quinta-feira, outubro 1, 2020
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A saga da torcida para acompanhar o Flamengo fora do Maracanã.

Foto: Arquivo Pessoal

GLOBO
ESPORTE
: Foram mais de 10 meses sem poder contar com o Maracanã. E não foram
apenas os jogadores que sentiram falta do estádio. A poucos dias do ”retorno
para casa”, quem comemora ainda mais, sem dúvidas, é aquele torcedor fanático
do Flamengo. Foram eles que gastaram além do orçamento, abriram mão de descanso
e tempo com a família e quase não pararam no Rio de Janeiro. Antes do jogo entre
Flamengo e Corinthians, no próximo domingo, o GloboEsporte.com ouviu algumas
histórias de quem teve que se desdobrar para apoiar o atual vice-líder do
Brasileirão.

PREJUÍZO GRANDE E QUASE ”DEU RUIM” EM
CASA
Gabriel
Reis está acostumado a acompanhar o Flamengo. É como se seu orçamento já
contasse com os gastos para poder ver a equipe atuar temporada após temporada.
O ano de 2016, por pouco, não estourou seu limite. Para continuar seguindo o
time, teve que usar aquelas milhagens extras de companhias aéreas. Nos últimos
10 meses, esteve em oito jogos do Flamengo como mandante, visitando Pacaembu,
Cariacica e Mané Garrincha. Somando os jogos como visitante, estima que esteve
mais de 300 horas longe de casa por causa do time do coração. A família
precisou ser bem paciente.

Gastei umas 80 mil milhas. Uns R$ 3 mil de hotéis quando só arrumo passagem
para o dia seguinte. Muita gasolina para Cariacica e São Paulo, mais pedágio. O
prejuízo é grande, mas eu me divirto. O problema é que perdemos compromissos
importantes, e o relacionamento pode ter problemas. Tive o batizado de um
sobrinho da minha mulher que eu esqueci e comprei passagem com as milhas,
ingresso e hotel. Quando lembrei, era no dia do Flamengo x Cruzeiro que o
Flamengo virou. Já viu, né? Quase deu ruim – contou.
PELO MENOS 70 DIAS FORA DE CASA
Julio
Veloso, de 35 anos, foi além. Viajou 55 vezes para ver o Flamengo nesta
temporada.  Sendo que em 28 ocasiões o
Rubro-Negro era mandante do jogo. Ou seja, viagens forçadas por conta da
ausência do Maracanã. O ano fora do padrão aumentou seus gastos e virou de
ponta cabeça sua rotina pessoal. A volta do Maracanã foi muito celebrada,
especialmente, por sua filha de 11 anos, que enfim poderá ter um fim de semana
completo com o pai. Ele estima que tenha gasto cerca de R$ 15 mil e que ficou
pelo menos 70 dias fora de casa – muitos deles viajando de ônibus.
– Já é
um pouco complicado conciliar a vida pessoal com o Flamengo. Especialmente
quando ele joga e fora. Quando joga ‘’em casa fora’’, como a gente costuma
falar, fica especialmente complicado. Financeiramente, foi um ano muito pesado
para mim. Abri mão de diversas outras atividades, viagens particulares e tudo
mais, para manter minha rotina de ir a todos os jogos (…) Acredito que esse
ano tenha passado de 15 mil reais de custos com o Flamengo – conta.
16 DIAS APENAS DE DESLOCAMENTO
O
estudante de direito Filipe Azeredo Ribeiro, de 23 anos, tem dificuldades para
contar o número de horas que viajou para ver o Flamengo. Foram 26 jogos –
contando somente aqueles como mandante pelo Carioca, Copa do Brasil, Primeira
Liga, Sul-Americana e Brasileiro. Se somar os jogos que também foi como
visitante, o número salta para 49. Chegou a pegar 38 horas de estrada até
Brasília em uma das ocasiões.
– A
ausência do Maracanã trouxe problemas. Tive que cortar despesas para poder
acompanhar o Flamengo, além de ter gasto bastante tempo em aeroportos e na
estrada. Desde o início do ano, principalmente com o início do Campeonato
Brasileiro, não passei quase nenhum final de semana no Rio. (…) Cada jogo com
mando nosso fora de casa significava pelo menos um dia inteiro gasto com
deslocamento. Por alto, gastei uns 16 dias em viagem até o local da partida,
sem contar os jogos em que eu viajei em que éramos visitantes. Não cheguei a
contabilizar quanto gastei, mas acredito que algo em torno de R$ 6 mil. A família
não gostou muito das minhas viagens (risos). Mas a paixão por um clube é
indescritível e nos faz cometer essas loucuras 
– relatou.
GASTOU 5X MAIS DO QUE EM ”ANO NORMAL”
Claudio
Miranda Portela também entra na roda. Somou 20 jogos fora do Rio de Janeiro
neste ano. Em dez deles, o Flamengo era mandante. Morador de Rio Bonito,
interior do estado, ele estava acostumado a fazer uma certa viagem ao .
Maracanã, mas nada como 2016. Mesmo diante de crítica dos familiares, gastou
cinco vezes a mais do que em um ano ‘’normal’’.

Acredito que com alimentação, passagens e etc, foram cerca de R$ 10 mil. Abri
mão de vários eventos familiares, aniversário de avó, tudo para ir atrás do
Flamengo. A família não gostava muito não. Foi bem diferente ter que viajar
muito, ficava sempre com medo dos familiares criticando. Eu só respondia que
era por amor ao Flamengo. Gastei cinco vezes mais do que em um ano normal com
Maracanã – contou o administrador de empresas, de 29 anos.

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