terça-feira, setembro 22, 2020
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A interminável sabotagem do Brasileirão pela CBF.

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

LANCE:
O principal produto do futebol brasileiro é o Campeonato Brasileiro. Todo mundo
que acompanha futebol há de concordar com isso, certo? Errado. A julgar pelo
descaso com que trata o nosso Brasileirão, para a CBF tanto faz como tanto fez
se o público vai gostar, se os clubes vão ter lucro, se o calendário vai
permitir que a competitividade e qualidade das equipes sejam mantidas.

O
Brasileirão, definitivamente, está longe de ser prioridade para a turma do Del
Nero.
A
última dessa gente acontece hoje à noite: como explicar que clássicos como
Santos e Corinthians ou Sport e Santa Cruz – uma atração a parte, já que desde
2001 os dois grandes de Pernambuco não se cruzam na série A – sejam marcados
para uma quarta-feira? É óbvio que em uma rodada de fim de semana, o potencial
de público e a promoção das partidas pela mídia seriam muito mais poderosos.
Mas,
não se iludam, é só mais um capítulo das maldades. Já, já, vem mais coisa por
aí. Afinal, a sabotagem não começou hoje.
Enquanto
na Argentina, no Chile, no Uruguai e no México, nossos principais rivais, os
campeonatos nacionais estão parados para a realização da Copa América
Centenário – são países que seguem o calendário internacional do futebol, é bom
lembrar – aqui o Brasileirão segue a pleno vapor, como se nada estivesse acontecendo
de diferente.
Mais
do que isso, nem a Olimpíada sendo no Brasil foi motivo para que a CBF se
dispusesse a suspender a disputa. Um atentado, inclusive, contra os
patrocinadores – que verão suas marcas tendo de dividir espaço com a massiva
cobertura da Rio 2016, certamente renegadas a um segundo plano.
O
resultado todos sabemos: mais da metade dos clubes que disputam a Série A vem
sofrendo com os desfalques provocados pelas convocações, seja para a Seleção
Brasileira principal, para outras seleções latinas que estarão na Copa América
ou para o time que vai disputar a medalha de ouro olímpica. Não há planejamento
que resista a um ataque como esse.
Nem
planejamento, nem o interesse dos patrocinadores ou do torcedor.
Ou os
clubes entendem, isso, se unem e formam uma liga, assumindo seus próprios
destinos, ou o que vai restar, como agora, é o choro do leite derramado.
*Luiz
Fernando Gomes é editor-chefe do LANCE!

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