quarta-feira, setembro 23, 2020
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A festança com o dinheiro público começou.

Cosme
Rimoli – Pronto. Foi publicada no Diário Oficial da União. A populista manobra
da presidente Dilma Rousseff para agradar os irresponsáveis, incompetentes e,
até alguns, corruptos dirigentes de futebol deste Brasil. Ao contrário de
muitas empresas que fecham as portas e declaram falência nesta crise, dever
impostos e não pagar a Receita Federal por décadas nada significa aos clubes.

Conduzida
pela bancada da Bola, deputados, senadores, ministros, de todos os partidos,
convenceram Dilma. Além de parcelar a dívida de R$ 4 bilhões que os clubes
deviam ao governo, ela deveria fazer mais. Dar incríveis descontos que para
quem aderir à sua medida provisória. Além de 20 anos de parcelamento, a
revelação. Se os clubes tiverem a decência de pagarem em dia, a dívida cai para
R$ 1,7 bilhão. R$ 2,3 bilhões de desconto. É uma vergonhosa farra com o
dinheiro público.
Por
que tanto agrado? Entusiasmo de Dilma pela maneira com que Marco Polo del Nero
comanda a CBF? Pelas convocações de Dunga e Gilmar Rinaldi? A certeza da
honestidade com que os dirigentes conduzirão seus clubes?
Nada
disso. O índice de aprovação de Dilma Rousseff era de 8% em agosto. A tendência
é que tenha caído ainda mais. Deverá ser a presidente mais rejeitada da
história desse país. Conseguiu ganhar de Collor na época do impeachment. Seus
assessores estão desesperados por medidas populistas, que a façam ter a mínima
sustentação política para cumprir seu mandato. Sem que o fogo atinja seu
helicóptero por inteiro.
Oportunidade
para os aproveitadores de plantão. A bancada da Bola implorou pelo indecente
refinanciamento da dívida dos clubes com a União. Pena que Santa Casas,
hospitais e universidades não tenham representantes tão competentes. Dilma se
apressou em aceitar as sugestões. E ainda posou como moralizadora do futebol
nacional. Iludida, ingênua, alienada.
Releia
o trecho publicado no dia 6 de agosto.
“A
MP travou, de última hora, a liberação para a transparência. Dilma vetou a
emenda que possibilitaria os clubes de virarem empresas. E ter sua
administração revelada ponto a ponto a cada mês. Por quê? Porque ela a opção
seria voluntária. Se vários clubes seguissem por esse caminho, todos deveriam
seguir. Poderiam se tornar perigosamente competentes. E independentes. Não se
submetendo, portanto, à uma entidade sem função mais profunda do que organizar
tabelas de campeonatos e registrar jogadores. Uma tal de CBF.
A
desculpa é que taxa de impostos seria menor ao governo. Seriam reduzidas de 9%
para 5%. Pura balela. Os dirigentes querem seguir ‘administrando’ na escuridão.
O que é excelente para a CBF. Os dois lados se merecem.
O
veto é um acinte. Vergonha para quem jantou com a presidente e se sentia dono
da lei. Ingênuo de ocasião.
Além
disso, os clubes conseguiram o direito sagrado de ser deficitários. Um brinde à
incompetência, irresponsabilidade e corrupção das administrações. O projeto
inicial obrigava a responsabilidade administrativa. Ou seja, não poderiam ter
mais deficit financeiro até 2021.

que quatro anos e mais R$ 4 bilhões de dinheiro público não bastaram. Eles
conseguiram o direito de fechar seus balanços com 10% de dívida. A partir de
2019, continuarão podendo trabalhar no vermelho. Dever 5% até o fim dos tempos.
Foi a glória para quem não quer administrar com responsabilidade.
Além
disso, os clubes conseguiram. Estarão livres para gastar até 80% de seu
orçamento com o futebol. Sobrará apenas 20% para cuidar da administração. É
óbvio que está desproporciona. O futebol consumirá dinheiro demais. Ou seja, a
farra da irresponsabilidade está agora autorizada com a assinatura da
presidente.
Foram
36 artigos vetados. A vitórias foram pífias. E são comemoradas com entusiasmo
enganador.
A
principal, a eleição da CBF. Em vez de apenas as federações e clubes da Série A
ter direito a votos, os 20 equipes da Segunda Divisão, também poderão votar.
Piada.
Os
clubes da Série B são mais pobres, têm cotas de transmissão ridículas e são
ainda mais fáceis de manipulação. Ou não é dando dinheiro, legalmente em forma
de contribuições mensais, que a situação se mantém no poder na CBF? As equipes
da Série A não enfrentam o comando da CBF com medo de retaliações.”
Tudo
isso incomoda demais. Os clubes neste país aprenderam a ser irresponsáveis. O
governo já desviou parte da Loteria Esportiva, criou Timemania, fez de tudo
para ajudar dirigentes incompetentes, e algumas vezes, corruptos. Homens
vitoriosos nas suas carreiras, mas que se comportam como enlouquecidos com o
dinheiro do clube que presidem.
Vários
dirigentes estão disfarçando. Dizendo que vão pensar. Mas a esmagadora maioria
dos clubes vai aderir. Ninguém quer ficar de fora desta festança.
Para
revolta dos cidadãos de bem e empresários que pagam todos seus impostos e
dívidas com a Receita Federal, aqui estão os clubes e seus respectivos débitos.
Os que serão parcelados em vinte anos.
Flamengo,
R$ 265,9 milhões.
Atlético
Mineiro, R$ 175,8 milhões.
Vasco
da Gama, R$ 159,4 milhões.
Botafogo,
R$ 147,9 milhões.
Fluminense,
R$ 146,7 milhões.
Corinthians,
R$ 110,3 milhões.
Internacional,
R$ 94,4 milhões.
Bahia,
R$ 90,6 milhões.
Santos,
R$ 75,6 milhões.
Grêmio,
R$ 71,4 milhões.
Coritiba,
R$ 50,1 milhões.
Cruzeiro,
R$ 47,8 milhões.
Palmeiras,
R$ 47,5 milhões.
São
Paulo, R$ 44,2 milhões.
Goiás,
R$ 20,2 milhões.
Sport,
R$ 19,7 milhões.
Figueirense,
R$ 12 milhões.
Vitória,
R$ 11 milhões.
Avaí,
R$ 9,4 milhões.
Atlético
Paranaense, R$ 730 mil.
Os
clubes que já jogam confetes e serpentinas com a mamata são: Atlético Mineiro,
Grêmio, São Paulo, Santos e Flamengo.
Os
que fazem charme. Corinthians, Fluminense, Palmeiras, Internacional, Botafogo,
Cruzeiro, Vasco, Vitória e Bahia.
O
Atlético Paranaense de Mauro Celso Petraglia, não quer ninguém mexendo nos seus
estatutos, não vai aderir.
Até
novembro, as confirmações deverão chegar ao Planalto.
Aviso!!!
Não adianta, se você for dono de um hospital, de uma universidade, de um
laboratório médico, de um asilo, de um pronto socorro, de uma instituição de
caridade. Não adianta mandar seu pedido de parcelamento de dívidas com o
governo. Ou pedido de desconto. Se não pagar, seu estabelecimento será fechado.
E você será processado, podendo ser até preso…

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