terça-feira, setembro 29, 2020
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1° turno tem equilíbrio e nível baixo entre times de baixo.

Lancenet
– Seria um exagero afirmar que sobrou futebol na primeira metade do Brasileiro.
Mas também é absurdo dizer que o campeonato não apresenta nada de positivo. O
equilíbrio que há entre os seis principais candidatos ao título – Corinthians,
Atlético-MG, Grêmio, São Paulo, Fluminense e Sport – tem mantido o interesse
geral, ao contrário de outras edições por pontos corridos, quando um ou dois
clubes disparavam na frente, deixando o restante brigando apenas por posições
secundárias.
Aliás,
vale ressaltar que obter vaga na Libertadores hoje tem mais valor, e levando-se
isto em consideração, pelo menos mais dois times, Atlético-PR e Palmeiras,
ainda prometem lutar por tal espaço, o que também colabora para a boa média de
público.
O
problema é que o Brasileiro cai assustadoramente de nível da metade da tabela
para baixo. As equipes que ocupam o primeiro bloco desta faixa são de uma
irregularidade sem par, e as quatro últimas duelam de forma impressionante com
as suas muitas limitações, protagonizando partidas de uma pobreza só,
notadamente quando jogam entre si.
Na
realidade, parece difícil que possam ocorrer mudanças radicais no segundo turno,
como por exemplo uma arrancada fabulosa de um dos times da turma do meio,
desses que ganham e perdem com a mesma facilidade, embora o futebol seja sempre
capaz de surpreender.
Numa
análise fria a calculista do que aconteceu até aqui, o que houve de melhor foi
o Atlético-MG, e de pior, sem dúvida alguma, e infelizmente, por se tratar de
um gigante, a tragédia do Vasco, que apostou politicamente no passado, e deste
não consegue sair.
Outro
ponto positivo foi o quase fim do questionamento abusivo dos jogadores aos
árbitros, com a punição imediata, e o negativo os esquemas defensivos dos times
médios, quando atuam fora de casa, e pior, de qualquer um dos 20 concorrentes,
quando põe vantagem e recua para tentar liquidar nos contra-ataques,
contribuindo para tornar o espetáculo deprimente.
Num
discurso otimista, há sempre a possibilidade de ocorrer melhora na segunda
parte do Brasileiro, pois o cerco obviamente se aperta em torno da conquista do
título, das vagas na Libertadores e do terrível rebaixamento. Mas o ideal, na
prática, é que se pudesse formar, ao fim do campeonato, uma seleção de boa
qualidade que pudesse efetivamente representar o Brasil em amistosos ou
competições oficiais. E isto, pelo menos por enquanto, ainda não foi possível.
Será?
Roberto
Assef

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