sábado, setembro 19, 2020
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“A torcida do Flamengo me ajudou muito”, diz Leandro Ávila.

Foto: Divulgação

PAPO
COM BOLEIRO
BIOGRAFIA DO EX BOLEIRO

Leandro
Coronas Ávila, mais conhecido como Leandro Ávila nascido em Porto Alegre – RS,
e hoje vive na cidade Maravilhosa.
Revelado
pelo Vasco, em 1991, conquistou o tricampeonato estadual de 1992, 1993 E 1994.
Em 1995, foi para rival Botafogo, sendo destaque na campanha do título do
brasileirão daquele ano. Também conquistou o tricampeão carioca pelo Flamengo.
Quem é o ex-boleiro Leandro Ávila?
Sou um
homem simples, dedico o meu tempo livre para ficar com a minha família, vim de
Porto Alegre com 16 anos, quando comecei a minha carreira no Vasco aos 16 anos,
tenho dois filhos e sou apaixonado pelo Rio de Janeiro.
O EX-BOLEIRO LEANDRO ÁVILA FALA SOBRE A
SUA CARREIRA
O Vasco em 1991 revela para o futebol
mundial um dos volantes mais técnicos do futebol brasileiro. Você conquistou o
tricampeonato carioca pela equipe vascaína nos anos de 92, 93 e 94. Como foi
essa emoção?
Para
mim foi maravilhoso… No começo da minha carreira e logo conquistar estes
títulos pelo Vasco da Gama foi demais (risos)… Esses acontecimentos me deram
mais estabilidade na carreira, com mais experiência e fortalecendo a parte
emocional. Havíamos sido campeões da copa RioSão Paulo, e ainda haviam subido
alguns jogadores para o profissional, eu na época havia sido emprestado para o
Americano de Campos, porque existia muita gente de qualidade no meio campo, mas
o professor Nelsinho solicitou o meu retorno e fomos campeões inéditos e
invictos.
Como foi a sua saída do Vasco em 1995,
indo atuar pelo Botafogo?
A
minha saída do Vasco foi devido a uma desavença entre eu e o “Dr. Eurico”, nós
não entramos em um acordo para a renovação de contrato. Na época o “Dr. Eurico”
não aceitava o meu empresário e exigiu que eu trocasse de empresário para
conversar com ele (Eurico). Mas, o meu empresário era o mesmo que havia me
trazido do Sul para o Vasco, por isso, não fechamos o acordo… Ainda fiquei
alguns meses parado, na época ainda não existia a Lei Pelé, eu ainda era
funcionário do Vasco… Surgiu a proposta de ir para o Botafogo por empréstimo…
Graças a Deus deu tudo certo e ainda fui contemplado com o título brasileiro.
No Botafogo em 1995, você participa da
maior conquista do clube alvinegro, o Campeonato Brasileiro. Em sua opinião,
como foi essa conquista?
Na
época ninguém esperava conquistar o brasileirão, nem mesmo o próprio presidente
(risos). O Montenegro queria montar um bom time, como montou, mas todos assim
como eu, foram chegando aos pouquinhos… Eu havia chegado já na terceira rodada…
Vieram Donizete e Gonçalves que não conhecíamos muito estes jogadores, tínhamos
o Beto, começando a carreira, as experiências do Gotardo e o Túlio, o time deu
liga com o Autuori (treinador) vindo de Portugal, ninguém o conhecia… Todos nós
entendíamos o que ele pedia fora de campo… Não tínhamos apenas 11 jogadores em
campo, tínhamos 21… Quando haviam mudanças no time, mantínhamos a mesma pegada…
Foi na metade do campeonato em diante, nós percebemos que podíamos ganhar o
título.
Na temporada seguinte Leandro, você chega
ao Palmeiras, mas com uma passagem bem rápida pelo time alviverde paulista.
Você acredita ter sido frustrante a sua passagem pelo Palmeiras?
Na
época eu tive uma pubalgia muito séria. Eu já havia tido esse mesmo problema no
Vasco em 1991, que curei através de radioterapia (algo muito difícil), e eu
sabia que um dia este problema poderia voltar e acabou voltando justamente
atuando pelo Palmeiras… Prejudicou-me muito, até mesmo na seleção brasileira…
Eu não conseguia jogar por causa das dores, foi quando veio o convite para
voltar ao Rio de Janeiro e jogar pelo Fluminense.
Em 1997, você chega ao tricolor carioca.
Mas o momento do Fluminense não era nada bom. O tricolor havia permanecido na
série A através de uma “virada de mesa”, como foi a sua passagem pelo
Fluminense?
Eu
tive um prazer imenso de jogar pelo Fluminense… Uma camisa que eu queria vestir
naquela época, mas nesse período deu tudo errado (risos)… Ficamos seis meses
sem receber salários. Eu nunca havia passado por isso, na época estava na moda
os clubes atrasarem os salários, mas seis meses, não tinha como! Alguns jogadores
já não conseguiam mais focar dentro de campo devido aos problemas particulares
pela falta de pagamento… O time era bom, mas o patrocínio na época não era a
Unimed.
No ano seguinte Leandro, você é contratado
pelo Flamengo. Vira ídolo da nação rubro-negra e vira o Leandro Ávila (ganhou
um sobrenome), devido ao seu xará. Conquista o tricampeonato carioca em 99,
2000 e 2001 e uma Mercosul em 1999. Na sua concepção, você imaginaria virar
ídolo do Flamengo?
A
torcida do Flamengo me ajudou muito… Eu já havia jogado pelos três grandes
clubes do RJ, e não sabia como eu seria aceito por todos… Com o passar do
tempo, eu já me sentia em casa (risos)… Apesar de intensificar os treinos, eu
tive um problema no joelho e tive que operar. Após a cirurgia, tive uma
infecção hospitalar no Barra D´or. Atrasando a minha recuperação, o que era
para ter sido um mês, duraram nove meses de recuperação… Só retornei porque o
técnico Carlinhos me colocou para jogar a final contra o Vasco. Entrei com
receio, mas aceitei o desafio de jogar e marcar o Edmundo (risos).
Logo após todas essas conquistas e você
ter virado ídolo rubro-negro, vem à transferência para o Botafogo em 2001. Por
que o retorno ao Botafogo?
Dessa
vez, eu não queria voltar para o Botafogo, eu estava bem no Flamengo. Sem
nenhuma lesão, e conseguindo ter uma boa sequência de jogos. Mas, veio o pedido
de um desembargador ligado ao Botafogo, direto para o presidente do Flamengo
Edmundo Santos Silva. O presidente na época havia me dito que ele (presidente),
não poderia negar este pedido… Mas, fui apenas para disputar o campeonato
brasileiro pelo Botafogo depois regressei ao Flamengo.
Em 2002, o Flamengo disputaria a
Libertadores. O Flamengo sinaliza querer contar com a sua presença no elenco.
Como foi a sua volta ao rubro negro da Gávea?
Para
mim foi tudo normal, eu havia cumprido o combinado. Mas, o Flamengo vivia numa
crise financeira muito grande e fiquei cinco meses sem receber salários… Alguns
jogadores já estavam insatisfeitos… O time em si, não estava bem na
Libertadores, foi quando surgiu a proposta para jogar no Internacional… Como o
Flamengo estava disposto a reduzir a folha salarial para economizar, concluímos
a transferência.
No mesmo ano, você se transfere para o
Internacional e conquista o campeonato gaúcho. Como foi a sua passagem pelo
Inter de Porto Alegre?
Cheguei
ao Internacional como titular… Conquistamos o título de campeão gaúcho, mas, em
decorrência a cirurgia no joelho lá no passado, eu tive outra contusão mais
séria ainda… No Flamengo, eu conseguia controlar através da quantidade de
treinos diários (uma vez por dia). Mas, no Inter, com a chegada do treinador
Guto Ferreira, resolveu intensificar os treinos (dois por dia), e não deu
outra, a lesão voltou.
Seleção brasileira, como foi para você?
Tive
uma passagem bem rápida pela seleção, porém, muito boa… Na época fui convocado
para alguns amistosos, fui para a Copa América de 1995… Perdi um pouco de
espaço junto com o goleiro Carlos Germano, pois, o Vasco não havia nos liberado
para a seleção, sem contar que na minha posição tinham o Dunga e o Mauro Silva…
Infelizmente durante a Copa América, torci o tornozelo… Mas quando Zagalo
assumiu a seleção, tive outras ótimas oportunidades.
Assim como a grande maioria dos boleiros,
você vai atuar no futebol do Mundo Árabe. Como foi para você, essa passagem
pelo futebol árabe?
É um
dos países mais complicados de se jogar futebol devido aos seus costumes
(risos)… Não pude levar a minha família, porque eu fui para ficar apenas entre
três a quatro meses, foi apenas até o fim do campeonato local… Já nessa época
eu estava com 33 anos, e as dores aumentavam a cada dia… Chegou um outro
treinador que não gostava de escalar jogadores estrangeiros (principalmente os
brasileiros), me deixava de fora junto com o Somália, escalando sempre os
atletas árabes… Para mim foi uma experiência além de nova na época, muito boa,
mas só apenas em termos de aprendizado… Depois voltei para o Brasil já com a
intenção de encerrar a carreira.
O EX BOLEIRO FALA SOBRE AS CURIOSIDADES DA
SUA CARREIRA DE JOGADOR
Como foi o encerramento da sua carreira?
Graças
a Deus para mim foi muito tranquilo, porque com o passar do tempo, eu já vinha
preparando a minha família para isso… Devido as lesões seguidas. Desde a
cirurgia no joelho, ainda jogando pelo Flamengo, eu já vinha sentindo muitas
dores… Eu já estava sem cartilagem no joelho… Me cuidei bastante durante a
carreira, mas devido as lesões não conseguia mais continuar jogando.
Qual foi o título mais importante que você
conquistou?
Foram
alguns títulos importantes por clubes diferentes… O tricampeonato carioca pelo
Vasco, o campeonato brasileiro de 1995 pelo Botafogo e o tricampeonato carioca
pelo Flamengo. Esses foram os principais títulos que eu conquistei.
Qual foi o seu jogo emblemático?
No
Flamengo… Foi o meu retorno logo após ter ficado nove meses parado… Foi na
decisão contra o Vasco no estadual de 1999… Aquele jogo era uma incógnita. Se
eu sentisse a lesão, poderia ter até encerrado a carreira naquele momento…
Chorei muito mais com o fim do jogo, do que com a conquista em si, pelo simples
fato de ter conseguido concluir a partida.
Dentro da sua carreira de jogador, você se
espelhou em algum jogador? E na carreira de treinador, existe algum treinador
que te inspira?
Como
jogador eu sempre me espelhei no Zico (como um atleta). O Falcão também causava
certa admiração… Como treinador, procurei sempre aprender com quem trabalhei.
Zagalo, Luxemburgo (que tem uma palestra motivacional fenomenal), Paulo Autuori
e Abelão (Abel Braga).
Você teve alguma frustração dentro da sua
carreira de jogador?
Não
tive frustração alguma… Agradeço a Deus pela carreira que tive… Foi tudo muito
difícil, desde o mirim até o profissional… Se manter em alto nível jogando na
primeira divisão você tem que estar sempre 90% a 100%… Agradeço aos jogadores
que estiveram ao meu lado e a todos os torcedores que me apoiaram.
Existiu algum fato inusitado na sua
carreira que até hoje não sai da sua memória?
Quando
fomos campeões da Taça Rio de juniores, fui promovido para o profissional… Logo
em seguida, fui emprestado para o Americano de Campos, não foi uma experiência
muito boa… O clube não pagava salários, não fiquei bem alojado, eu não me
sentia bem no clube… Apesar de ainda ter contrato com o clube, falei com a
minha esposa (na época era namorada), peguei as minhas coisas e fui parar no
Vasco… O Dr. Eurico Miranda quando me viu, se espantou e me perguntou: O que
você está fazendo aqui garoto? – e eu lhe respondi dizendo que não mais queria
permanecer no Americano devido às péssimas condições (risos)… O Dr. Eurico
tinha uma grande amizade com o Caixa D’água (presidente do Americano) e
conseguiu a minha rescisão de contrato… Acabei ficando no Vasco, treinando com
os outros jogadores e de repente aparece-me uma oportunidade de jogar na
lateral-direita, aceito e faço dois gols (risos)… Fiquei sendo observado e logo
depois efetivado ao grupo principal pelo técnico Nelsinho (treinador na época).
AGORA, O EX BOLEIRO VIROU TREINADOR!
Como começou a sua carreira de treinador?
E como está hoje?
Comecei
trabalhando como auxiliar técnico do Edinho no Brasiliense, trabalhei no Sport
Recife e no Atlético-PR… Em 2007, recebi o convite para assumir o CFZ, aproveitei
esse momento para adquirir mais experiências… Depois fiz alguns cursos enquanto
não atuava… Fui para Portugal treinar uma equipe da série B em 2010. Fiquei
entre três e quatro meses, porque faltava o curso específico do cargo,
inclusive eu nem podia assinar a súmula… Regressei ao Brasil, fiz o curso da
CBF… Atuei como auxiliar técnico do Atlético-PR… Por enquanto estou analisando
algumas propostas.
Como foi a sua estreia como treinador de
uma equipe da série A, diante do Corinthians e ainda mais em SP?
Deu
tudo certo (risos)… Eu tinha uma relação muito boa com os atletas, eu fazia
aquela ligação entre os atletas e a diretoria… Então quando assumi o comando do
Atlético-PR, não havia muito o que fazer, somente muita conversa… Fomos para
São Paulo na intenção de ganhar o jogo, mas logo levamos um gol no começo do
jogo.
Qual é o seu estilo como treinador?
Eu
tenho um meio termo… Cobro bastante disciplina, mas sempre conversando…
Mostrando e fazendo com que o atleta tenha o respeito pelo treinador… Sou muito
adepto da conversa… Rispidez só se houver algum caso de indisciplina.
Para o treinador Leandro Ávila, existe um
esquema tático favorito, depende da equipe treinada ou depende do adversário?
Depende
da equipe que vamos treinar, você tem que analisar o que o clube e os atletas
têm para oferecer.
Qual é o seu objetivo como treinador?
Meu
objetivo é ter uma oportunidade para trabalhar em um clube que ofereça uma boa
estrutura de trabalho, o tamanho do clube não importa, o importante é existir
um planejamento, basta isso para ser feito um bom trabalho… Porque futebol no
Brasil se vive com os resultados alcançados.
O EX BOLEIRO FALA SOBRE FAMÍLIA
Leandro Ávila, o que é a figura da família
para você?
É o
meu porto seguro… Onde eu compartilho os meus momentos de felicidades… Com a
minha família por perto, as coisas ficam bem mais fáceis de serem resolvidas…
Não só a família, mas, também os amigos são fundamentais… A minha família me
ajudou muito nos momentos das contusões… Minha família é o meu tesouro.
LANÇAMOS AGORA A PERGUNTA BOMBA
O que falar sobre o atual momento da nossa
seleção brasileira? E sobre a classificação para a Copa do Mundo da Rússia?
A
seleção começa bem, mas quando a coisa é pra valer, parece que os jogadores
sentem a pressão… Qualidade a nossa seleção tem, os melhores jogadores estão
sendo convocados. Acho que o problema é num todo… As categorias de base.
Introduzir um esquema tático para os jogadores da base para quando chegarem ao
profissional, não terem dificuldades, mas o futebol brasileiro não vive um bom
momento. Tenho certeza da nossa classificação para a Copa do Mundo, ainda mais
com a chegada do técnico Tite. Esse sim, terá condições de mudar a “cara” da
nossa seleção.
DEIXE PARA OS NOSSOS LEITORES AS SUAS
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Agradeço
muito a participação na coluna Papo com Boleiro, o trabalho da coluna está de
parabéns… A ideia de resgatar a memória do boleiro de antigamente e trazer para
os torcedores atuais, é algo maravilhoso… Espero ter contribuído para o
crescimento de alguma forma desta coluna que trás a opinião do antigo boleiro
para o futebol de hoje em dia, parabéns pelo belo trabalho, muito obrigado pelo
convite e sou feliz de ter batido este papo com você.
Por:
Luiz Otávio Oliveira

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