domingo, setembro 27, 2020
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Adesão ao ProFut já traz números positivos para Flamengo.

OLHAR
CRÔNICO ESPORTIVO – O Flamengo liberou seu balancete correspondente ao terceiro
trimestre, encerrado em 30 de setembro e os resultados, já incorporando as
mudanças pela adesão ao PROFUT, são excelentes. Três pontos devem ser
destacados:

Redução do endividamento e melhoria no fluxo de caixa;

Superávit no período de 12 meses consecutivos e nos 9 meses de 2015;

Redução de despesas, mesmo com uma inflação acima de 8%.
Embora
o resultado dos 9 meses esteja ligeiramente abaixo do que foi orçado, os
resultados obtidos confirmam que a recuperação econômico-financeira do clube
continua. Na apresentação desse balancete, o documento do clube fala em 2016
como “um ano de transição e investimentos fortes nas suas atividades fins para
que possa consolidar a partir deste o início de um novo ciclo vencedor no plano
esportivo.”
Ao
torcedor, as únicas palavras que interessam em todo o documento são essas
últimas da citação acima: “um novo ciclo vencedor”.
É
natural e é o sonho de todo torcedor de futebol. O grande problema é que pela
primeira vez o clube está pensando num ciclo vencedor sem trocar os pés pelas
mãos, sem loucuras, sem a mínima consistência e conseguir tudo isso demora, não
se alcança de uma hora para outra.
Para
sorte do torcedor rubro-negro, até aqui a atual direção tem feito tudo que se
propôs. Não se pode dizer que tenha sido feliz nos gramados, até porque a
conquista da Copa do Brasil foi mais um acidente de percurso do que
propriamente algo que estava no horizonte planejado. Como acontece com todas as
direções de clubes no futebol, também a gestão Bandeira de Mello tem feito
escolhas pouco felizes de técnicos e jogadores e tem errado no timing,
especialmente no que diz respeito aos treinadores. Nada de anormal, porém,
considerando o futebol brasileiro como um todo e nada que comprometa a gestão,
principalmente considerando que a tarefa maior e de fato fundamental é
recuperar o clube.
O
futebol pode e deve esperar, por mais que o torcedor deteste ouvir ou ler essa
consideração.
Receitas
& Despesas e a vitória sobre a inflação
De 1º
de janeiro a 30 de setembro de 2015, que é o período analisado pelo balancete,
a Receita Bruta atingiu R$ 266 milhões, com um crescimento de 5,3% sobre o
mesmo período em 2014. Na prática, entretanto, esse crescimento foi exatamente
1% menor que a inflação acumulada nesse período de 2015: 6,3%. Entretanto,
considerando toda a conjuntura desse ano, foi um resultado excelente.
Nesse
mesmo período, porém, sua Receita Líquida Recorrente, que é a receita operacional
bruta sem os valores de transferências de atletas, e também já descontando os
impostos e direitos de arena, foi de R$ 250 milhões, com um crescimento de
8,6%, o que representa um ganho real de 2,3% em relação à inflação desses nove
meses.
Tomando
o período de 12 meses consecutivos, novamente, a Receita Bruta bateu um novo
recorde – R$ 361 milhões (sem arredondar: R$ 360,506 milhões), um aumento de
3,9% em relação ao total do ano de 2015. A Receita Líquida Recorrente nesses 12
meses (não esqueça: os 3 últimos de 2014 somados aos 9 primeiros de 2015)
atingiu R$ 334,3 milhões, um novo recorde, também, com um crescimento de 6,3%
sobre o ano anterior.
Se
ganhar dinheiro é importante, gastar menos (e bem) é fundamental, sobretudo em
momentos de crise ou de recuperação econômica, e no caso do Flamengo temos os
dois: crise no país e recuperação no clube.
Nos
primeiros nove meses de 2015 as despesas operacionais foram de R$ 164,6
milhões, valor que representou uma redução de 1,6% em relação a igual período
no ano anterior. Como disse anteriormente, nesse mesmo período temos uma
inflação (uso o IGP-M) de 6,3% ou de 8,3% considerando os 12 meses consecutivos
– 1º de outubro de 2014 a 30 de setembro de 2015.
Esse
é, a meu ver, o grande ponto a ser considerado e comemorado: mesmo com 6% de
inflação, as despesas apresentaram uma redução superior a 1%!

De
acordo com a apresentação do balancete, essa redução foi conseguida com a
aplicação de um programa de gestão de custos e os resultados vieram de
economias com os gastos na folha de pagamentos e reduções nas despesas
administrativas e gerais.
Os
números poderiam ser ainda melhores, mas algumas receitas não se repetiram em
2015, como, por exemplo, a premiação pelo Carioca de 2014 e as receitas obtidas
com os jogos finais desse campeonato. A inflação crescente também impactou
negativamente a redução de despesas e, por fim, há um fator ainda não
dimensionado com clareza, e não só pelo Flamengo, que é o impacto crescente da
recessão econômica sobre os gastos dos torcedores, tanto nas adesões aos
programas de sócios, como nas compras de produtos licenciados e idas aos
estádios.
Dívida
cai e PROFUT incrementa o superávit
O
resultado operacional do Flamengo atingiu novo recorde: R$ 88,4 milhões nos
primeiros nove meses de 2015, com um crescimento nominal de 16,4% em relação ao
mesmo período de 2014. No acumulado dos últimos 12 meses, o resultado
operacional atingiu novo recorde de R$ 117 milhões.
O
superávit do exercício, que abate do resultado operacional os gastos com as
despesas financeiras e não considera os ganhos financeiros por conta da adesão
ao PROFUT, atingiu R$ 53,1 milhões, um pequeno aumento de 0,5% em relação ao
período de 2014. No acumulado dos últimos 12 meses, ele atingiu R$ 64,5
milhões, aumento de 0,4%.
Já o
superávit total do exercício, incluindo os ganhos financeiros extraordinários
de R$ 89 milhões por conta da adesão ao PROFUT, atingiu R$ 142,1 milhões, com o
acumulado dos últimos 12 meses chegando a R$ 153,6 milhões, um aumento de
138,8%.
É
importante destacar, como lembra a apresentação feita pelo clube , que mesmo
que não houvesse o PROFUT o Flamengo teria apresentado bom desempenho, tanto no
resultado operacional quanto no superávit do exercício. E tudo isso vivendo em
meio aos desafios imensos da economia brasileira nesse período.
O
endividamento líquido atingiu R$ 463 milhões, uma redução de 15,9% em relação
ao valor de 30/6/2015 e redução de 30,9% em relação ao valor em 31/12/2014.
O
endividamento bruto foi reduzido em mais de R$ 113 milhões nesse trimestre,
atingindo R$ 574,2 milhões.
Segundo
o documento de apresentação, esse números já mostram os impactos positivos do
PROFUT na redução significativa das rubricas de imposta a pagar e também da
redução da provisão de contingências. O clube ressalta, mais uma vez, que os
valores de adiantamento de contratos mesmo estando no passivo não devem ser
tratados como dívidas.
Tecnicamente,
essa posição é correta, mas para efeitos práticos, considerando que eles terão
que ser pagos, eu preferiria considera-los como dívidas. Mas, repito, essa é
uma posição pessoal e baseada numa visão “conta de padaria”.
Desde
o início de 2013 até 30 de setembro de 2015, um prazo de apenas 33 meses,
somando-se juros e amortização do principal da dívida, o Flamengo já dispendeu
como esforço financeiro de pagamento de dívidas e juros o total de R$ 332
milhões.
Esse
valor é o equivalente a um ano inteiro de receitas do clube.
Como
resultado, o principal da dívida bruta foi reduzido em R$ 203 milhões (queda de
26%) e a dívida líquida foi reduzida em R$ 256 milhões (queda de 36%).
Apesar
disso, o clube considera fundamental que tanto a dívida líquida ao fim de 2016
se estabeleça abaixo do valor da receita líquida quanto a dívida de curto prazo
esteja menor que os recebíveis de curto prazo.
Esse
esforço adicional de desalavancagem do Flamengo é primordial e premissa
absoluta para a sustentabilidade do ciclo de investimentos que se inicia.
Vou
repetir o parágrafo acima, que copiei do texto de apresentação do balancete:

Esse
esforço adicional de desalavancagem do Flamengo é primordial e premissa
absoluta para a sustentabilidade do ciclo de investimentos que se inicia.
E por
aqui termino o post. Há muitos outros números e considerações, mas considero
que o importante para o torcedor está exposto.
E o
fundamental, especialmente para o flamenguista, está contido nesse alerta feito
pelo próprio clube e que fiz questão de copiar e repetir.
Em
tempo: nem é preciso falar da importância do PROFUT e da Lei de
Responsabilidade Fiscal no Esporte. Muitos torcedores até se aborreceram com o
número de posts a respeito e com a demora na tramitação, que chegou a quase
três anos, mas esse post mostra os primeiros resultados concretos da nova lei.
Por enquanto só para os torcedores do Flamengo, mas acredito que os efeitos
positivos da LRFE atingirão todos os clubes.

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