sexta-feira, setembro 18, 2020
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A velha opinião formada sobre tudo.

República
Paz e Amor – Eu prefiro ser um torcedor de futebol comum, desses que endeusam
no domingo e xingam na quarta-feira, do que ter aquela velha opinião formada
sobre tudo e tentar prover minhas participações aqui no RP&A de uma
coerência que não cultivo e o Flamengo não me permite.
Um
dos títulos que pensei para esse post foi “Uma vela para Deus, outra para o
Diabo”, mas como estaria invadindo os domínios do presidente da Confraria
Rubro-Negra do Urublog na República Paz & Amor, o grande Lúcifer, pipoquei.
Mas segui na intenção de escrever o texto com uma esperança aqui, uma crítica
ali, um pouco de sim, outro pouco de não.
Em
alguns posts defendi apoio e paciência com Cristóvão. Eu achava que treinador
algum seria capaz de resolver a curto prazo os problemas do time, a ponto de
transformar rapidamente em campo fértil a terra arrasada deixada de herança por
Vanderlei Luxemburgo.
Todavia,
no post “Técnico do Flamengo para colorir” joguei a toalha e utilizei
seguidamente palavras e expressões como “desisto”, “a paciência acabou”,
“cansei”, para não deixar dúvidas de que aquilo representava uma mudança de
opinião, e não uma convicção que me acompanhava desde a chegada do treinador.
Que fique bem claro: tal transformação não veio por derrotas ou empates, mas
pela teimosa insistência no que – todos viam – não vinha dando certo.
No futebol,
como na vida, nada como um dia após o outro. E a partir da última quarta-feira,
na vitória sobre o Atlético Paranaense, recolhi a toalha que havia jogado ao
chão e mudei outra vez. Cristóvão deu provas de ter ouvido o clamor magnético,
o que ele confirmou com a escalação e as substituições na derrota de ontem para
o Palmeiras e reafirmou na entrevista após o jogo, ao declarar que a tendência
é montar o time juntando Alan Patrick, Ederson, Emerson, Guerrero e Everton, só
que para isso é preciso, primeiro, alcançar o necessário equilíbrio. Perfeito.
Eu
gosto de ver o Flamengo jogar futebol. Podemos ganhar ou perder, contar com uma
dose a mais de sorte ou de azar, ser beneficiados ou prejudicados pela
arbitragem (ultimamente, tá osso, e o comentarista do PFC, Maurício Noriega,
ganhou o prêmio máximo de originalidade ao tentar explicar, sem convencer
ninguém, por que não houvera pênalti de Fernando Prass em Guerrero). Seja como
for, é nossa obrigação histórica entrar em campo e jogar bola. Não há nada que
seja menos Flamengo do que as atuações que tivemos contra Avaí, Vasco,
Corinthians e Atlético Mineiro, além do desastroso segundo tempo contra o
Figueirense. A derrota de ontem se encaixa em outro padrão. Perdemos jogando.
Embora
o campeonato apresente variações radicais e até o tão elogiado Atlético Mineiro
esteja passando por uma delas, com somente um ponto ganho nas três últimas
rodadas, ficarei encantadamente surpreso se conseguirmos brigar pelo tal G4.
(Que, já escrevi algumas vezes aqui, não faz minha cabeça. Aceito como
consequência, jamais como objetivo.) A partir dessa constatação, passo a olhar
para o time com os olhos no futuro – e vejo luz.
Estamos
apenas quatro pontos à frente do décimo-sétimo colocado, mas para quem faz o
que fizemos no primeiro tempo contra o Santos, em toda a partida com o Atlético
Paranaense e em vários momentos do jogo com o Palmeiras, conviver com a ameaça
de rebaixamento será uma zebra sem tamanho. Não vai acontecer. Tratemos,
portanto, de acertar o time, o que pode nos trazer como efeito colateral um bom
aumento de nossas chances na Copa do Brasil. A grande diferença é que, ao que
tudo indica, nosso técnico agora parece disposto a escrever certo por linhas
certas.
Quando
Cristóvão chegou, achei um bom nome dentro das opções disponíveis e apoiei.
Quando Cristóvão se mostrou turrão e cheio de invencionices improdutivas,
parei. Porém, independentemente da vitória sobre o Atlético Paranaense ou da
derrota para o Palmeiras, ganhamos e perdemos jogando o jogo, e me parece justo
que Cristóvão recupere o crédito que havia desperdiçado.
Ao
contrário do que muitos de nós pensávamos, o problema da zaga do Flamengo não é
o Wallace. Da mesma forma que não é o Marcelo, o César Martins ou o Samir. O
problema da zaga do Flamengo é a zaga do Flamengo e, se é impossível resolvê-lo
com os zagueiros de que dispomos, é obrigação de Cristóvão treiná-los
exaustivamente até minimizar os riscos. Já dizia João Saldanha: sistema
defensivo nada mais é do que organização, e quem tem que organizar é o técnico.
Nossa zaga subverte duas verdades do futebol. Primeira: todo jogo começa zero a
zero. No nosso caso, já começamos perdendo, porque não há partida em que não
levamos gol. Segunda: sempre que há perigo contra o nosso gol, empurrar a bola
para escanteio é uma forma aceitável de afastá-lo. No nosso caso, escanteio é
pior que pênalti. Convém não esquecer que, no título de 2009, apesar do show de
bola de Pet e Adriano, nosso time só engrenou quando Álvaro e Maldonado
arrumaram a casa lá atrás.
Por
fim, para encerrar o post e continuar meus dias de folga, uma recordação
familiar. Um dos grandes prazeres do meu pai era ver a família reunida nos
almoços de sábados e domingos. Morávamos na Lauro Muller, rua com um delicioso
jeito de subúrbio encravada na Zona Sul do Rio de Janeiro e situada entre duas
praias – a Praia Vermelha e a Praia do Leme. Sempre que o sábado ou o domingo
amanhecia ensolarado, meu pai ia à janela para caçar duas ou três nuvens no
céu, o que era suficiente pra ele tentar derrubar nossas intenções praieiras e
garantir a presença dos filhos à mesa do almoço. A frase, em tom de desdém, não
variava: “Isso é praia pra paulista. Carioca não vai à praia com esse tempo.”
Não é difícil imaginar que, ao ver dois grandes times do futebol brasileiro se
enfrentando debaixo de sol, das 11 às 13 horas – horário não recomendado, por
qualquer pessoa de bom senso, para a prática esportiva –, meu pai diria que
“isso é horário de futebol pra paulista”. Até Marcelo Oliveira, técnico
vitorioso na partida de ontem, reclamou do desgaste e do sacrifício, mesmo
tendo sido essa a terceira partida do Palmeiras às 11 da manhã no Brasileirão.
Dizer que perdemos por causa do horário seria, sem trocadilho, tapar o sol com
a peneira, mas não há estádio cheio que justifique a ideia de jerico.
PS:
Quero agradecer a participação de todos na caixa de comentários do post
anterior, mesmo sabendo que eu não poderia responder. Também não conseguirei
responder os comentários que forem feitos aqui, mas reitero o pedido pra vocês
não deixarem a peteca cair. Semana que vem estarei de volta, em ritmo normal.
JORGE
MURTINHO

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