terça-feira, setembro 22, 2020
Início Notícias Alexandre Mattos quer Valdívia longe.

Alexandre Mattos quer Valdívia longe.

Cosme
Rimoli – Alexandre Mattos aprendeu no América Mineiro, onde começou. Observava
como os rivais Cruzeiro e Atlético agiam de forma amadora. Pensava no que faria
se tivesse os recursos da dupla poderosa de Belo Horizonte. A oportunidade
surgiu em 2012. Quando foi convidado para trabalhar no Cruzeiro.

Logo
ao chegar mostrou seu maior ensinamento. O de ser prático. Para ele, o grande
problema dos dirigentes sempre foi agir como torcedores. Se apegar aos
jogadores, geralmente o ídolo. O importante era analisar a situação com
clareza, firmeza. Como se fosse em uma empresa. Foi assim que agiu com Montillo
e Diego Souza.
O
argentino era o grande ídolo cruzeirense. A torcida o adorava. Mas ele dava
demonstrações de instabilidade. E sofria muito como problemas com Santino, seu
segundo filho. Nascido com Síndrome de Down, a adaptação familiar estava sendo
muito difícil. Principalmente com as ausências obrigatórias do pai, como
jogador de futebol.
A
situação estava ficando insustentável, mas a cúpula cruzeirense não queria
abrir mão do seu ídolo maior. Ainda mais que equipes como Corinthians,
Flamengo, Grêmio e São Paulo procuraram diretamente seu procurador. Havia a
necessidade de uma profunda reformulação no elenco.Só que os cofres estavam
vazios. Foi quando Alexandre marcou uma reunião com o presidente Gilvan
Tavares. Tinha uma proposta real firme do Santos.
O
clube do litoral paulista havia sido ético e o procurado primeiro, querendo
comprar o atleta. Gilvan titubeou. Mattos afirmou que a hora era de vender. E
se comprometeu com o dinheiro montar a base de um novo time. O dirigente
acreditou e liberou a transação. Foram seis milhões de euros, na época, R$ 16,2
milhões, por 60% dos direitos que pertenciam ao Cruzeiro. E mais o retorno do
volante Henrique.
O
jogador que deveria ser o substituto de Montillo, na idolatria da torcida,
tinha nome e sobrenome. Diego Souza. A transação havia sido acertada dois meses
antes da saía do argentino. Mattos usou a sua rapidez e se antecipou a vários
concorrentes e fechou com o jogador com problemas contratuais com o Al Ittihad
da Arábia Saudita. Firmou contrato de três anos.
Mas
bastaram os primeiros meses, o egocentrismo e a dificuldade em entrar em forma
do meia ficaram nítidos. Em sete meses ele já era despachado para o Metalist.
Lucrou R$ 9 milhões e ainda ficou com o atacante Willian emprestado por um ano.
Ainda se livrou de R$ 400 mil em salários. Negócio que o tempo mostrou ser
excelente. Assim como a venda de Montillo. O dinheiro da negociação dos dois
foi fundamental na formação do atual bicampeão brasileiro.
Essas
experiências com Montillo e Diego Souza fortaleceram a certeza de Mattos:
Valdivia tem de ir embora do Palmeiras, não renovar. O dirigente já vem
defendendo essa tese desde que foi contratado. Considera o maior erro de Paulo
Nobre essa dependência do chileno. A dos torcedores, Alexandre compreende.
Coloca na conta da paixão irracional. Da angústia do trauma de dois
rebaixamentos seguidos e de times lastimáveis formados por diretorias
incompetentes.
Mas
não perdoa a devoção do presidente do clube, executivo, bilionário investidor
financeiro. Toda frieza e objetividade de Paulo Nobre terminam quando o assunto
é Valdivia. Ele se incomoda com a postura firme do dirigente. Sabe que ele não
deseja a renovação com o jogador. Já ouviu os argumentos irrefutáveis que ele
não atuou nem metade das partidas que o Palmeiras disputou nos últimos cinco
anos. Do quanto tumultuou os departamentos médico e de fisioterapia do clube,
levando muito mais tempo para se recuperar de contusões comuns. Nesses períodos
de recuperação foi visto em baladas e até Carnaval.
Mas
Nobre continua firme. E foi duro com a direção do Cruzeiro que procurou o pai
do atleta, tentando contratá-lo. Pediu ética. E disse que deseja seguir com
ele. Gilvan Tavares se desculpou e disse que não assediaria mais o jogador.
Mattos
aprendeu com Marcelo Oliveira a importância do respeito dos jogadores ao
treinador, à hierarquia. Sabe que os abusos, os privilégios sabotam o ambiente
de qualquer time de futebol. O que Valdivia fez no jogo contra o Corinthians
foi deprimente. Ao ver que seria substituído, as câmeras flagraram ele falando
claramente ‘p* que o pariu’. Depois caminhou em direção ao banco. Oswaldo de
Oliveira costuma cumprimentar os atletas que tira das partidas. O chileno sabe
disso. O treinador andou na sua direção. Sua mão ficou no ar, enquanto gritava
“Val”, “Val”. O jogador seguiu reto. Desmoralização.
No
Palmeiras todos tentaram minimizar a situação. Valdivia ironizou, disse que não
ouviu. Oswaldo preferiu comemorar a vitória nos pênaltis. Paulo Nobre não quis
nem comentar o assunto. Como se não tivesse existido. Assim agiram quase todos
no Palestra Itália, afinal, amanhã o clube começa a decidir o Paulista. Todos
os ingressos no seu estádio foram vendidos. Um sucesso. Não haveria porque
tocar em fatos negativos. Como a humilhação que sofreu do jogador que só apoiou
desde que foi contratado.
Mas
não é o que pensa Alexandre Mattos. Ele ficou mais certo ainda de que não vale
a pena sequer pensar em renovar o contrato do meia. Tanto que contratou Cleiton
Xavier, Robinho, Alan Patrick para a posição. E também apostou no chileno
Arancibia, de 18 anos, apontado como grande revelação do futebol andino.
Fora o
grande sonho: o argentino Conca, que será mais uma vez sondado. Empresários
afirmam que, outra vez, ele já estaria disposto a voltar da China. O Palmeiras
deve tentar seu empréstimo do Shanghai SIPG. Isso se aceitar reduzir seu
incrível salário de R$ 2 milhões. Se não der certo, Mattos quer outro meia de
prestígio, menos Valdivia.
Oswaldo
acompanhava de perto, brigava pela permanência de Valdivia. Mas está muito
desgostoso pela humilhação que passou no domingo. Deixou de ser fervoroso
defensor do jogador. Pelo contrário, até. Só quer, se ele sair, um atleta com
grande potencial para a posição fundamental no time.
A
contusão no joelho esquerdo que o impedirá de atuar amanhã contra o Santos,
deveria ter ficado em segredo. Ser uma surpresa para Marcelo Fernandes. Mas
inexplicavelmente vazou. Os dirigentes querem saber quem passou a informação
aos jornalistas. E qual o interesse.
Desde
2008, quando o ex-presidente Belluzzo comprometeu R$ 23 milhões para trazê-lo
de volta, o Palmeiras só pôde utilizá-lo em 141 partidas. Como o clube jogou
320 vezes, o meia ficou de fora 159 vezes, exatos 56%. E conseguiu marcar em
cinco anos apenas 17 gols.
Perdeu
a fase decisiva da Sul-Americana de 2010 por causa de uma fibrose na coxa
esquerda; em 2011, rompeu o músculo posterior da coxa esquerda ao tentar o
‘chute no vácuo’ contra o Corinthians. Não jogou na eliminação da Copa do
Brasil para o Coritiba. Em 2012, foi expulso no primeiro jogo na decisão da
Copa do Brasil. Nos jogos decisivos do Brasileiro, do mesmo ano, que culminaram
com o rebaixamento, ele também não estava: teve uma contusão no joelho direito.
Em
2013, distensão na coxa direita o tirou das quartas-de-final do Paulista e das
oitava da Libertadores, contra o Tijuana. Na Copa do Brasil, quando o Palmeiras
foi eliminado pelo Atlético Paranaense, não jogou por causa de um edema. Em
2014, jogou a semifinal do Paulista contra o Ituano machucado e o time foi
eliminado. Também entrou contundido na partida em que o Atlético Mineiro tirou
o clube da Copa do Brasil. Atuou contundido na partida contra o Atlético
Paranaense. Por isso ficou mais de três meses sem jogar em 2015. E já ficará de
fora amanhã, no primeiro jogo decisivo do Paulista contra o Santos.
Valdivia
ganha R$ 475 mil desde agosto de 2010. Completando cinco anos serão R$ 23
milhões e setecentos e cinquenta mil reais de custos, só de salários. Fora os
encargos, impostos. No total, o meia custará ao Palmeiras cerca de R$ 50 milhões
neste seu retorno.
O
jogador completará 32 anos em outubro. O executivo do futebol espera que Paulo
Nobre tenha o mínimo de consciência para perceber o erro que será renovar com o
meia. Mas há o temor: a alegria pela eventual conquista do Paulista pode
novamente fazer com que o presidente continue a agir como torcedor. E ofereça
mais dois anos de regalias ao chileno.
Infelizmente,
Alexandre Mattos não está podendo ser o executivo competente que tanto sucesso
fez em Minas Gerais. O incrível amadorismo de Paulo Nobre, em relação a
Valdivia, não deixa…
(Em
mais um capítulo da absurda passagem de Valdivia no Palmeiras, ele pediu para
treinar hoje. Foi uma prática leve. Continua com o edema no joelho esquerdo.
Mas está relacionado e está concentrado para a partida de amanhã. Pode ser um
blefe. Precipitação. Uma recuperação milagrosa. Risco para Oswaldo ter de
substituir um jogador que vai entrar em campo contundido.

Com o
Valdivia é sempre assim. O que acontece hoje dá a medida de quanto o chileno
faz o que quer no Palestra Itália. E o clube se submete…)

MAIS LIDOS

Domenec agradece: Conheça os jovens jogadores chamados ao Equador

Domenec terá quatro jogadores pouco conhecidas por ele (e até nós) para a partida desta terça-feira pela Libertadores. Natan, João Lucas, Guilherme Bala e...

Torcedores pedem para adiar o jogo do Flamengo

O Flamengo confirmou nesta segunda-feira o sétimo contaminado pelo Novo Coronavírus. Com tantos desfalques e risco iminente de um surto dentro do Rubro-negro, com...

O futebol não foge do mundo exterior

Desde que o Flamengo anunciou seus infectados, torcedores tem buscado nas redes sociais "explicações" para isso ter acontecido, como se o futebol fosse aquém...

Onde assistir Barcelona x Flamengo ao vivo

O Flamengo não está vivendo dias fáceis. Enquanto no Brasileirão vem de uma dura derrota para o Ceará, na Libertadores o Rubro-negro passou uma...