Alô, #FlaTT!

Por: Fla hoje

Arte: Falando de Flamengo / Divulgação

FALANDO DE FLAMENGO: Por Marcella Mello

Nada
com o bom debate sobre a última rodada do campeonato, seja numa mesa de bar, na
fila do ponto de ônibus ou na padaria pela manhã. A grande questão é que as
redes sociais sempre existiram, e hoje nosso buteco é virtual. Bastou pegar o
cafezinho e acessar as redes para iniciar aquele papo despretensioso, a zueira
com o adversário, ouvir a opinião do outro. E tudo isso é muito saudável. E até
nos permite ampliar e aprofundar no debate.
Tudo
isso seria muito interessante se junto a esta facilidade da aglomeração de
pessoas tivéssemos também a cordialidade que os relacionamentos pessoais exigem.
Mas a
verdade é que as redes sociais tornaram-se janelas para agressividade e
frustrações. Imagino nas relações pessoais como deve se portar o sujeito que
nas redes somente se dirige aos demais com grosserias e xingamentos?
E o
que mais me espanta é que em sua maioria este sujeito encontra uma oportunidade
de expressar seu ódio, dar a ele uma dimensão pública, e ao receber aplausos de
seus seguidores, ele se sente com o discurso endossado. Seria assim no caso de
uma roda de conversa pessoal?
As
redes sociais abriram uma janela que há alguns anos era impossível pensar.
Nunca foi tão fácil aglutinar pessoas com foco em uma causa. Bem como se aplica
no caso em que se quer denegrir um sujeito, uma causa, uma instituição…
Com o
torcedor a coisa fica mais forte, já que falamos de paixão num universo plural.
E aí mora o perigo, lemos diariamente barbaridades, ofensas, ataques
orquestrados direcionados a pessoas seja ela quem for: jornalistas, atletas,
dirigentes e até mesmo o torcedor que diverge da opinião do coleguinha.
E da
mesma forma como acontecia quando não existiam redes sociais, você não vale os
seus diplomas ou nem mesmo a tua trajetória, o que importa é quem e quantos
gostam de você. A partir disso você encontra uma legião de pessoas que irão concordar
com sua opinião, em muitas das vezes, para entrar na onda, do que de fato por
concordar com a opinião emitida.
É
preciso saber lidar com as opiniões que concordamos, mas sobretudo com as quais
não concordamos, e sair dessa bolha do fato de que encontrar pessoas que
validem o que você pensa, tornem suas opiniões verdades absolutas. Não são. E
isso não faz de ninguém melhor ou pior!
Fazer
críticas ao seu time é legitimo ao torcedor. Identificar-se  com o futebol de um ou outro atleta é direito
de cada um. Eu posso ser paciente à estratégia do meu clube que preza por
sanear dividas, e pensa em títulos a longo prazo, mas não é por isso que eu vou
chamar pra briga virtual o colega que considera títulos a importância número
um.
Isso
não faz de ninguém mais ou menos torcedor.
É
preciso parar de se enganar que ao ofender o outro que diverge da sua opinião,
fará de você mais torcedor porque você está alinhado com o que pensa o
dirigente x ou y.
A
discussão será muito mais prazerosa e renderá mais frutos, quando o respeito
for a base do diálogo.
Não
que isso te faça mais ou menos torcedor…mas tenha certeza, que você será um
torcedor mais respeitado. Isso será!
Ao meu
ver esse discurso de ódio nas redes sociais é algo que deveria ser acompanhado
de perto. É preciso ter limites claros do que é liberdade de expressão, que não
deve ser atingido, ao que se torna uma ameaça e aí sim precisa receber
imediatamente atenção especial.
Tenho
esperança, de que não os mais ou menos torcedores, mas que todos os de bom
senso, poderão expor suas opiniões, estejam ela de acordo ou não com as minhas,
e que ainda assim possamos ter um bom papo de bar. Se preferir, pode pagar o
cafezinho com pão na chapa, será muito bem vindo!

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