sexta-feira, setembro 25, 2020
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A Arena da discórdia.

ELEIÇÕES
FLA 2015 – Rapaz, o Póvoa puxou minha orelha. A minha só não, a minha, a sua, a
da Vivi, a de todos os que estão por aí em campanha e de quem mais está ligado
no processo eleitoral,
Faz
poucas horas eu recebi um e-mail dele. Bom, se eu recebi, é sinal de que
dezenas de pessoas receberam também, afinal eu só falei pessoalmente com ele 1
ou no máximo 2 vezes na vida e se um dia ele me encontrar em um restaurante ou
caminhando por aí na melhor das hipóteses ele vai ficar com a sensação de
“putz, já vi esse gordinho em algum lugar, será que ele não era da ECO nos
tempos que estudei economia e era ele quem organizava umas vinholadas no campus
da Praia Vermelha?” (em tempo: organizei vinholadas nos remotos anos 80, mas
nunca estudei na Praia Vermelha). Definitivamente, ele não mandou o e-mail para
mim, mas sim para geral. Ou melhor, pagou esporro para geral.
Disse
ele – e só agora eu vejo como ele tem razão – que estamos, todos, cagando e
andando para os demais esportes, já que todos só temos olhos e atenção para o
futebol (a expressão chula não é dele, devo esclarecer, o chucro sou eu). Logo
logo aparecerão vários para dizer que não é bem assim, que todo mundo está bem
preocupado com o basquete, com o judô, com a ginástica, com a natação, com o
remo e até com o futebol de botão, onde meu brother Adolpho Pereira é
grão-mestre graduado.
De minha
parte, afinal só posso falar por mim, ele está certíssimo. Escrevi alguns
artigos aqui, ajudei a Vivi em algumas pautas do badalado Periscope, me envolvo
em uns debates virtuais a todo o momento e nunca dei a menor bola para os
outros esportes. Prometo que vou melhorar e passar a prestar atenção no resto.
Mas
antes mesmo dele falar – e meu Twitter está aí para me salvar – eu recebi com a
mesma estranheza a fala do Tostes a respeito da Arena McDonald’s. Para quem não
viu, o Rodrigo Tostes partticipou de um Periscope com a Vivi. O Periscope tem
essa característica fluida, na hora que você estiver lendo esse texto ele já
não está mais no ar, mas o fato é que o Tostes foi muito cético em relação à
construção da Arena McDonald’s. E insinuou que seria mais negócio o Flamengo
aproveitar as instalações olímpicas, as quais, se não me engano, ficam em
Deodoro.
O
leitor sabe exatamente onde fica Deodoro? Eu me lembro vagamente que quando eu
era criança e meus avós tinham uma casa em Muriqui, a gente passava por lá, eu
achava longe da Tijuca. Mas hoje em dia tem Google Maps, nem preciso mais
confiar na memória, Deodoro fica entre Guadalupe e Realengo – alô, alô
Realengo, aquele abraço!
Não
estou querendo desmerecer Deodoro, desde já peço perdão aos deodorenses e
guadalupenses. Mas vamos combinar que é estranho DEMAIS que depois de a gente
ter passado, sei lá, uns 2 anos e meio sonhando com um ginásio novinho em folha
ali de cara para a Lagoa, descobrir de uma hora para outra que não é bem assim,
que o McDonald’s não vai pagar, que a Prefeitura não vai deixar, que o trânsito
vai travar, que os moradores do Leblon vão reclamar e sei lá mais o que.
Eu
gosto para caramba do Rodrigo Tostes. Sou fã demais dele, na apresentação que
assisti da Chapa Verde ele fez as melhores intervenções e o Flamengo deve MUITO
a ele. Mas não entendi absolutamente nada com essa crítica contra o sonho da
Arena, crítica, vamos dizer, extemporânea (podia tranquilamente tê-la feito
meses atrás, por exemplo) e achei que, dentre tantos na Chapa Verde para chutar
o balde e ser contra a construção da Arena depois da gente ter visto maquete e
projeto no Autocad, ah, o menos indicado era ele, por conta do seu cargo no
Comitê que organiza os Jogos Olímpicos.
Sei
que ele fez isso com boas intenções. Faz parte da lógica que bons contatos
geram bons negócios, um círculo virtuoso de boas influências. E quem sabe
justamente ele, por ser tão rubro-negro e estar em uma posição de destaque na
gestão das instalações olímpicas, é quem pode ajudar a materializar o sonho e
fazer do Flamengo um herdeiro natural do legado olímpico. Tudo isso é válido.
Quem sabe até o certo seja ele, não nós.
Mas –
e sempre tem um “mas” – não caiu bem a declaração. Muita gente precisaria de um
tempo maior para digerir a noção de que é o caso de esquecer a Arena
McDonald’s, transformar aquele espaço em mais estacionamento e fazermos de
Deodoro nossa nova casa. Desconfio que o e-mail do Póvoa vem desse estranhamento,
semelhante ao meu. Um tema dessa envergadura e uma declaração tão contundente
não pode surgir assim, no calor da eleição, quando falta frieza para abordar o
assunto com racionalidade.
Puxão
de orelha aceito, aproveito esse meu cantinho aqui no projeto especial do MAGIA
nestas eleições para dizer que, sim, Póvoa, eu também sou a favor da Arena. Não
foi agora que a gente descobriu que ia ter Jogos Olímpicos no Rio e que as
instalações iriam ficar disponíveis. Até que me provem o contrário, o projeto é
viável, afinal acreditei nele esse tempo todo.
E
aproveito para me somar à crítica a esse nome horroroso. Arena só me remete à
coisas ruins: cristãos devorados por leões, sustentáculo da ditadura militar e
apelido do estádio da OAS em Porto Alegre, onde daqui a alguns dias o Flamengo
vai se reencontrar com a vitória, bem diante do meu nariz.
Que
venha o ginásio poliesportivo do Mengão! A gente merece.
MAGIA
NELES!

Walter
Monteiro

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