sábado, setembro 26, 2020
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Alexandre Kalil adianta planos da Liga Sul-Minas-Rio.

Bastidores
F.C. –  Alexandre Kalil, executivo-chefe
da Liga Sul-Minas-Rio declarou que o novo torneio não precisa do aval da CBF
para sair do papel. Nesta quinta-feira, Kalil encontrou-se com o presidente da
confederação, Marco Polo Del Nero, para apresentar o projeto da Liga. A
entidade pediu um prazo de dois dias para dar uma resposta.
– A
resposta que esperamos é “conte com a gente ou não conte com a
gente”. No mais, a Liga é legal do ponto de vista jurídico. A liga está
posta, o torneio está feito – afirmou Kalil ao GloboEsporte.com, por telefone,
poucas horas após o fim da reunião. Na entrevista a seguir, o ex-presidente do
Atlético-MG afirma que o Brasil está “30 anos atrasado” no assunto e
faz críticas duras à CBF.
Foi boa a reunião com a CBF?
Foi
ótima porque não houve confronto, não foi beligerante, não é para ter
rompimento ou confronto. Foi uma reunião de gente preparada. Não estávamos no
meio de moleques, de irresponsáveis. Mas sim de gente preocupada com a
modernização do futebol brasileiro.
O senhor falou que o torneio teria seis
datas. Antes falava-se em oito.
Todo
mundo tem que horar os contratos assinados para o primeiro semestre. Vamos
criar esse produto novo, mas vamos cumprir os contratos que já existem. Temos
obrigação de cumprir. Não podemos pregar seriedade e valorização do produto se
não cumprirmos o que já assinamos.
Isso envolve jogar os estaduais com time
principal?
Não
tem nenhum contrato que fale em time A, time B. Cada um faz como quer, ou como
já fazia. O Atlético-PR já joga o estadual com reservas.
A Liga já negocia transmissão de
televisão?
Ainda
não. Acabamos de avisar ao mundo que temos um produto.
O sr. espera a adesão de novos
participantes?
Não
sei. Não tenho nem ideia. Mas é claro que estamos abertos. É um negócio novo,
bacana, esperamos que todo mundo queira. É um produto valorizado, só com time
grande.
O sr. diz que não é para haver rompimento,
confronto, mas trata-se de um desafio às Federações Estaduais…
Nós
estamos preparados para tudo. Somos dirigentes responsáveis.
Uma consequência da criação da Liga é o
enfraquecimento das Federações.
Liga
nunca pagou minhas contas. Toda vez que foi ao Atlético-MG, em seis anos que
estive lá, foi para pedir algo. Isso não interessa a mim. Vão ficar mamando e
chupando os clubes até morrer? A vampiragem tem limites. [As federações] têm
que abrir mão de alguma coisa. Ou vamos morrer todos abraçados, é questão de
sobrevivência. Nós não estamos inventando nada. A Liga copiou tudo. O cara que
toma conta da Liga, que sou eu, não pode ser presidente de clube, não pode ter
cargo público, não pode um monte de coisa, para poder se dedicar. Nós não
queremos matar as federações, só não queremos morrer de fome. A Liga está
amparada pela Lei Pelé, ela não é a primeira, já existe a do Nordeste a a Copa
Verde. A CBF vai proibir de fazer o bem? Sob qual argumento? Temos que descer o
futebol para o mundo real. Estamos fazendo a Liga com 30 anos de atraso.
A Liga Sul-Minas-Rio tem pretensões
nacionais?
um
embrião. Estou gritando isso faz mais de dez anos. E agora chegou ao caos
absoluto, que tem gente presa, gente banida, agora vão nos dar a chance de
fazer.
É um momento de enfraquecimento da CBF.
Claro.
Tudo é oportunidade. A Liga inglesa surgiu com a Margareth Thacher, quando ela
limpou tudo por lá.
O futebol brasileiro precisa de limpeza? A
CBF precisa de limpeza?
O
futebol brasileiro de uma conta simples: quem vende, tem que cuidar. Quando
houver a Liga, vamos cuidar da Série A, B, C, da quarta divisão. Vamos ter
responsabilidade na hora de dividir. Não adianta pensar que eu tenho que ganhar
mais que os outros.
O sr. defende divisão igual de cotas
comerciais, de TV, patrocínio?
Um
negócio mais generoso. Estamos falando de generosidade. Não vamos fazer mal a
quem nos ajuda. Se você maltratar a cozinheira, ela vai embora e você vai ter
que comer pão com manteiga. Faz parte da minha vida. Pode não ter a condição
que eu tenho, mas faz parte da minha vida. Onde eu vou buscar jogador? Na
segunda divisão, na terceira divisão, na base.
A CBF não cuida bem do futebol brasileiro
hoje?
Deixa
eu te corrigir: não é hoje, não. Nunca cuidou. A CBF sucateou o futebol para
fazer aquele império. Não é hoje, não é agora. Faz 30 anos que ninguém cuida do
futebol brasileiro.
Mas os clubes não têm responsabilidade
nisso? O presidente da CBF foi eleito por unanimidade, o anterior também.
Mas
espera. E daí? Se errou antes vai continuar errando ad eternum? Agora
resolvamos que não vamos mais errar. É como você dizer que adoçante engorda
porque só gordo toma aquilo.
O sr. espera alguma resistência à Liga?
Não.
Não espero resistência de lugar nenhum.
O Corinthians, por exemplo, diz que não se
interessa.
Eles
podem estar felizes lá, a gente vai estar feliz aqui.
Marco Polo Del Nero tem que continuar na
presidência da CBF?
Não
acho nada. Hoje eu assumi responsabilidades com a Liga. Tem coisas para as
quais eu não sou chamado. Eu acho que a Liga tem que dar certo e vai ser tudo
bem. Ponto final.
Quando projeta que a Liga pode substituir
o Campeonato Brasileiro?
Esse
tipo de coisa só nasce quando há vontade dos clubes. Eu não criei a Liga. Só
soube depois. Os caras se juntaram, tiveram vontade e vão fazer. No dia que os
clubes todos quiserem, vão fazer. O Corinthians pode estar feliz lá e nós aqui,
mas daqui a pouco, se for bom para todos, chamam os paulistas, os outros…
A Liga defende algum tipo de teto
salarial, como na NBA, por exemplo?
Não,
não. Isso é mercado. Tem que ter juízo. A falta de juízo é que nos levou a esse
caos. Tem gente com dez folhas de pagamento em atraso. Não há felicidade
possível quando você deve dez salários, dez meses de direito de imagem.
O sr. defende profissionalização da
arbitragem?
Claro.
Como a liga pode ajudar?
Muito.
Acho que precisamos ter um diretor de arbitragem, alguém que entenda muito
disso, que possa escolher os árbitros de cada jogo.
O sr. está gostando do Brasileirão?
Muito.
É espetacular, é espetacular.
O que falta?
Falta
pagar melhor.
Quem?
Todo
mundo. Todo mundo tem que pagar mais.
O que o sr. espera como resposta da CBF à
reunião de hoje?
 A resposta que esperamos é “conte com a
gente ou não conte com a gente”. No mais, a Liga é legal do ponto de vista
jurídico. A liga está posta, o torneio está feito
Sai de qualquer jeito?
É
claro que sim. Só queremos saber se são nossos amigos ou não.

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