Alexandre Póvoa solta o verbo sobre polêmica com Tyrone.

Por: Fla hoje

Staff Images/Flamengo

GARRAFÃO
RUBRO-NEGRO
: por Rafael Rezende

Na
apresentação de Hakeem Rollins, Alexandre Póvoa pegou a palavra e expôs sua
insatisfação com a exclusão dos clubes brasileiros da Liga das Américas. O
Vice-Presidente de Esportes Olímpicos se mostrou inconformado com a punição por
conta da CBB e afirmou, que se necessário, o Flamengo irá processar todas as
entidades envolvidas. Mas não parou por aí. Ao fim da coletiva, o Dirigente
conversou por cerca de trinta minutos com o Garrafão Rubro-Negro e abordou mais
assuntos polêmicos, como o lance que agravou a torção de tornozelo de
Marcelinho Machado. Confira a entrevista completa na íntegra a seguir.
Saída
forçada da LDA
“A
estratégia foi combinada com a Liga Nacional de Basquete, pois a gente não
ficaria brigando com FIBA e CBB no momento em que estávamos negociando uma
possível volta para a Liga das Américas. Fizemos o acordado, mas chegamos no
limite. A competição começa hoje e o Flamengo tem obrigação de se posicionar.
Existe o lado pragmático, de um clube que foi protagonista nos últimos quatro
anos. Nós ajudamos na projeção da FIBA Américas no mundo e, na hora que
precisamos do bom senso deles, para disputar um campeonato, não aconteceu. Nós
não poderíamos jogar um Mundial sem o vínculo que existe entre LNB e Federação.
Os principais clubes europeus se separaram, então, se tivéssemos vencido a
edição passada, iríamos enfrentar o camoeão da Liga Europa, e não o da Euroliga.
Por que aqui ainda não existe separação? É simples, nós precisamos do
crescimento. O que eu lamento é que, na hora H, a decisão foi tomada sem
justiça.”
Imbróglio
envolvendo CBB, FIBA e LNB
“Foi
o que eu acabei de exemplificar. Você tem o corpo podre do basquete brasileiro,
que está doente, e tem o outro, totalmente bom. No momento do ataque, sobra
para quem justamente faz o certo. Isso não tem o menor sentido. Se a FIBA quer
o bem do nosso esporte, intervir e prejudicar a Liga das Américas é um tiro no
pé horroroso. Não tem lógica e foi o que tentamos mostrar, mas sinceramente,
estou percebendo uma intransigência muito grande. Espero que não exista nada
por trás. A LNB, por ser independente, incomoda algumas Confederações e
Federações. Vimos, recentemente, que a CBB partiu para o confronto contra uma
instituição que só a ajudou. A obrigação era fomentar seleções e categorias de
base no Brasil. O que aconteceu? Temos equipes que não vão disputar suas
competições. Essa formação é péssima. E o NBB, que contribui com a LDB, sai
prejudicado. É uma decisão estranha, mas nós vamos continuar lutando para que
haja uma reviravolta. Caso não seja confirmada a participação, o Flamengo, em
razão do conjunto da obra, irá acionar e processar todos os órgãos que prejudicaram
o clube nessa situação.”
Danos ao Fla
“Não
é um prejuízo pontual, como o valor da premiação. Posso até listar alguns, por
exemplo, a procura por patrocínio. É óbvio que, com o Flamengo fora da Liga das
Américas, isso prejudicou. Ano que vem, quando eu for renovar com um
patrocinador, ele vai perguntar o que ganhei. Pode ser só o NBB. Sem chance de
vencer a maior competição do continente e disputar o Mundial. Fica difícil
conseguir enfrentar uma franquia da NBA. Nós conquistamos a vaga dentro da
quadra e, depois termos sediado dois Final Four, com investimento alto e risco
enorme, acontece esse tipo de coisa. Tivemos perdas, mas cumprimos com as
nossas obrigações. É algo paradoxal logo conosco, que passamos por um processo
de reestruturação financeira e fizemos sacrifícios. Viramos exemplo de clube
cidadão e nos eliminam de um torneio invés de combater uma Confederação. Ainda
assim, vamos lutar até o fim pela presença.”
Prazo extra dado para resolução do caso
“Sou
muito honesto em relação a isso. A punição ocorreu no dia 14 de novembro e
estamos discutindo há mais de dois meses… Não começou nessa semana. Colocamos
todos os argumentos. Não é só o Flamengo que está envolvido, tem a Liga, que
está sendo representada por Domenici e Kouros. E quais são os sintomas que
percebemos? O primeiro, é que a FIBA enrola, exige que a LNB faça um
posicionamento, envolva o Ministro e peça ajuda ao COB. Com todo respeito que o
Comitê Olímpico merece, não dá para querer o torneio nacional. E a Federação,
que deveria ter um interesse próprio, não percebe que a exclusão dos times
brasileiros é ruim, pelo menos a princípio. Normalmente, a tabela é lançada em
cima, no meio de dezembro. Nessa temporada, estranhamente, saiu logo depois da
decisão. O que me leva a acreditar que não há interesse. Será que querem
promover o basquete argentino? Pois a Venezuela, que ganhou ano passado, já
sumiu do mapa. Estou sendo realista, os argumentos estão na mesa. Agora, tem a
hipótese da criação de um novo grupo no fim de fevereiro, com Bauru, Flamengo,
Mogi e outra equipe. Seria uma dificuldade imensa. Eu trabalho no mercado
financeiro, com evidências e fatos. Então, acredito que a FIBA não quer voltar
atrás. Espero que prevaleça o correto e, caso aconteça, vou aplaudir.”
Momento
da modalidade no Brasil
“Eu
diria que é perigoso, apesar de termos avançado bastante nos últimos nove anos.
É só comparar o que era o basquete brasileiro antes disso. Na década 80, quando
eu jogava pelo Flamengo, era o segundo esporte do país. Depois, chegou a ser
quinto e ou sexto, basta olhar os números. Hoje, está caminhando em passos
largos e se tornando o terceiro. Existe uma crescente com a NBA, que vem
ajudando. A Rede Globo vai transmitir as finais e, com isso, puxar o NBB junto.
Mesmo com todas as dificuldades, a Liga Nacional está indo bem. Já as
Federações, estão falidas. A do Rio não tem conta bancária há mais de cinco
anos. O Flamengo deve um bom dinheiro, quer pagar, porém, não consegue. Não tem
como. Alguns clubes aceitam transferir para contas de pessoas físicas, nós não.
Atualmente, temos nove jogadores nos Estados Unidos. O Cristiano Felicio está
jogando 25 minutos em Chicago, o Nenê é titular em Houston. Então, eu não sei
porque as seleções brasileiras, tanto na base, como no profissional, não
conseguem avançar.”
Intervenção e seus desdobramentos
“É
estranho ver a CBB se voltando contra a Liga e algumas Federações tentando
querer retomar o poder, como a do Ceará, que propôs umas coisas malucas. Os
clubes têm que se unir. O Flamengo tem um rumo claro. O NBB é um oásis no
basquete, no que diz respeito a organização. Vemos defeitos, como arbitragem e
STJD, mas isso discutimos internamente. Vou dar um exemplo: naquele W.O que
tomamos, contra o Pinheiros, em 2014, acabamos brigando em público com a LNB.
Nisso, a Confederação Brasileira veio falar com a gente. Disse para entrarmos
no Supremo Tribunal deles, porque do outro lado, não existia. Na época,
alegaram que ganharíamos fácil. Eu afirmei que uma coisa é questionar uma
decisão, farei quantas vezes forem necessárias em prol do Flamengo. Outra é ir
contra. O nosso aspecto é o mesmo da Liga. Acreditamos no desenvolvimento e
sabemos da dificuldade de se manter financeiramente. Comparada ao futebol, a visibilidade
é baixa. O problema, aqui, é que ninguém toma conta bem do que é seu. É
complicado.”
Opinião sobre a fase rubro-negra em caso
de mudança de posturam e um balanço geral
“O
Flamengo chegaria para ganhar a Liga das Américas, não tenho a menor dúvida
sobre isso. No esporte, é preciso se planejar. E nós planejamos cada momento
durante o decorrer da temporada. Tivemos uma redução de orçamento e foi um
problema, mas não conseguimos lutar contra. Não vamos debater se o Marketing
foi bem ou não, é interno. Eu tenho uma discussão todo dia aqui por conta do
esporte olímpico. Dessa vez, queria rejuvenescer a equipe. Na temporada
passada, fomos campeões, entretanto, perdemos nosso principal objetivo de uma
forma dura. Ganhamos o NBB com dificuldade. Tivemos cinco jogos contra Mogi,
inclusive um maluco, onde poderíamos ter caído fora, e mais cinco diante de
Bauru, e só a última partida foi tranquila. De 1 a 10, em termos de potencial
que tínhamos, dou nota 7. Queremos que o time consiga o máximo. Fizemos
apostas, pois achávamos que o setor de armação precisava evoluir. Trouxemos o
Fischer e Humberto. O Lelê, que foi um investimento menor, está surpreendendo
positivamente, ao lado do Pedrinho. Marcelo e Marquinhos renovaram. Com 41 anos
do Machado, nós não sabíamos como iria reagir. Ele se lesionou, deve ficar de
fora contra Franca, mas tem voado. E a posição que mais precisávamos de
reposição era pivô. Tínhamos três, nenhum pesado, e o João Vitor, que é novo.
Reforçamos dentro do orçamento previsto, pois havíamos poupado para fazer nessa
época. Acredito que JP, Mineiro e Olivinha estavam dando conta, mas talvez, na
LDA, não fosse suficiente. Os problemas de lesões aconteceram e aonde eu achava
que estava coberto no rodízio, me enganei. Os meninos passaram a jogar mais e
evoluíram. Atletas que atuavam cinco minutos, hoje jogam tranquilamente quinze.
Quando todos estiverem de volta, principalmente o Ricardo Fischer, teremos um
grupo equilibrado. Com uma mistura de juventude e experiência, e possibilidades
de chute de fora. Confio que vamos chegar nesse ponto e a chance de título será
alta.”
Qualidade do NBB
“O
nível melhorou esse ano, afinal, os times que eram médios, ficaram fortes. Se
você não jogar bem contra Basquete Cearense e Campo Mourão,  perde. Nossa primeira derrota foi diante da
equipe comandada pelo Bial. Naquele dia, não rendemos o esperado. Se acontecer
novamente, perderemos. Bauru, Brasília e Mogi continuam sendo os adversários
fortes. Parando para analisar o jogo de sábado, estaremos sem três. É algo que
preocupa, ainda mais diante de um elenco repleto de garotos. Na terça, contra
os bauruenses, será mais duro ainda. Mas o importante mesmo é manter a primeira
colocação, conquistar o mando de quadra, e estar saudável nos playoffs.”
Caso Tyrone
“Nós
enviamos uma nota de protesto à Liga Nacional de Basquete, já que não é a
primeira vez que ocorre. É até engraçado, porque, no e-mail, eu transcrevi um
protesto do jogo semifinal do NBB 8, em Mogi. Não somente em razão do Tyrone,
mas por vários acontecimentos. E, claro, quis ressaltar que isso não é de
agora. Não quero entrar no assunto da pessoa física, considero o atleta um bom
jogador. Não é possível que essas ações contra o esporte não sejam reprimidas
por juízes. Preciso evidenciar que não tenho nada contra punir a reação. Se
Marcelinho e Ricardo Machado agiram de forma destemperada, não vou passar a mão
na cabeça e dizer que eles tão certos. Mas chega num ponto que o ser humano não
aguenta. Não pode existir essa história em que o agressor fica em quadra e os
agredidos são punidos. E, veja bem, não ocorreu só com o Flamengo. A LNB falou
que buscará provas através dos vídeos e eu espero que aconteça em todos os
confrontos. Não dá para restringir entre Facebook Live e TV aberta/fechada. Do
sábado passado até o próximo, contra o Vasco, serão cinco transmissões a nosso
favor. E, é explícito, que é mais fácil encontrar algo assim. Se a regra for
aplicada no geral, acho ótimo, mas até exagerado. Se quer implantar, tem que
ter alguém que se comprometa a rever e analisar tudo. Ou seremos prejudicados.
Nesse caso, irá ajudar, até porque, a repercussão foi alta. Contudo, defendo
que esse fato seja igual para todos os clubes.”

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