quarta-feira, setembro 30, 2020
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Alguns elementos da Gestão de um Estádio

BUTECO
DO FLAMENGO
: Muito se fala sobre estádio para o Flamengo, porém pouco se
comenta sobre a gestão e o funcionamento do mesmo, da operação. São inúmeros
fatores e condicionantes que influenciam desde a qualidade do campo até o
atendimento ao público dentro de um estádio de futebol e está longe de ser uma
tarefa simples, há custos. Duas semanas atrás, Mauro César Pereira da ESPN
Brasil trouxe no ar a informação de que o custo operacional do Novo Maracanã
foi de 23MM de Reais em 2015, sem contar os dias de jogos, já que nos dias de
jogos, estes custos são divididos com quem aluga o estádio. Ao menos foi isso
que entendi do relato. Caro.
Para
uma construção projetaria toda a iluminação do estádio por LED (exceto os
refletores) e sensores de presença, captação de água e energia solar e eólica,
utilização de energia por gás natural, assim quando existir algum problema de
abastecimento elétrico, o gás natural serviria como um gerador de energia
suplementar. Buscaria como meta os selos de eficiência energética e selos
verdes. Existem outros aspectos a se considerar como a diminuição dos custos e
a economia energética e o principal é que haja planejamento e novas
alternativas.
O
Flamengo assume custos para jogar no Novo Maracanã, o mesmo vale para os outros
clubes, que se somados a outros penduricalhos inclusos em borderôs das partidas
e/ou embutidos no contrato com o consórcio tornam o estádio caro. Vejo com
clareza o quanto o Maracanã é prejudicial ao Flamengo, com suas taxas
excrescentes. O estádio é o mais caro do Brasil. É o exemplo aqui por ser o
mais nítido, mas poderia ser outro estádio. Como é uma nova arena, o consórcio
se torna mais um “penduricalhos” na gestão, nos custos. Coisa que se os clubes
teriam evitado se tivessem sido autorizados a entrar na licitação de concessão.

Imagem: Divulgação
O
modelo atual do Maracanã (com o contrato em vigor e a concessão) é ruim para o
Flamengo, que deve pensar em alternativas viáveis. Vem pensando, como
observamos pela imprensa em relação aos jogos fora da cidade, neste momento.
Ter que sustentar todos os pesados borderôs, com todos os seus dependentes é
tarefa difícil. Se já não bastasse a farra das gratuidades e meias-entradas, a
FERJ, os Escoteiros (você não leu errado!), os ex-atletas (FUGAP) e cronistas
esportivos (Acerj), chegou mais um faminto para dividir o bolo solado, que é o
Consórcio Maracanã S/A. Pesado.
Passando
para a questão prática, o funcionamento do estádio em si, será fundamental que
se monte um centro integrado de planejamento e controle, para partidas e
eventos de qualquer modalidade em que o clube seja anfitrião. Quando se fala em
suporte, o controle das operações vem pelo Centro de Comunicação da Instalação
(estádio), o Plano Diário de Atividades e o Mapa de Controle Por Rádio. Criada,
testada e aprovada pelo COI nos Jogos de 2012, utilizada nos eventos testes dos
jogos olímpicos e nos jogos de 2016. Abaixo os exemplos do plano.

Imagem: Divulgação
Exemplo
do plano de atividades do dia anterior à partida. Utilizei como exemplo
hipotético a estreia do Flamengo no Campeonato Brasileiro de 2016, contra o
Sport Recife (como seria). Abaixo o Plano de Atividades do Matchday.

Imagem: Divulgação
O
Centro de Comunicação da Instalação (estádio) é o contato entre as áreas
funcionais que estão em canais separados, ele monitora o tráfego e registra as
ocorrências, trabalha como facilitador para solicitações entre usuários que não
estejam alocados no mesmo grupo de conversa, fornecendo informações às áreas
funcionais. Existe uma terminologia para a comunicação entre áreas funcionais,
para alertas e para que se evite linguagem nociva, como exemplo comunicar que
há um “distúrbio” em caso de briga ou protesto envolvendo as pessoas dentro da
instalação.
O objetivo
seria o de trabalhar de modo eficaz com as áreas funcionais e grupos de atores
no desenvolvimento de planos, ferramentas, sistemas, políticas e procedimentos,
gerando um processo centralizado e integrado de planejamento, desenvolvimento e
execução das instalações, mitigando riscos, avaliando a segurança e
vulnerabilidades para que os planos sejam adequados, executados e fiscalizados
através de relatórios em tempo real.
Todas
essas Áreas Funcionais reportam questões ou problemas na parte final do turno
de trabalho, e o responsável pelo relatório é o líder da área funcional. Há
apenas um líder de área funcional, neste canal, por motivos óbvios, mas nada
impede que se tenha mais de um no mesmo canal. Sem querer me estender sobre os
protocolos de comunicação, todo e qualquer rádio (para área funcional) tem um
codinome, pelo qual é chamado dentro do canal. Exemplo: O Gerente de Médico da
Instalação tem o codinome Médico 1, assim como o Enfermeiro do Posto médico,
que é denominado como Enfermeiro 1, como em todas as áreas.

Imagem: Divulgação
Para
que a comunicação funcione, os rádios são distribuídos dentro das áreas
funcionais em canais específicos para que todos se comuniquem entre si e com o
centro de comunicação. Para exemplificar, demonstrarei tabelas de dois canais
diferentes: o de Bilhetagem e atendimento ao público e o médico. A forma de
comunicação mais direta é via rádio e o controle é feito por gestores, chefes
de áreas funcionais que ficam agrupadas em blocos de comunicação, podendo um
líder de área funcional estar eventualmente em mais de uma área, duas no
máximo.
No dia
da operação, estes gerentes que geralmente estão em funções de planejamento
trabalharão diretamente na execução do trabalho, com o objetivo de que tudo
funcione como o planejado. Para isso é necessário que as mensagens sejam
claras, objetivas e sem grande alarme, já que os rádios ficam “abertos” dentro
da instalação, portanto pessoas comuns, expectadores podem ouvir eventualmente
o que está se passando. A mensagem é clara, porém passada por códigos que dão
segurança às ações, mãos que não tem grande complexidade.
Todos
os envolvidos cumprem a uma programação que é planejada e a execução desse
planejamento do uso da instalação se dá por meio do Plano de atividades. É
possível que se visualizem as ações do pré-jogo e do Matchday. No caso dos
eventos-teste, e dos Jogos Olímpicos, o trabalho se inicia dias antes do evento
principal. Essa é uma das ferramentas mais importantes para a execução da
programação, para que nada dê errado, da melhor forma de se promover eventos no
estádio. A melhor forma de operação e suporte. Espero que o Flamengo observe a
esses assuntos e a outros não mencionados estando no Maracanã ou em qualquer
outro estádio que venha operar. De preferência já como Casa do Flamengo. A complexidade
destas operações devem estar no foco de qualquer promotor de evento ou mandante
de partidas, trouxe algumas (poucas) questões para o texto. Será que estão no
foco? Vale a reflexão.
Luiz
Filho

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