sábado, setembro 26, 2020
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Aha! Uhu! O Maraca não é nosso.

Mauro
Cezar Pereira – Quando o estupro do Maracanã teve início em 2010, este blog se
rebelou contra tal absurdo. E já vinha fazendo isso antes. Remodelado para os
Jogos Pan-Americanos de 2007 apenas sete anos depois de uma reforma para o
torneio Mundial da Fifa de 2000, o velho estádio já não tinha mais a geral e
todos os torcedores dispunham de assentos.

Veja
vídeo de matéria publicado no blog em 10 de setembro de 2010


Flamengo
e Grêmio jogaram em 6 de dezembro de 2009 pela última rodada do Brasileiro
daquele ano, com o título do time carioca. Os bilhetes se esgotaram e na
oportunidade estiveram no Maracanã 84.848 presentes, sendo 78.639 pagantes —
6.209 entraram sem desembolsar qualquer quantia, ou seja, 7% do total.
Para
aquele cotejo foram colocados à venda 67.347 ingressos a preços mais
acessíveis, nas antigas arquibancadas verdes, amarelas, branca e cadeiras
inferiores, azuis. Eles custaram de R$ 30 a R$ 50 (inteira), enquanto as
cadeiras especiais eram comercializadas a R$ 180 cada. Apesar das mudanças, o
Maraca ainda era do povo.
Flamengo
e Grêmio voltaram a se enfrentar no mesmo local, mas em outro estádio (agora
pode ser chamado de “arena”) em 18 de julho deste ano. Foram colocados
à venda 29.698 ingressos entre os setores norte e sul, destinados aos
rubro-negros e gremistas, com os preços mais acessiveis na atual configuração.
Isso
signifca menos 37.649 bilhetes a custo mais baixo para o torcedor, ou seja, o
New Maracanan acena com 44% dos ingressos populares (ou mais próximos disso)
que sua versão anterior oferecia. Para o recente confronto entre rubro-negros e
gremistas, 27.229 tíquetes foram colocados à venda nos demais setores.
Em
resumo: os pontos caros do estádio que cobram a partir de R$ 100, como leste e
oeste superiores e inferiores, além do Maracanã Mais; têm 92% dos lugares que
mais se aproximam do que poderíamos chamar de “populares”. Quase meio
a meio. O Maracanã mudou em tudo, os lugares destinados ao povão sumiram,
simples e claro.
Podemos
(e devemos) questionar a obra em si, a descaracterização de um templo, a
entrega de obra com custo superior a R$ 1 bilhão a um grupo de empresas que
formaram um consórcio, etc. Mas quando era possível ir às ruas e protestar contra
o que fariam com o nosso velho e bom Maraca, quem se manifestou?
O povo
se omitiu e elegeu para o governo do Rio de Janeiro o candidato do
ex-governador que mandou destruir o verdadeiro Maraca e depois o entregou de
mão beijada a empresas. E mais: os clubes não puderam participar do processo de
licitação, como no caso do Engenhão, hoje sob administração do Botafogo.
O
torcedor, em massacrante maioria, ficou calado. No Maracanã original chegavam a
vender 180 mil ingressos, sendo 150 mil de arquibancadas (110 mil) e gerais (40
mil). Claro que havia superlotação, era inseguro e não poderia continuar assim.
Mas após as mudanças para o Pan 2007, ele ainda era democrático.
Não
existe mais volta. Se o cidadão quer ver um jogo como o Flamengo x Santos do
próximo domingo, que pague por isso. Essa é a mensagem enviada faz tempo e não
percebe quem não quer. Há o cartão Maracanã, do consórcio, que permite a compra
pela internet sem a necessidade de entrar na fila da compra de ingressos.
Mas
esse serviço não permite, pelo menos até o momento, a meia entrada. E o Rio de
Janeiro é o paraíso das gratuidades e meias, como o blog já explicou — clique
aqui e leia. Então o torcedor tem três opções: 1) Pague inteira; 2) Entre na
fila com direito a cambistas irados, confusão e vandalismo; 3) Fique em casa.
Também
é possível ser sócio torcedor, no caso do Flamengo pagar a partir de R$ 39,90
mensais e ter meia entrada assegurada, mesmo que não se encaixe entre os muitos
que dispõem de tal benefício; além da chance de comprar pela web. Se você quer
ir ao estádio, entenda, é preciso ter algum dinheiro.
Ficou
para trás o tempo da geral a preço baratíssimo, não muito maior do que uma
passagem de ônibus. Já era a época da farta oferta de ingressos de
arquibancada, a ponto de contemplar muito mais gente. Estamos vivendo a nova
ordem e quem poderia fazer algo, pelo menos se rebelar contra aquilo, e não
fez, agora terá de suportar.
Argumentos
como “nem todos têm acesso à internet” ou “muita gente não
possui cartão de crédito” não colam. Se o camarada não preenche esses
pré-requisitos ele simplesmente não interessa, não irá ao estádio, verá seu
time à distância, atrás da tela de um aparelho de TV. O novo grito é “Aha!
Uhu! O Maraca NÃO é nosso”.

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