sexta-feira, setembro 25, 2020
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Abel, Luxa e Mano – A decadência dos treinadores brasileiros.

Foto: Divulgação

COSME
RIMOLI
: “Após reunião nesta terça-feira com a presidência do clube,
decidimos em consenso interromper as nossas atividades no Shandong Luneng.
Depois de seis meses de trabalho, o que marcar é a inédita classificação do
clube entre os oito melhores da Champions Asiática 2016, que terá suas quartas
de final disputadas no segundo semestre.”

Essa a
nota divulgada no site oficial de Mano Menezes.
O
treinador fez o possível para amenizar sua deprimente demissão do time chinês.
Embora, aos trancos e barrancos, o time chegasse às quartas de final da
Champions Asiática, o trabalho no dia a dia era péssimo. Tanto que seu time
ocupa a vexatória 15ª colocação do Campeonato Chinês, absolutamente empatado
com Changchun Yatai Football Club, na zona do rebaixamento. Conseguiu duas
vitórias, três empates e sofreu seis derrotas. Está a um ponto do último
colocado, Liaoning Whowin.
A
cúpula do clube não se conformou com o péssimo futebol do time e o despachou
depois de seis meses de trabalho. Houve um acordo em relação à multa. Ele
ganhava R$ 2 milhões mensais. Seu contrato era de dois anos. Mano exigiu que os
chineses gastassem R$ 45 milhões entre compra dos direitos e compromisso de
quatro anos firmado por Gil. Seu ex-clube tem no elenco Diego Tardelli,
Jucilei, Aloísio e Montillo.
O
técnico ainda fazia questão da contratação de Elias. E também desejava Nenê do
Vasco.
A
demissão de Mano Menezes, um dia depois da de Vanderlei Luxemburgo, da Segunda
Divisão Chinesa mostra o quanto a situação é grave. O quanto os treinadores
brasileiros estão ultrapassados. Seus métodos são caóticos, amadores comparados
aos europeus.
Luxemburgo
e Mano eram ex-treinadores da Seleção Brasileira. Estiveram no comando da
seleção mais tradicional do planeta, a única pentacampeã do mundo. Fracassaram,
é verdade. Mas se chegaram a ter os cargos, deveriam ser competentes,
acreditavam os chineses.
Mas se
os empresários tivessem um pouco menos de ansiedade iriam analisar. O Brasil é
um grande exportador de pés e não de cérebros. Nossos treinadores são meros
alunos dos treinadores europeus. Decalcam esquemas táticos dos grandes times.
Os adaptam sem grandes cobranças porque os diretores e presidentes de clubes
são absolutamente ignorantes em relação à dinâmica do futebol. Apenas querem
pessoas que tenham o dom da palavra, certa personalidade e carisma para desviar
o foco, quando as coisas não estiverem dando certo. Servem como escudo para dirigentes
incompetentes, vaidosos e que usam de forma irresponsável o dinheiro dos
clubes.
A CBF
tem critérios vergonhosos para escolher os treinadores que comandam a Seleção.
Vanderlei Luxemburgo fazia sim um ótimo trabalho nos clubes. Mas sua vida
pessoal era muito complicada. A falsificação de documentos para jogar futebol,
diminuindo sua idade em três anos, inclusive vestindo a camisa do Brasil é algo
desabonador demais. Junto com o bom trabalho no Brasil chegou comando do time
graças à amizade e noitadas de vinho com o ex-presidente Ricardo Teixeira. O
genro de Teixeira sabia da falsidade ideológica, mas só quando ela se tornou
pública na CPI da Nike, o demitiu.
Luxemburgo
nunca teve uma conquista internacional. Disputou sete Libertadores. Não
conseguiu sequer chegar a uma final. Sua maior chance na carreira foi em 2005,
no Real Madrid. Os ídolos do clube, Zidane, Raúl e até Ronaldo questionavam o
seu método de trabalho, considerado pela imprensa local como confuso,
ultrapassado. Não conseguiu resultado algum. Nem mesmo se deu ao trabalho de
aprender espanhol. Queimou a imagem do treinador brasileiro na Espanha. Se ele,
pentacampeão nacional, era assim tão ruim, por que apostar em outro.
Luiz
Felipe Scolari fez o mesmo favor. Fez péssimo trabalho no Chelsea e fechou as
portas desta vez para a Inglaterra. Não teve resultados importantes, falava mal
inglês, foi rejeitado pelos ídolos do clube.
Pessoas
próximas a Scolari e Luxemburgo fazem questão de tentar convencer jornalistas
brasileiros que os dois foram sabotados. Lógico que perdem seu tempo. Nenhum
jornalista espanhol ou inglês confirmou o boicote. Ambos tiveram desempenhos
pífios. Marcantes.
Está
claro para os agentes que trabalham no Brasil representando clubes europeus.
Não vale a pena indicar nenhum técnico daqui para a Europa. Não querem perder o
emprego. Tanto que desde o fracasso de Felipão em Londres, em 2009, ninguém
mais foi contratado. Ou sequer indicado.
Mano
Menezes havia planejado sua carreira com o empresário Carlos Leite. O agente
representa Jorge Mendes, o maior empresário do mundo, ‘dono’ da Seleção
Portuguesa e homem de total confiança de Cristiano Ronaldo.
O
projeto era aproveitar ao máximo a Seleção Brasileira, disputar a Copa de 2014
e depois assumir um grande europeu. Ele havia chegado à CBF graças ao então seu
amigo, Andrés Sanchez, diretor de seleções e parceiro de Ricardo Teixeira.
Inseguro, sem rumo, Mano convocou 102 jogadores. Sua desculpa era renovar o
Brasil e formar o time olímpico. Fracassou nos dois. E acabou sendo mandado
embora logo após a Olimpíada. Fracassou a ideia de chegar à Copa de 2014. E,
lógico, à Europa. Nem time português, Jorge Mendes e Carlos Leite conseguiram.
Mano
tem sérios problemas quando seu planejamento começa a não dar certo. Foi o que
aconteceu com o Flamengo. Ele chegou a pagar multa do bolso para sair. A
preocupação era o rebaixamento, que poderia manchar sua carreira. Mal saiu, o
time foi campeão da Copa do Brasil e os jogadores fizeram festa comemorando o
título e terem se livrado de sua arrogância.
Voltou
ao Corinthians, nada de conquista. Assumiu o Cruzeiro, estava fazendo um bom
trabalho. Comentando a ida de treinadores à periferia do futebol, como a China,
deixou claro que não iria. Mas um mês depois chegou a proposta de R$ 2 milhões
mensais e ele assinou correndo com o Shandong Luneng. Deixou o planejamento que
fez com o presidente cruzeirense, Gilvan Tavares. E ainda recomendou seu
auxiliar Deivid como substituto. Foi um caos para o Cruzeiro.
Se
Luxemburgo tem no currículo cinco Brasileiros, Mando tem dois. Da Segunda
Divisão. Tem um título nacional. Uma Copa do Brasil. Libertadores para ele
também representa fracasso. Chegou pelo menos a uma decisão, em 2007. Desde
então, não chegou mais nem perto.
Não
bastasse a dupla de ex-treinadores da Seleção serem despachados da China, Abel
Braga não foi apenas demitido do Al Jazira. Ele havia assinado contrato de dois
anos e não conseguiu ficar seis meses. Depois de uma goleada por 4 a 0 para o
Al Fujairah. O time estava a uma posição da zona rebaixamento, quando veio a
demissão. O jornal “The Nacional”, fez uma votação aberta e a volta
do brasileiro ao Al Jazira foi escolhida como o ‘pior retorno’. Seus métodos
foram considerados por jornalistas como ultrapassados.
Ou
seja, não bastassem os treinadores brasileiros terem fechado o mercado europeu,
agora estão indo além. Fechando a periferia do mundo do futebol. A China e os
Emirados Árabes.
Quem
diria, Felipão, o treinador dos 7 a 1, é a exceção que confirma a regra. Faz
bom trabalho entre os chineses. Mas está absolutamente queimado para assumir
qualquer seleção de ponta europeia, como sonhava antes de começar a Copa de
2014. Seu desejo era a Itália. Mas a Inglaterra serviria. Ou até a Rússia. Só
que nenhum desses países sequer cogita o treinador.
Mano
Menezes, Vanderlei Luxemburgo e Abel Braga conseguiram.
Seus
péssimos trabalhos na China e nos Emirados Árabes deixaram claro.
O
Brasil é exportador de pés e não de cérebros.
Nossos
treinadores se mostram provincianos, ultrapassados.
Arrogantes.
E que
dependem de padrinhos para chegar à Seleção.
Quem
vai negar?

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