segunda-feira, setembro 28, 2020
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Abad reforça desejo de não ver Flamengo administrando Maracanã.

Eduardo Bandeira, Presidente do Flamengo, Fred Luz e Pedro Abad, do Fluminense – Foto: Raphael Zarko

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Fluminense
e Flamengo já estiveram lado a lado na tentativa de compra da concessão do
Maracanã junto a duas empresas, com a holandesa Amsterdam Arenas e a francesa
GL Events. Com a desistência de tais parceiros, cada vez mais tricolores e
rubro-negros caminham em direções diferentes quando o assunto é o futuro do
estádio.
O blog
conversou com Pedro Abad, presidente do Fluminense, sobre o tema. Ele fala
sobre o contrato em vigor que os tricolores mantêm com o que restou do
consórcio vencedor de 2013, ou sejam a Odebrecht. Também diz o que pensa sobre
o Engenhão, que ficou com o Botafogo, e explica o momento o relacionamento com
os rubro-negros.
Qual a posição do Fluminense com relação
ao futuro do Maracanã?
Fluminense
defende a manutenção da concessão atual. No ano passado de fato conversamos com
CSM e Flamengo e chegamos a algo muito próximo de um acordo, inclusive com um
protocolo de intenções que realmente mudaria um pouco nosso contrato. Quando o
Flamengo, pela desistência da GL, começou a pressionar por uma nova licitação,
naturalmente os objetivos ficaram diferentes.
O que o Fluminense defende?
O
Fluminense defende que uma empresa gerencie o estádio. Hoje Flamengo e Botafogo
têm relação complicada. E quem garante que isso não acontecerá entre Flamengo e
Fluminense ou outros clubes no futuro, em outras gestões? Tem que existir uma
empresa totalmente isenta a gerenciar o Maracanã. O clube defende o
profissionalismo, que não pode estar atrelado a um ou outro clube.
Mas o Engenhão foi erguido com dinheiro
público, como na reconstrução do Maracanã, e está nas mãos apenas do
Botafogo…
O
Engenhão nasceu para ser entregue a algum clube. São dez anos e os clubes
cariocas já foram campeões lá, então já existe uma história, imagine o que
temos de histórias ligadas ao Maracanã. Não faz o menor sentido um clube dizer
quando o outro pode ou deve jogar lá. Nem o Flamengo nem o Fluminense pode
fazer isso. E como hoje só existe uma empresa disposta a assumir o Maracanã, o
Fluminense defende que ela assuma. Não somos pró A ou B, mas que alguma empresa
participe disso e comande o Maracanã
Quem defende a nova licitação apresenta
como motivos os muitos escândalos envolvendo a Odebrecht e os problemas
detectados na obra do Maracanã. Isso não justificaria nova licitação?
Por
mais que tenham aparecido suspeitas e boatos, a empresa envolvida nisso (Nota
do Blog: Odebrecht) tem várias concessões. Agora mesmo vendeu a participação
que tinha no Galeão para uma empresa chinesa. Ninguém falou m nova licitação,
como ninguém fala em nova licitação da Supervia (NB: empresa que detém a
concessão das linhas ferroviárias do Rio de Janeiro e também tem participação
da Odebretcht). Na verdade estão sendo utilizados esses argumentos para que
seja feita nova licitação no Maracanã. Antes a GL servia para comprar a
concessão do Maracanã, com a desistência dela, agora tem que existir uma nova
licitação? Além disso, se uma nova licitação acontecer, cairá no colo do estado
a manutenção do Maracanã num Estado do Rio de Janeiro sem dinheiro para saúde e
professores. Por que fazer nova licitação se já sabemos que não haverá outorga
a ser paga. E o R$ 1,5 bilhão que colocado no Maracanã? Imagine o imbróglio
judicial que isso teria, com uma administração precária caindo no colo do
Estado.
E quanto à possibilidade de uma empresa
envolvida em escândalos ainda ganhar dinheiro com a venda da concessão do
Maracanã?
Como
uma empresa investigada vai ganhar dinheiro do Maracanã? O TCE (Tribunal de
Contas do Estado) já determinou esse dinheiro ficaria retiro judicialmente, a
Odebrecht não receberia os R$ 60 milhões, até que seja decidido se houve alguma
ilicitude na construção do estádio. Ou correrão o risco de a Odebrecht
recorrer. A solução mais fácil, inclusive ao próprio governo, seria transferir
o controle acionário.
Houve contato recente entre Fluminense,
Flamengo e o governador do Estado?
O
Fluminense foi ao governador, representado por dirigentes mas sem a presença do
Flamengo, ontem (NB: segunda-feira, 24 de abril). Com ele estiveram o
vice-presidente geral, Cacá Cardoso, e o de projetos especiais, Pedro Antonio
Ribeiro da Silva.
Um dos argumentos de quem defende a nova
licitação do Maracanã é de que o Fluminense pretende apenas defender a
manutenção de seu contrato com o antigo consórcio, que lhe seria extremamente
favorável…
O que
dizem sobre o contrato do Fluminense não corresponde à verdade. Os contratos
dos dois clubes, Fluminense e Flamengo, feitos na época da licitação, têm
características diferentes. O nosso protege custo, nos jogos cheios ganhamos
menos, e o do Flamengo o contrário, protege com relação à receita. Quando o
estádio está vazio, perdemos menos do que o Flamengo, mas ganhamos menos quando
enchemos o Maracanã em relação ao próprio Flamengo.
O clube admite rever esses termos?
Tínhamos
um acordo com a CSM para ajustar o contrato com as partes se comprometendo a
fazer aquilo, caso ela adquirisse a concessão da Odebrecht. Não pensamos apenas
em manutenção das pretensas vantagens de seu contrato. Fomos à justiça recentemente
porque a Odebrecht não aceitou nossas sugestões e não cumpriria o contrato (NB:
para o jogo com o Liverpool do Uruguai, pela Sul-americana). O Fluminense não
quer que argumentos falaciosos sejam colocados para esconder a real motivação
desse movimento, que é colocar o controle do Maracanã nas mãos de um único
clube.
Já falaram com a Lagardère, hoje a única
empresa interessada no Maracanã?
Sim,
já conversamos e até aqui não avançamos mais porque ainda não foi decidido se
ela conseguirá adquirir o estádio ou não. Os pontos podem mudar, não estamos de
olhos fechados para as mudanças que poderão acontecer. O Fluminense pode
negociar se for de seu interesse e com as contrapartidas corretas.
O site da revista Veja publicou na semana
passada que o governo do Estado está decidido pela nova licitação…
Não
acho que esteja decidido por uma nova licitação, não há nada decidido e
confiamos quer uma empresa comande o Maracanã e não um clube.
A ideia é jogar partidas de menor apelo
fora do Maracanã?
Sim,
fez parte, inclusive, do pré acordo com a CSM. Deixamos clara nossa intenção de
tirar diversos jogos do Maracanã para que não haja prejuízo. Entendemos que
isso facilita a vida da empresa que opera, e nos ajuda, jogando partidas de
menor público em estádio de tamanho menor, com ganho técnico e mais pressão.
Nunca estamos fechados a negociações em nada. Defendemos nossos interesses e
aceitamos negociar. Antes de a GL decidir pela saída, a CSM veio me perguntar
se o acordo estava de pé e dissemos que sim.
Qual a sua expectativa?
Preparamos
o clube para todos os cenários, exatamente o que vai acontecer. Esperamos que o
bom senso prevaleça e os interesses do cidadão do contribuinte, do Estado e dos
próprios clubes em última análise sejam prioridades.
O presidente do Flamengo o procurou para
falar sobre Maracanã?
O
Flamengo tentou conversar conosco, mas ainda estamos coletando dados e montando
cenários para conversar em momento adequado. Eu e o (Eduardo) Bandeira (de
Mello, presidente rubro-negro) já nos falamos diversas vezes sobre vários
assuntos. Não existe problema algum com o presidente do Flamengo ou com o
Flamengo, mas não estamos prontos para conversar sobre isso. Não é uma
negativa. Fomos juntos a Cariacica, no mesmo avião, inclusive, fomos conversando.

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