segunda-feira, setembro 21, 2020
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Alexandre Póvoa prega união da Chapa Azul nas eleições.

Livro
A Nação – Caros sócios e Nação rubro-negra,

duas semanas, foi anunciado, em reunião que não participei por estar fora do
Rio de Janeiro, que a antiga Chapa Azul, vencedora do pleito de 2012, estaria
se dividindo em duas alas (ambas formadas por excelentes pessoas) para a
disputa das eleições para a Presidência do Flamengo, a serem realizadas ao
final de 2015. Quase que imediatamente, mesmo acostumado com a complicada vida
política do nosso clube, recebi por diversas fontes, com surpresa, o anúncio do
meu nome apoiando, ao mesmo tempo, à cada uma das duas candidaturas, que
surgiram dessa divisão. Para completar, também chegaram a mim a publicação de
alguns gentis e-mails que sugeriam o meu nome como candidato ao pleito
presidencial.  Portanto, acho necessário me
posicionar.
Antes,
uma introdução importante. Cada um tem sua raiz que nos liga ao Flamengo: Tenho
consciência que a grande maioria dos torcedores do Flamengo enxerga o futebol
“da primeira à décima prioridade” na escala de paixão rubro-negra.  De dirigentes a torcedores, passando pelos
nossos blogs rubro-negros, “99% dos olhos” estão voltados ao futebol e o humor
da segunda-feira normalmente é definido pelo resultado de domingo.
Respeito
a todos, mas para quem não me conhece, lembro a minha história no clube, da
qual me orgulho muito: Meu falecido pai foi Grande Benemérito e tenho a honra
de ser atleta laureado de basquete, tendo como maior troféu da minha vida ter
usado o Manto Sagrado dos 13 a 24 anos de idade. Hoje, meu filho de 9 anos me
emociona vestindo também o Manto Sagrado, dessa vez no futsal.  São várias gerações da família defendendo o
Flamengo. Sou sócio há 33 anos em quatro níveis: Sócio laureado, Sócio
proprietário, Sócio emérito e Sócio torcedor (+ Paixão). Para mim, a Gávea é
minha segunda casa, devo metade da minha formação pessoal à minha família e os
outros 50% à minha vida como atleta do Flamengo. Apesar de estar presente,
desde a minha mais tenra infância, em todos os domingos e quartas ao Maracanã e
em diversos estádios de futebol, minha profunda raiz me faz enxergar o Flamengo
em uma dimensão muito mais ampla. Vibro com a inauguração do novo dojo ou da
futura nova piscina olímpica como em cada gol do Guerrero. Lutar pela Arena da
Gávea (Esportes Olímpicos) me motiva tanto quanto lutar pelo nosso sonhado
estádio. O recente título mundial de basquete me gerou emoção equivalente
àquela madrugada de Tóquio, quando ainda era criança. Afinal, só existem três
clubes no mundo que são campeões mundiais de futebol e basquete: Flamengo, Real
Madrid e Barcelona (colocados na ordem correta!).
O
Flamengo, para mim, é único e indivisível: Futebol, Gávea e Esportes Olímpicos.
Novamente, respeito a todos, mas costumo brincar ao dizer aos “amigos 100%
futebol” de que eles não conhecem a verdadeira dimensão se ser rubro-negro por
completo. Com esse ideal (obviamente, com o futebol sendo o grande carro-chefe
do clube) e, acreditando muito no grupo que ofereceu seu tempo, credibilidade e
prestígio na construção de uma proposta de literalmente mudar o Flamengo,
aceitei o honroso convite para ser o VP de Esportes Olímpicos (feito à época
pelo Bap), para tomar parte do Conselho Diretor que traçou as estratégias
gerais da verdadeira revolução realizada no clube e, mais recentemente, para
participar do Conselho de Futebol. Tenho enorme orgulho de ter trabalhado com o
Eduardo, Bap, Wallim, Dr. Walter, Tostes, Claudio, Landim, Flávio, Gustavo,
Wrobel, Biscotto, Rafael e entre tantos outros companheiros VPs que recuperaram
o Flamengo nos últimos dois anos e meio, juntamente com a colaboração decisiva
dos antigos e novos conselheiros e de vários grupos políticos formados por
grandes rubro-negros (não vou nominá-los, para não correr o risco de esquecer
algum).
Na
pasta de Esportes Olímpicos, acredito que as realizações falam por si mesmas.
Atingimos nossa “suada” autossustentabilidade total em relação ao resto do
clube e entregaremos todas as áreas esportivas reformadas ou inteiramente novas
na Gávea até o final de 2015.  Mantivemos
o nível técnico histórico (23 atletas e cinco profissionais presentes no último
Pan Americano e a média de três títulos por mês entre as diversas modalidades,
desde 2013). A cereja no bolo foi representada pelas conquistas do nosso
basquete “Campeão de Tudo” – deca estadual, tri brasileiro, Liga das Américas e
nossa maior glória – o Mundial Interclubes – além dos convites para jogos
contra equipes da NBA. Deixando claro que as conquistas foram do grupo, com o
apoio total da presidência e dos diversos VPs, dentro da difícil realidade dos
Esportes Olímpicos.
É com
o sentimento de enorme decepção e tristeza que eu assisto agora o surgimento de
duas candidaturas dentro do mesmo grupo. Não cabe a mim julgar a postura de A,
B ou C nesse processo, todos são grandes rubro-negros com o democrático e
legítimo direito de se posicionar. Mas é lamentável e frustrante essa cisão
após termos caminhado juntos na parte mais difícil da estrada, quando juntos
salvamos o Flamengo de uma situação de quase ingovernabilidade financeira e nos
tornamos exemplos para o país na questão da luta pela responsabilidade fiscal
do esporte. Vislumbramos, a partir dos próximos anos, excelentes perspectivas
para mudarmos de patamar, recolocando o Flamengo no lugar em que ele merece no
futebol e esportes olímpicos, além do potencial renascimento como clube social.  Tenho a convicção que o futebol voltará aos
seus tempos de glória muito em breve. Não simplesmente contratando, como é o
clamor simplório recorrente, mas reaprendendo a fazer um grande trabalho de
grupo, como exige qualquer esporte coletivo, combinado com a força de nossa
camisa.
Evidentemente,
cometemos muitos erros também que precisam ser corrigidos – sou muito crítico e
faço questão de colocar explicitamente as minhas opiniões internamente – com a
ajuda de todos os rubro-negros, da jovem e da velha guarda, até porque a
história gloriosa do Flamengo começou 117 anos antes dessa administração. A
verdadeira modernidade consiste em nos prepararmos diariamente para a evolução
que o futuro nos impõe, mas sem jamais nos esquecermos de nossas tradições e de
nossas raízes, em outras palavras, das pessoas – que de forma amadora ou
profissional – ajudaram a construir a grandeza do Flamengo.
Tenho
recebido dezenas de contatos de amigos e desconhecidos, a maioria atônita e
decepcionada com essa divisão, me perguntando sobre “de qual lado eu vou
ficar”. Já inventaram o “Azul-Turquesa, o Azul-Marinho e outros tons de azul”
para a campanha. Diante desse cenário, para mim, é muito fácil a resposta. Eu
sempre estarei do lado do Flamengo, em qualquer circunstância! O que é melhor
para o Flamengo nesse momento? Já comuniquei que certamente, pelo menos eu, não
serei mais um a contribuir para que o Flamengo saia ainda mais prejudicado com
essa cisão. A descontinuidade – independente da minha pessoa – do trabalho que
está sendo realizado nos Esportes Olímpicos, pelo menos até a Olimpíada de 2016
– seria trágica para o clube nesse momento de piora do cenário econômico do
país. São mais de 700 atletas e 150 profissionais, que esperaram e lutaram por
décadas por esse momento do esporte olímpico do Flamengo e não temos o direito
de decepcioná-los.
Portanto,
vou atuar nesse processo eleitoral como bombeiro, de hoje até dezembro, para
que essa divisão seja revertida até lá. Temos que preservar e construir pontes
que não podem, de forma alguma, ser ameaçadas de implosão com declarações e
atitudes no calor da emoção, que inevitavelmente surgirão em uma campanha
eleitoral. Ou que, pelo menos, após as eleições, o grupo (caso saia vencedor
com uma das vertentes) volte a caminhar junto na continuidade da reconstrução
do Flamengo, dado que os desafios são ainda imensos. Minha posição é que
lutarei, até o fim, com todas as minhas forças, pela unidade da antiga Chapa
Azul (com a adição de todas as correntes do clube que possuam a mesma filosofia).
Convoco a todos os rubro-negros, que apoiam as transformações realizadas no
Flamengo desde 2013, a fazerem o mesmo. Essa divisão é péssima para o Flamengo
e ameaça as enormes conquistas que atingimos até agora.
Sou
testemunha da histórica luta – quase de sobrevivência – dos esportes olímpicos
dentro no Brasil e no Flamengo em particular. Poucos ajudam,  portas dificilmente estão abertas, seja no
setor público ou, principalmente, no segmento privado. Portanto, nosso clube
tem que aproveitar ao máximo o ciclo olímpico para conseguir mudar de patamar–
desde a reformulação da estrutura física da Gávea até o nosso projeto em
desenvolvimento de ciência integrada e aplicada do esporte (Projeto Cuidar),
passando pela manutenção e reforço de todas as modalidades. A maioria das
pessoas não tem a menor ideia da nossa árdua luta nos últimos 30 meses em um
país de infeliz monocultura esportiva e que enxerga o esporte como simples
lazer e não como instrumento de transformação na vida das pessoas.  Estamos em meio ao desenvolvimento de uma
parceria ambiciosa com o Comitê Olímpico dos EUA, que se ampliou profundamente
na nossa gestão. Outras parcerias com outros comitês estão sendo discutidas.
Vários projetos oriundos de Leis de Incentivo e programas (ICMS, IR, Lei Pelé) estão
em momentos importantes. Nosso Projeto Anjo da Guarda conclama a participação
de todos os rubro-negros que pagam Imposto de Renda. Nosso basquete campeão do
mundo quer continuar no topo e estamos tentando, com enormes dificuldades,
voltar à Superliga de Vôlei. O desvio da atenção dessa luta para qualquer
embate político seria irresponsável e temerário para o nosso clube, sobretudo
entre forças que tanto contribuíram para chegarmos a esse momento. Recuso-me a
fazê-lo, pelo bem do Flamengo. É hora de total tranquilidade para completar
esse ciclo, que me desculpem os amantes de um lado ou do outro, mas o Flamengo
estará para mim sempre à frente de qualquer outra prioridade pessoal. Essa
minha missão até o final do ano, apesar de extremamente desgastante em termos
pessoais, é mais importante para o clube. 
Mas é claro que o cargo de qualquer vice-presidente, seja nesse termo ou
no próximo, independente de nomes, está obviamente sempre em aberto, seja pela
minha vontade de sair ou pelo desejo do atual ou do futuro presidente.  Mas pelo menos o caminho estará pronto para
quem vier a me suceder e o Flamengo multiplicará suas chances de continuar
grande como sempre foi.
Portanto,
minha posição nesse momento é de continuar na minha trincheira lutando pelo
nosso clube, como VP de Esportes Olímpicos e participante do Conselho do
Futebol, sem tomar partido e buscando a união de um grupo no qual tanto
acreditei e que, como rubro-negro, tenho orgulho de estar participando. Vou
continuar cobrando diariamente, como sempre fiz nesses últimos dois anos e
meio, a busca pela excelência e pela correção de rumos em áreas
específicas.  Com essa lamentável cisão,
serei neutro em termos de nomes, mas defenderei nas eleições de 2015 as realizações
desse grupo, a partir de contribuições fundamentais das duas alas que se
formam. No caso do sucesso dos esportes olímpicos (modéstia à parte), todos
participaram de alguma forma. Clamo a todos os verdadeiros rubro-negros que
nunca deixem de ajudar o Flamengo por conta do candidato A,B ou C.
Ouço
todos os pré-candidatos, imprensa e blogs se focando somente no futebol, nossa
grande paixão. Porém, é inegociável o meu compromisso com um Flamengo único,
indivisível, tendo obviamente o futebol como o grande carro-chefe, mas sendo
também forte e vencedor como clube multiesportivo e social. O Flamengo é
diferente de qualquer outro clube de futebol do mundo por essa grandeza. Se não
pensarmos assim, é o primeiro passo para sermos iguais aos outros.
Minha
preocupação não é nem tanto com o “2016 em diante”, pois tenho certeza que, se
qualquer uma das duas alas vencer a eleição, o Flamengo estará ainda no caminho
correto (independente da minha presença). O maior desafio é chegarmos bem até
lá, do ponto de vista de continuidade da reestruturação e do atingimento de
resultados esportivos e, mais importante, com as pontes preservadas.
Quanto
à proposição do meu nome ao cargo máximo do nosso clube, fico bastante honrado
e agradeço a quem se lembrou de mim. Sem querer ser pretensioso, tornar-me
Presidente do Flamengo algum dia não é somente um sonho, trata-se de um desejo
real para o qual pretendo trabalhar muito para concretizar mais adiante, como
uma consequência natural da minha vida dentro do clube. Porém, infelizmente,
para mim, por questões profissionais e de estágio de vida, hoje é completamente
impossível me dedicar de forma integral e assumir esse desafio nesse momento.
Sei da responsabilidade de ser presidente dessa Nação. Tudo tem a sua hora na
vida e tenho certeza que, quando esse momento chegar, estarei pronto para
oferecer o meu nome.  Até esse dia, vou
fazer o meu máximo, como em toda a minha vida, sendo dirigente, conselheiro,
sócio, atleta ou na condição de mais um torcedor de arquibancada, para fazer o
que realmente me importa: Retribuir ao Flamengo, todos os dias, de alguma
forma, um pouco de tudo que esse clube me deu, desde a minha formação pessoal
dentro da Gávea até as grandes alegrias proporcionadas por essa Paixão.
Saudações
rubro-negras,
Alexandre
Póvoa
VP
Esportes Olímpicos

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