Adaptado no Flamengo, JP Batista relembra trajetória na Europa.

Por: Fla hoje

Foto: Orlando Bento/Minas TC

GLOBO
ESPORTE
: As vielas de Olinda ficaram pequenas para João Paulo Batista.
Sonhador, o garoto era gigante como os bonecos do tradicional carnaval local e
queria alçar voos maiores. Corajoso, aos 20 anos enviou fitas com seus lances
para técnicos dos colegiais americanos. Chamou a atenção e ganhou uma chance no
Western Nebraska College. Sem falar inglês fluente, partiu para uma aventura
que nem ele imaginaria, mas o tiraria do Brasil por quase 14 anos
ininterruptos. O pernambucano passou pela Universidade de Gonzaga (NCAA),
esteve no Draft da NBA e então atravessou o oceano para fazer carreira sólida
na Lituânia, Letônia e França. De volta ao país em 2015, aos 33 anos, o grandão
de 2,06m e 122kg demorou para se adaptar. O português saía com dificuldade, o
calor incomodava, mas o alto preço trouxe recompensas. Campeão do NBB com o
Flamengo no ano passado, JP agora está completamente adaptado e virou
protagonista.

Terceiro
jogador mais efetivo do Rubro-Negro no NBB 2016/17, o pivô tem médias de 13,6
pontos e 7,1 rebotes por partida, jogando quase 26 minutos por duelo da fase de
classificação. No Rio de Janeiro com a esposa e as filhas Vitória e Vanessa, de
oito e cinco anos, JP confessa que passou por maus bocados logo que chegou. E
isso influenciou no seu rendimento, afinal de contas saiu do Brasil em 2002,
ainda um garoto, retornando mais de uma década depois. Considerando-se 100%
nesta temporada, ele espera seguir correspondendo e garante que está com o
português afiado.

Agora estou bem adaptado à língua. Posso dizer que estou praticamente 100%.
Estou muito melhor. E concordo (que ficava devendo no idioma). Fiquei muito
tempo fora do Brasil, falei pouco português. Vim aqui com a seleção em 2007,
para o Pan do Rio, e me lembro que era difícil dar entrevista. Era difícil
fazer ao vivo. Foi assim também no ano passado, quando cheguei. A adaptação ao
país foi um pouquinho mais difícil. No ano passado foi bem complicado me adaptar
ao clima. Peguei 35, 40 graus no ginásio. No Ginásio do Tijuca é difícil. Esse
ano estou bem mais adaptado e a tendência é ir melhorando – garante JP,
brincando que apesar disso não perdeu o sotaque nordestino.
Com a
carreira toda feita fora do país, JP passava despercebido quando chegou ao
Flamengo. No exterior, porém, fez uma carreira sólida e difícil de ser repetida
por um brasileiro. Ficou de 2006 a 2008 no Lietuvos, da Lituânia; passou ainda
em 2008 pelo Barons Riga, da Letônia; de 2008 a 2014 jogou no Le Mans, sendo
campeão da Liga Francesa e da Copa da França; e em 2015 ainda atuou no Limoges
antes de chegar ao Flamengo. A experiência fora o deixa confortável para opinar
sobre a organização da liga do país, dos clubes e do basquete brasileiro.
– Sem
dúvida a maior diferença que eu senti está na organização da Liga. No exterior
é mais organizado, os times são mais estruturados. O Flamengo tem se
sobressaído muito bem por ter esse diferencial. Falta investimento, patrocínio.
Isso afeta muito o esporte. No aspecto de quadra, aqui o basquete é um pouco
mais lento. No exterior, pelo nível, e número de jogadores europeus e americanos,
são ligas mais corridas, mais rápidas. Joguei na Lituânia e era uma liga mais
técnica, com mais fundamentos. Na França era mais corrida, com americanos. No
Brasil é uma mistura dos dois. Temos jogadores com bons fundamentos e
americanos com velocidade. Em quadra a diferença não está tão longe. O que
separa é o investimento – garante JP.
DRAFT DA NBA E SELEÇÃO BRASILEIRA
Antes
de embarcar para os Estados Unidos, João Paulo ainda tentou a carreira no
Paulistano e no São José do Rio Preto. Sem grandes chances, foi embora e passou
primeiro pelo colegial do Western Nebraska. Em seguida, teve mais um ano no
Barton County College e em 2004 ingressou no Gonzaga University. Ali, jogou ao
lado de Adam Morrison, duas vezes campeão da NBA pelos Lakers.
Em
2006, tentou a sorte no Draft da liga americana de basquete, mas a idade – 25
anos na época – e o perfil não tão atlético e veloz fizeram com que não fosse
escolhido. Mesmo assim, chegou a ligar uma Liga de Verão pelo Minnesota
Timberwolves, mas não assinou contrato. O insucesso, contudo, não deixou uma
mágoa em JP Batista.

Sempre fui uma pessoa muito aberta. De onde eu saí até onde eu cheguei, saindo
de Recife para conquistar o que conquistei, não posso dizer que é o suficiente,
mas sou muito grato pelo que conquistei até hoje. Quando estava nos EUA, tentei
aproveitar ao máximo possível. Sou agradecido por ter vivido aquele momento e
de jeito nenhum fiquei magoado. Sabia que iria abrir portas para mim, isso
aconteceu, fui para a Europa e fiz uma sólida carreira até hoje. Estou no
Flamengo, vivo meu sonho da mesma forma que aquela época.
Aos 35
anos, o pivô garante que não pensa em aposentadoria. JP não coloca uma idade
para encerrar a carreira e diz que seu corpo ainda responde bem aos jogos e
treinos. Experiente, ele tem dois ouros Pan-Americanos no currículo (Rio 2007 e
Toronto 2015), mas não esteve tão presente na seleção brasileira. Chegou a
jogar o Pré-Olímpico de Las Vegas, em 2007, e o Pré-Olímpico Mundial, em 2008,
e foi campeão da Copa América de 2009. Com Rubén Magnano, contudo, só foi
convocado para substituir um lesionado Nenê, em 2010, e foi novamente à Copa
América de 2013, quando abandonou as férias para ajudar o treinador. Mesmo sem
ter jogado a Olimpíada, ele não acredita que exista uma lacuna na sua trajetória.
– Sou
grato por todas as seleções que eu peguei. A seleção é coisa de momento. Quando
o Rúben assumiu, sabia pouco do meu nome. E quem toma a decisão é o técnico.
Ele, na época que assumiu, na cabeça dele aquele era o time. Se estava dentro
estava grato, se estava fora estava torcendo. Sou feliz pelas medalhas e o que
conquistei com o Brasil, não tenho mágoa alguma – disse o pivô do Flamengo, que
pretende morar no exterior e seguir ligado ao basquete quando se aposentar.
BASQUETE UNIVERSITÁRIO E NBB
Feliz
no Flamengo, JP espera buscar mais um título do Novo Basquete Brasil pelo
Flamengo. O pivô, apesar das críticas ao basquete brasileiro, acredita que a
competição está evoluindo e tem na atual temporada mais equilíbrio do que no
ano em que chegou ao Rubro-Negro. Ele lembra, porém, que a crise econômica
afastou patrocinadores e prejudicou alguns clubes tradicionais.
– Está
evoluindo muito. Fico feliz em alguns aspectos. Acho que infelizmente a crise
econômica afeta, afasta os patrocinadores. E você vê situações com o Limeira e
o Rio Claro, que tiveram que desfazer seus times. Isso assusta. Essa incerteza
assusta. Mas acho que o NBB está indo na direção certa. Esse ano o torneio está
bem mais nivelado, você vê vários times com equipes fortes e temos que ser
positivos e visar esse caminho que estamos tendo – explica JP.
Entusiasta
do modelo de gestão do basquete americano, JP acredita que a fórmula de
formação de atletas através do High School e universidades funcionaria por
aqui, mas seria preciso um investimento muito maior e participação do governo
brasileiro. A crise na Confederação Brasileira de Basquete (CBB), suspensa pela
Fiba, também foi citada pelo jogador como um dos motivos que atrasam o
desenvolvimento da modalidade no país.
– Aqui
no Brasil com certeza serviria, mas é preciso um nível de comprometimento e investimento
do governo fora do comum. Você vê uma divisão de universitário com mais de 500
equipes. E o nível de investimento que cada uma dá para os seus atletas, é
incrível. Você vê o High School com ginásios inacreditáveis, é nível de Arena
Carioca na Olimpíada e Rio Arena. Não só o sistema americano, mas o que vi na
Europa funcionaria aqui. É preciso investir nas categorias de base, ter
ginásios bons para treinar. Essa situação da CBB, essa crise, faltou
comprometimento e ética para a melhoria do basquete. Isso causou essa crise. É
preciso novas caras e ideia. Talvez esteja na hora de pensar para frente e no
que será melhor para o basquete brasileiro.

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