sexta-feira, setembro 18, 2020
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Alecsandro aponta fórmula para mudar opinião de Luxa.

Globo
Esporte – Qual a receita do sucesso? Para os atacantes, costuma ser composta
por gols. A situação de Alecsandro no Flamengo, entretanto, mostra que nem
sempre é assim. Desde que chegou ao clube, no início de 2014, ninguém balançou
mais as redes do que ele: 31 vezes em 68 jogos. Foi artilheiro do Carioca, da
temporada passada, da Taça Guanabara, e divide o posto com Marcelo Cirino em
2015. Números que não foram suficientes para torná-lo absoluto no time de
Vanderlei Luxemburgo. Domingo, o atacante começa o Brasileirão como reserva,
mas, como bom dono de restaurante, garante já saber o tempero necessário para
tirar qualquer gosto amargo de sua passagem pela Gávea.  

Sacado
da equipe após a final do Carioca, o camisa 9 rubro-negro ouviu da boca do
próprio Luxa que não faz parte de sua equipe ideal. Desde o início da
temporada, o treinador deixou claro que Marcelo Cirino será seu centroavante,
em formação que prioriza a movimentação e a velocidade, ao lado de Everton e
Gabriel. Contra o São Paulo, domingo, às 16h (de Brasília), no Morumbi, será
assim. Do banco, Alecsandro torce por ao menos uma oportunidade e sabe que não
será suficiente ser apenas mais um se ela surgir. 
– Fico
tranquilo quanto a jogar ou não. Aprendi que você é importante jogando ou não.
Aí, vem uma frase que eu digo e define muito da minha carreira: “Se eu for
titular, tenho que ajudar. Se eu for reserva, tenho que entrar e
resolver”. É isso que levo e faz parte da minha vida. Confio muito no meu
potencial, na minha média dos últimos anos. Me baseio muito nas estatísticas.
Contra os números, não há argumentos. O treinador tem muito mais trabalho
comigo quando estou na reserva, porque quero treinar mais, fico chato, chego
cedo, saio por último… Me cobro muito. Não posso me acomodar. É algo que me
incomoda, mas sei o caminho para sair da reserva. 
A
desconfiança que é obrigado a vencer jogo a jogo no Flamengo não é novidade na
carreira do atacante. As passagens por Inter e Atlético-MG, por exemplo, também
foram marcadas por entradas e saídas do time titular. Os questionamentos
corriqueiros, por outro lado, são rebatidos pelo currículo: bicampeão da
Libertadores, passou por cinco dos 12 grandes do Brasil – além de ter sido
assediado recentemente pelo Grêmio. Alecgol garante não se sentir injustiçado,
mas admite que a criação do próprio apelido teve como motivação a badalação que
percebia em concorrentes. 
– É
difícil eu falar de mim, se acho que merecia mais valorização. Não é algo que
me incomode, mas vejo matérias e penso: Tem jogador com oito gols e vira
“Fulanogol”. Eu tenho mais de 300 e não sou Alecgol. Acabou e criei e
foi ficando. Começou um pouco no Inter depois no Vasco. Agora, virou marca, mas
só pegou porque faço gols.
Aos 34
anos, Alecsandro tem contrato com o Fla até o fim do ano e sequer pensa em
aposentadoria. Quando isso acontecer, a vida fora dos gramados já está
arrumada. Com uma gama variada de investimentos, pode se considerar um
empresário bem-sucedido e aconselha os mais jovens: 

Tenho investimentos, mas sou assalariado, tenho emprego. Se o investimento não
der certo, vou seguir com meu salário. Depois que parar, é um dinheiro perdido
e que não há como recuperar. É preciso se programar para ter direito ao
erro. 
Em um
dos três restaurantes do qual é sócio – indo para quarta unidade -, o camisa 9
do Flamengo recebeu o GloboEsporte.com para bate-papo sobre sua situação atual
no Flamengo, perspectivas para carreira, o trauma causado pela fratura na face
no ano passado e, lógico, a vida de empresário. Afinal, há ainda uma corretora,
uma loja em shopping, uma empresa de consultoria e uma franquia de marca de
relógio em sua cartela de investimentos. E ele não quer parar por aí.
Confira
a conversa na íntegra: 
O Flamengo começa o Brasileirão sem
reforços e vindo de uma campanha não muito boa no Carioca. Com qual perspectiva
o clube entra na competição? 
– O
Carioca já acabou e foi um teste para o Brasileiro. Acho que, de certa forma,
nossa equipe deu uma crescida, ganhou corpo para o que esperamos no Brasileiro.
Lógico que a contratação de jogadores é sempre importante e sou a favor. No
futebol, é preciso somar, fortalecer. Se for para contratar quem venha ajudar,
é sempre válido. O Vanderlei trabalha muito bem em cima disso. Pela grandeza do
campeonato, não podemos falar que vamos ser campeões, é uma disputa difícil.
Mas é um compromisso nosso figurar pelo menos em uma zona de Libertadores.
Estando entre os quatro, cinco, a probabilidade de ser campeão é maior. 
O que foi visto nos Estaduais pode ser
parâmetro na sua opinião? É possível apontar quais equipes estão na frente do
Flamengo, por exemplo? 

Podemos ver uma equipe nas quartas de final da Libertadores e mal na competição
local. Então, o futebol não nos permite comparar campeonatos e tê-los como
referência para o Brasileiro. Temos que crescer como equipe. Se o São Paulo não
foi para final do Paulista, o Corinthians, o Flamengo e o Fluminense no
Carioca, o Cruzeiro no Mineiro, quer dizer que não têm chance de serem
campeões? Temos que crescer como equipe e jogar bem. Assim, vamos conseguir um
sucesso maior e brigar pelo título. Acredito no futebol da concentração do
momento.
Mesmo sendo o artilheiro do clube no ano,
com dez gols – ao lado do Marcelo -, você começa o campeonato como reserva. De
que maneira encara a situação? 

Amadureci bastante e tive uma escola europeia. Pude jogar uma Liga dos Campeões
pelo Sporting, que é um grande europeu, e aprendi que é normal o rodízio de
jogadores. Não é algo que me incomode muito, mesmo sabendo que no Brasil não
existe isso. O cara é reserva ou titular. Em alguns jogos, o Vanderlei fez esse
rodízio para treinar formações e jogadores. Fico tranquilo quanto a jogar ou
não. Aprendi que você é importante jogando ou não. Aí, vem uma frase que eu
digo e define muito da minha carreira: “Se eu for titular, tenho que
ajudar. Se eu for reserva, tenho que entrar e resolver”. É isso que levo e
faz parte da minha vida. Confio muito no meu potencial, na minha média dos
últimos anos. Me baseio muito nas estatísticas. Contra os números, não há argumentos.
O treinador tem muito mais trabalho comigo quando estou na reserva, porque
quero treinar mais, fico chato, chego cedo, saio por último… Me cobro muito.
Não posso me acomodar. É algo que me incomoda, mas sei o caminho para sair da
reserva. 
Quando o Vanderlei vira e fala que no time
ideal dele o Marcelo será o centroavante, muda alguma coisa na sua maneira de
lidar com a situação? É mais complicado por envolver até mesmo uma mudança de
sistema tático? 
– Se
torna um pouco mais difícil quando o treinador expõe a opinião dele, mostrando
a prioridade e o que pensa. Você fala: “Pô, eu não sou opção, ele está
sendo claro”. Qual é o meu objetivo? Mostrar para ele que tenho condição
de ser opção, de ser útil, de dar a resposta, como venho dando. Esse é meu
objetivo maior: lutar contra um pensamento que já existe e foi exposto. Não
quero mostrar para que quero ser o 9, mas que posso ser o 9. Repito a minha
frase: “Se não estou jogando, tenho que entrar e resolver”. Preciso
mostrar ao treinador que pode contar comigo, que estou aqui. É o pensamento que
tenho.  
Quais foram os efeitos imediatos após esta
entrevista do Vanderlei? 
– Me
tranquiliza muito também que, depois da entrevista do Vanderlei, recebi
ligações de dois clubes perguntando se ia sair do Flamengo. O treinador não
falou que eu estava fora, só expôs com muita sinceridade a posição dele. Em
menos de 24 horas, dois clubes me procuraram. Se de repente não tiver espaço
aqui, vou ter ali ou em outro lugar. Mas minha vontade agora é conquistar o
espaço onde estou, no Flamengo. 
Mesmo sem ser titular absoluto, você foi o
jogador mais assediado na viagem a Salgueiro-PE, tomando o posto que sempre foi
do Léo Moura. Isso te surpreendeu? 
– O
Léo roubava muito isso nosso por ter muito carisma e merecia pela história no
clube. Não fiquei surpreso, fiquei feliz. Sei do carinho que tenho com o
torcedor. Fora de campo, viajo muito, gosto do Nordeste, e já imaginava que
seria assim. Mesmo quando o Léo estava, eu tinha essa valorização, mas não
chamava tanta a atenção porque o Léo levava tudo para ele. Fico feliz pelo
reconhecimento. Na última viagem, isso ficou bem claro. Até mesmo no jogo,
quando eu entrei em campo… Isso demonstra o bom trabalho e me dá muita força
e tranquilidade de estar no caminho certo. 
Por outro lado, ainda há muito
questionamento de diversos setores sobre você. Por mais que seu currículo
aponte dois títulos de Libertadores, passagem por cinco dos 12 grandes do Brasil,
ainda há quem duvide de você como grande figura de uma equipe. Você se sente
injustiçado? Acha que é pouco reconhecido neste sentido? 

Quando assinei contrato com minha assessoria no Rio, me falaram isso:
“Cara, você tem uma história que é uma das melhores como atacante em
relação a títulos e gols, mas a repercussão é muito menor do que outros que, às
vezes, nem têm título”. Só que eu nunca me preocupei com isso. Nunca quis
associar bons momentos e aproveitar para focar uma seleção brasileira, fazer
marketing… Não consigo dimensionar o que represento para o futebol. É difícil
eu falar de mim, se acho que merecia mais valorização. Não é algo que me
incomode, mas vejo matérias e penso. Tem jogador com oito gols e vira
“Fulanogol”. Eu tenho mais de 300 e não sou Alecgol. Acabou e criei e
foi ficando. Começou um pouco no Inter depois no Vasco. Agora, virou marca, mas
só pegou porque faço gols. 
Passados pouco mais de três meses de
temporada, quais os efeitos da fratura que você sofreu na face em 2014 no seu
dia a dia? É algo que te incomoda muito ainda? Dentro de campo, muda alguma
coisa? 
– A
cicatriz não é tão discreta. Pelo incidente, a cicatriz é o de menos, mas pela
vaidade, por ser no rosto, ainda procuro passar pomadas para diminuir, tentar
que passe despercebido para olhar no espelho e ver o menos possível. Dentro de
campo, eu não entro lembrando do episódio, mas teve um jogo com o Bonsucesso
onde uma bola quicou no meio-campo e fui para dividida com o volante. Neste
momento, lembrei. Tinha que colocar a cabeça e confesso que fiquei com medo,
tirei na hora, mas ele também tirou e a bola sobrou para mim. O futebol é muito
rápido. Não dá tempo para ficar pensando nisso nos cruzamentos, etc… 
Com 34 anos, já pensa em
aposentadoria? 
 – Tenho 34 anos, mas me sinto da mesma forma
de quando tinha 27, 28… Não vi muita diferença na parte física, não consigo
ver essa diferença. Me sinto igual, tanto que nessa última pré-temporada puxei
fila. Estou com o mesmo vigor e vontade, me recupero bem de jogos de quarta
para domingo. Já vi jogadores de 32, 33, não conseguirem, ficarem cansados. Eu
consigo graças também ao meu comportamento fora de campo, de me cuidar. Só vou
começar a pensar em encerrar quando tiver esses sintomas do meu corpo. Com a
experiência que tenho, consigo identificar isso quando estiver no limite. 
Por mais que não pense ainda em parar,
você é um cara que tem a vida estruturada fora do futebol. São muito
investimentos. Como surgiu o Alecsandro empresário?
– São
poucos jogadores que conseguem se programar para parar. Muitos são pegos de
surpresa. É preciso pensar no que fazer fora de campo. O cara não pode parar e
depois pensar em abrir uma academia, uma escolinha, etc… Não vejo muito esse
caminho. Como jogador, não há tempo de acompanhar de perto outra atividade, mas
me preocupo com isso. Vim de uma casa de Cohab, de Bauru. Meu pai foi jogador,
veio de um lugar pobre e ajudou a família, não teve tempo para guardar. Aprendi
muito com ele. Hoje, eu tenho investimentos, mas sou assalariado, tenho
emprego. Se o investimento não der certo, vou seguir com meu salário. Depois
que parar, é um dinheiro perdido e que não há como recuperar. É preciso se
programar para ter direito ao erro. Hoje, tenho um restaurante indo para quarta
casa, tenho participação em construtora em Fortaleza, tenho uma empresa
revolucionária, que cuida da vida particular do profissional, seja atleta ou
artista, vou abrir uma loja no shopping…

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