terça-feira, setembro 29, 2020
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Abad diz confiar em Bandeira, mas não no futuro do Flamengo.

Foto: Hector Werlang

SPORTV:
Contra uma nova licitação do Maracanã, o presidente Pedro Abad, do Fluminense,
defendeu que a administração do estádio não fique nas mãos de um clube de
futebol. Em entrevista ao “Seleção SporTV”, o dirigente elogiou
Eduardo Bandeira de Mello, mandatário do Flamengo, mas lembrou que ao longo da
concessão do equipamento esportivo existirá a troca de dirigentes, que podem
não ter a posição dos atuais, o que poderia atrapalhar a utilização por parte
das outras equipes da cidade.

Por
entender que o Maracanã é um patrimônio do Rio de Janeiro, o dirigente tricolor
acredita que a administração do estádio deve ficar com uma empresa que não tem
nenhum tipo de paixão envolvida. Abad lembrou que a história do Estádio
Jornalista Mário Filho foi construída não só por Fluminense e Flamengo, mas por
Vasco e Botafogo também.
– O
presidente Bandeira é uma pessoa muito séria. A gente confia nele e sabe que é
uma pessoa do bem. Mas diretorias podem chegar e sair. Nós já tivemos diversos
exemplos nos clubes do Rio de administrações ruins, de administrações
retrógradas. Por isso, a gente defende esse modelo. Um clube comandando um
equipamento desse porte, com essa história toda construída não só por Flamengo
e Fluminense, como também por Vasco e Botafogo, e administrado por um clube não
agrada. Assim como se também fosse pelo Fluminense. A questão não é Flamengo ou
Fluminense, a questão é que algumas administrações podem ser ruins e causar
problemas para os demais clubes jogarem no período da concessão. Ninguém pode
garantir que a seriedade do Flamengo vai se repetir, assim como a do
Fluminense, Vasco e Botafogo. Esse é o principal motivo para a gente não defender
um modelo de administração com um clube como proveitoso para o futebol do Rio
de Janeiro.
Pedro
Abad revelou que houve tratativas com o Rubro-Negro e um protocolo de intenções
chegou a ser assinado, mantendo características do compromisso do Tricolor com
o consórcio que ainda administra o Maracanã. O presidente do Fluminense, porém,
garantiu que a conversa não foi definitiva.
– No
ano passado, tivemos algumas tratativas no sentido de estabelecer algumas
formas de relacionamento. A gente chegou a assinar um protocolo de intenções.
Estava de bom tamanho o que foi assinado, um modelo parecido com o que tem
hoje, com algumas adaptações. Isso fez parte de um pré-acordo que a gente
tinha. Mas não houve uma conversa concreta com o Flamengo porque ainda não
temos os dados para colocar na mesa. Mas volto a dizer que recusar a conversar
com o Flamengo é algo impensável para mim.
A
Odebrecht, vencedora da licitação em 2013, acertou o repasse da concessão à
Lagardère, mas o governador Luiz Fernando Pezão avalia a abertura de novo
processo licitatório, fato defendido pelo Flamengo. O Fluminense, porém, ainda
não trabalha com essa possibilidade de uma nova licitação. O clube das Laranjeiras
tem contrato firmado com o atual administrador do estádio. Em 2016, mudou pela
última vez as regras para realizar os seus jogos. O quarto aditivo do acordo
entre as partes aumentou os custos com a operação da partida e determinou o
pagamento de um pequeno aluguel. Em contrapartida, deu ao clube toda a renda da
bilheteria e 25% do valor arrecadado nos bares.
– O
Fluminense não está trabalhando nisso. O Fluminense acredita, por diversos
motivos, que a concessão deveria ficar mesmo como está hoje. E no momento a
gente não trabalho com esse cenário (…). Isso tudo é uma negociação. Não
adianta bater o pé e dizer que o Fluminense não abre mão de tudo o que ele tem.
Isso não faz sentido. O contrato do Fluminense sequer pode ser dito que é
desvantajoso para quem opera o equipamento. Depende muito. Se o Fluminense
começa a colocar muita gente no estádio em todos os jogos, ele é extremamente
desvantajoso para o Fluminense. É um contrato que foi feito em uma época dentro
de uma lógica de proteção em cima de custos. Da mesma forma que o contrato que
o Flamengo fez é protetor quando se fala em receita. Foi a estratégia de cada
clube na época. Eventuais alterações podem ser feitas no momento de conversas
com o parceiro, entre o Fluminense e a empresa que administra. O Fluminense não
se nega a sentar e conversar com ninguém sobre qualquer tipo de cláusula contratual.
Pedro
Abad reforçou que o Fluminense deseja construir um estádio próprio e já faz
movimentos para isso. O dirigente, porém, afirmou que o tamanho da arena terá
relação com o futuro administrativo do Maracanã e do desejo de mandar partidas
no local.
– Sem
dúvida nenhuma é uma intenção do Fluminense ter um estádio próprio. A gente já
está fazendo movimentações nesse sentido. O tamanho do estádio, nesse caso eu
concordo com o presidente Bandeira, depende muito do que acontece com o
Maracanã. Pode ser um pouco maior caso o Fluminense não tenha o interesse em
jogar tantos jogos no Maracanã, ou menor caso ele decida jogar tantos jogos no
Maracanã. Mas é um objetivo que nós estamos buscando.

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