segunda-feira, setembro 28, 2020
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Acostume-se! Com Diego, Flamengo consolida mudança de patamar.

Estátua na Gávea, Sede do Flamengo – Foto: Divulgação

ESPORTE
FINAL
: Com a já tradicional novela do último dia da janela de transferências, o
Flamengo, enfim, confirmou a contratação do meia Diego. E aí? Aí que o Flamengo
consolidou sua mudança de patamar no cenário do futebol brasileiro. Não se
trata de questão técnica. Esta só os treinos, partidas e, talvez, conquistas
com participação direta do jogador poderão confirmar e referendar a contratação
como reforço. A questão é, mesmo, econômica. Ao fechar com Diego, o Flamengo
garante ser um dos atuais gigantes do investimento do futebol nacional,
completando a primeira cartada de 2015, com Guerrero.

E,
claro, isso gera incômodo e o clube ainda paga pela imagem do passado, quando
contratar sem a garantia de verba necessária era praticamente um modus operandi
na Gávea. Ronaldinho que nos diga. Se a gestão de Eduardo Bandeira de Mello
cometeu vários erros na gerência do departamento de futebol, a decantada
política de austeridade financeira tem dado resultados. Há quem confunda alhos
com bugalhos. A política de Eduardo e sua turma é saldar a monstruosa dívida e
pagar o que pode. Em 2013, o Flamengo contratou Elias por empréstimo junto ao
Sporting, suou para ter Carlos Eduardo também provisoriamente e dispensou
Vagner Love, Liedson, Ibson e tantos outros por um simples motivo: não tinha,
ali, condição alguma de bancá-los. A dívida girava na casa dos R$ 750 milhões.
Era hora de amargar. E amargou.
O
pacote de reforços do meio daquele ano chegou do interior paulista. Bruninho,
Paulinho, Diego Silva, Val. Era dura a realidade para o torcedor rubro-negro. E
não havia preocupação externa e vigília ferrenha com a saúde financeira do
clube. Com a torneira apertada, o barco rubro-negro seguiu economizando tudo
que podia mirando terra firme na frente. A dívida começou a reduzir, o fôlego a
aumentar e a capacidade de investimento também. Em 2015, o Flamengo conseguiu chocar
críticos e torcedores adversários ao tirar Guerrero, ídolo do Corinthians, pela
simples maior capacidade de investimento. E que investimento, beirando quase R$
40 milhões em três anos de contrato. Sob desdém e previsões de atrasos de
salário, Guerrero chegou sob holofotes e valores astronômicos. Ainda deve na
parte técnica, mas não houve, em mais de um ano, notícia de atraso nos
vencimentos do peruano. Pois voltemos a Diego.
Anunciado
nesta terça-feira, o meia de 31 anos sempre foi aquele sonho de consumo de
clubes brasileiros em janelas de transferências. Quando indicou o momento de
retornar ao Brasil, o Flamengo pintou como favorito. Talvez o ex-santista até
tenha mesmo um carinho especial pelo Rubro-Negro, mas Diego sempre foi
profissional ao longo da carreira e soube fazer escolhas com segurança.
Wolfsburg, na Alemanha, por exemplo. Diego faz parte do mercado de agentes e
jogadores que já entende o clube rubro-negro como um porto seguro para receber
bem com garantias, ao lado do Palmeiras e seu presidente bilionário. Hoje, o
clube carioca pode. Tem o selo de bom pagador estampado. E isso, claro,
incomoda quem se acostumou a vê-lo limitado e nas manchetes por atrasos de
salários.
Cabe
ao Flamengo e sua diretoria a manutenção da política austera. Atualmente, o
clube conseguiu formar um elenco encorpadíssimo para os padrões do futebol
brasileiro. Guerrero, Sheik, Juan, Rever, Donatti, Mancuello, Alan Patrick,
Diego, Ederson, Leandro Damião, Marcelo Cirino, Everton. São grandes opções. O
último balanço financeiro publicado indicou orçamento na casa dos R$ 355
milhões, com 41% destinado ao investimento no futebol, faixa bem abaixo da
média dos outros grandes clubes brasileiros, em grande parte em caminho
inverso, com a dívida galopante. Santos e São Paulo, por exemplo, investem,
respectivamente, 83% e 102% de suas receitas no futebol. O Flamengo que
contrata Diego colhe, por enquanto, o que plantou. Ter o retorno esportivo será
fundamental para manter a roda girando. Claro que a aposta é alta, mas o patamar
do Flamengo como grande investidor no futebol brasileiro com Diego se
consolidou. É melhor se acostumar.

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