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Até onde devem ir as críticas ao jogador de futebol?

Nessa semana o atacante Michael deu uma declaração forte sobre sua situação em 2020. O jogador se viu em um quadro extremo de depressão, pensando em alguns momentos até no suicídio. O ato que é sempre aterrorizante em nossa sociedade, infelizmente não pode ser considerado como incomum. São milhares de casos, inclusive de famosos, que tiraram suas vidas recentemente.

Não existe padrão, rico ou pobre, atleta ou sedentário, ou qualquer outro fator, apesar de alguns terem alguma importância. A depressão é considerado o mal do século, e ela cerca um momento da sociedade onde críticas são sempre muito maximizadas pelas redes sociais, algo que não existia em tempos anteriores.

O torcedor sempre foi totalmente irracional em suas críticas, mas elas ficavam nos estádios, ou nas ruas. A “toxidade” não entrava dentro das casas dos jogadores, com seus familiares por exemplo, em momentos de descanso, mas entra agora, pelas redes sociais. Estar nelas ou não pode ser uma opção, mas em alguns momento é inevitável ler determinadas coisas.

Esse não foi o caso de Michael, que entrou em depressão em momento que estava bem no clube, logo no Carioca, quando recém havia chegado. Mas é um cenário global, com todos atletas. E aí vem o questionamento: até que ponto críticas profissionais ultrapassam os limites humanos?

Você no seu trabalho, caso cometa erros, terá o que como consequência? Uma “puxada de orelha” ou a demissão, ambas são muito ruins, ainda mais pela necessidade de se sustentar. Mas nós corremos atrás, deixamos isso para trás e procuramos outra oportunidade. Você foi cobrado apenas pelo seu chefe, ou no máximo um coordenador.

Um jogador é cobrado por milhões, e diferentemente das profissões “normais”, ele pode fazer de tudo, mas se estiver em um momento ruim, as coisas podem não sair tão bem assim. Mas ele será cobrado, e muito, por todos. No Flamengo são 40 milhões de chefes. Mas ele ganha muito pra isso, certo? Mais ou menos.

Dinheiro não paga sua saúde psicológica, e não compra felicidade (clichê, mas verdade).

Ora, não posso criticar um jogador então? É óbvio que pode, mas nós devemos aprender que a internet não é terra sem lei. Temos vários e vários casos de torcedores que usam o “direct” de atletas para fazer ameaças ou críticas que vão muito além ao desempenho profissional do jogador, envolvendo por vezes familiares. Isso é desproporcional e em um ambiente de grande pressão, pode trazer grandes prejuízos.

Não é frescura, é bom senso, critiquem jogadores pelo desempenho profissional, e não levem o lado pessoal para debate, isso é coisa de covarde, ainda mais em redes sociais. Isso poderá ser crucial para que não tenhamos tragédias envolvendo atletas no futuro.

SRN!

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