confiança.
Inclusive de ninguém do elenco. O Neto tem confiança em todo mundo, sabe o que
cada um pode fazer. Uma hora sou eu que vou bem, outra hora pode ser qualquer
um do nosso grupo. Temos que manter o mesmo foco, olhar o que erramos para
voltar e tentar fazer uma melhor partida – explica Ramón, citando o jogo 4
contra o Pinheiros, em São Paulo.
A história da camisa 14 no Flamengo
A
ausência da camisa 14 ficou de lado. Ramón talvez não saiba, mas o último a
usá-la foi o americano Tony Washam, contratado pelo Flamengo para a Liga das
Américas daquele ano. O uso da camisa de Oscar por um atleta sem identificação
com o clube e que teve desempenho muito abaixo do esperado, recebeu uma
enxurrada de críticas da torcida. Assim, optou-se por não tê-la mais em quadra
no profissional. Hoje, o Rubro-Negro até tem um jogador inscrito com o número
no NBB 9. Trata-se do jovem da base Vitor Amorim, de 19 anos, ala e filho da
ex-presidente Patrícia Amorim. Como ele ainda não foi relacionado no torneio, a
camisa 14 segue sem uso, o que não incomoda o americano/dominicano, que
confessa que não sentiria a pressão.
– Para
mim seria tranquilo usar. Sei que seria uma responsabilidade grande pela
história que o Oscar tem aqui, mas seria normal para mim, sem pressão. Jogar no
Flamengo já é uma pressão. Todo jogo entramos para ganhar. Essa é a nossa
mentalidade, inclusive nos treinos. Você sabe que quando joga aqui é para
ganhar. Trabalhamos para isso. Não é uma coisa que vem de agora. Temos que
trabalhar para vencer sempre. É um costume do clube – diz Ramón, que jogou o
Mundial de 2014, na Espanha, pela República Dominicana, e tem na carreira
confrontos contra a seleção dos EUA com LeBron James em quadra.
No
jogo 3, apesar da derrota para o Pinheiros dentro de casa, Ramón teve um dia
especial que ele fez questão de compartilhar nas suas redes sociais. Seu filho,
Ronald Junior, entrou em quadra e entregou a bola da partida ao árbitro 1. Ele
é fruto do casamento do jogador com Reba Tutt, ex-jogadora condecorada de
softball que ele conheceu na Universidade de Pittsburgh.

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