segunda-feira, setembro 28, 2020
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‘Aluno x professor’: os rumos de Roberto Carlos e Zico.

Lancenet
– Neste final de semana começa a Superliga Indiana. A primeira rodada da
segunda edição do torneio reservou um confronto especial entre dois ícones do
futebol brasileiro. Neste domingo, às 10h30 (de Brasília), o Goa, do treinador
Zico, enfrentará o Delhi Dynamos, do treinador/jogador Roberto Carlos. Se
dentro de campo ambos buscam a vitória, fora dele, são objetivos diferentes em
um país que ainda engatinha no futebol.

Em
busca de licença da Uefa para treinar seleções, Roberto Carlos se aventura na
Índia como treinador e jogador – agora em outra função no campo.

Podia ser um jogo mais fácil, seria tão bom (risos). Tenho o maior respeito,
carinho e admiração pelo Zico. Vou ficar muito ligado no que ele vai fazer no
time dele durante toda a competição. Vou procurar imitá-lo. É uma pessoa que é
referência na minha vida – contou o ex-lateral, ao LANCE!.
O
Dynamos é o terceiro clube que Roberto Carlos dirige. Após boa campanha no
Sivasspor, da Turquia, o ex-lateral foi para o Akhisar Belediyespor, do mesmo
país, onde ficou até o meio de 2015. Para continuar exercendo a função de
treinador enquanto busca a licença da Uefa, Roberto decidiu se aventurar no
futebol indiano.
– Em
janeiro tenho que fazer o curso de Pro Licence. A Superliga acaba em 22 de
dezembro. Terei mais tempo para estudar. Já perdi muitas oportunidades de ir
para bons clubes, não pude trabalhar em seleções por não ter esse curso.
Roberto
Carlos não será apenas o treinador da equipe. No torneio, os times contam com
um jogador que já defendeu grandes seleções, o chamado “marquee player“. Os
donos do Dynamos escolheram Roberto para tal função.

Estava sentindo falta de jogar. Estou legal, treino todo dia, estou jogando
mais no meio-campo, fica mais fácil. O que estou fazendo é dar mais treinamento
do que treinar com os jogadores. Quero que me tratem como treinador. Outro dia
joguei 45 minutos, mas pretendo fazer 20, 30 minutos por jogo. Está sendo legal
porque estão me entendendo e não estão me vendo como marquee player – reforça.
E
quando Roberto entrar em campo, a faixa de capitão será sua.

Falei ao Chicão que o colocaria como capitão, aí quando eu entrasse, pelo
menos, por respeito, ele me devolve a faixa – completou, rindo.
Em
busca de desenvolver o futebol na Índia, Zico volta a treinar o Goa
Desbravador
do mundo da bola, a Índia é o nono país onde Zico trabalha como treinador.
Dentre estas andanças, o Galinho teve a oportunidade de comandar dentro de
campo o seu rival de hoje. Zico treinou Roberto Carlos quando ambos estavam no
Fenerbahçe, da Turquia. E o ídolo do Flamengo diz que pode ter criado uma
grande potência como treinador.
– Será
professor contra aluno. Tomara que o aluno não tenha aprendido tanto com o
professor – conta, Zico, sob risadas, ao LANCE!.
Não
será a primeira temporada do ex–camisa 10 como treinador na Índia. Em 2014,
Zico dirigiu o mesmo Goa e levou o clube à semifinal do torneio. Após um ano
longe do clube, o Galinho não percebeu tantas mudanças como prometidas ao final
da última temporada.
– O
ideal é que disputasse copas, diminuísse o número de estrangeiros, porque
depois do campeonato, vão todos embora. O país não pode parar dois meses por
causa do futebol. A seleção indiana perdeu para Guam, uma ilha que não tem nem
100 mil habitantes. Não pode um país de um bilhão e 200 mil pessoas não ter uma
grande seleção. É preciso fazer um trabalho profissional como no Japão – disse
Zico.
Ainda
como jogador, o Galinho levou a técnica ao futebol japonês, país que estava
interessado no aprimoramento do jogo. Porém o ex-camisa 10 acha que não será
possível fazer o mesmo na Índia.
– Não
há esse interesse do desenvolvimento do futebol indiano. Posso ser lembrado
aqui pelo desenvolvimento dos jogadores do meu time, não pelo geral. Molecada
fica maravilhada no sentido de dar uma atenção separada, orientar como domina a
bola, chutar. Minha preocupação é passar aqui e deixar alguma coisa, não é
simplesmente ganhar dinheiro. A gente vai ficando mais velho, a experiência vai
melhorando, não vou morrer com o que aprendi – desabafa o craque.
O
principal problema para Zico está na má formação dos jogadores e na falta de
identificação das equipes por trocarem tanto os atletas.
– Os
clubes se desfazem, acabam. Os jovens não têm preparação de base. São times de
aluguel. Campo, hotel, tudo terceirizado. Não tem nada próprio, mas tem uma
gama de gente apaixonada pelo futebol. Assim vamos pelos torcedores.
BATE-BOLA – Roberto Carlos
Como está a vida na Índia?
Meu
dia a dia é em casa, o tempo todo no hotel. Saio para treinar e vou para o
hotel. As pessoas na Índia me tratam com muito respeito e carinho. Por mais que
eu não saia para ir em restaurante, pessoal do hotel me trata com respeito
enorme. Aqui todo mundo ama a Seleção Brasileira, tem muitos torcedores do Real
Madrid.
Você acha que será uma boa experiência
profissional na Índia?
As
pessoas que acham que China, Turquia, Índia, Azerbaijão, Uzbequistão são países
para ex-jogadores se equivocam totalmente. São países que amam futebol e dão
estrutura para trabalhar tranquilo. Vivo uma experiência muito boa, estou há
dois meses aqui e o clube te dá todo apoio.
Você falou com o Zico após ter chegado à
Índia?
Falei
com ele em Mumbai, na apresentação dos times. Meu relacionamento com ele é de
pai para filho, mais brincadeira. Não vou falar de futebol com ele. Ele já sabe
como eu trabalho, e eu já sei como ele trabalha. É papo de pai para filho.
Quais são as diferenças entre ser jogador
e treinador?
Treinador
você fica louco. Jogador dentro do campo pode ajudar. De fora, tem que treinar,
explicar, tem que dar bronca, dar responsa. Está sendo fácil porque entendem o
que eu quero, são mais meus amigos. Tive grandes treinadores. O que eu pareço
muito em relação ao trabalho é o (Guus) Hiddink e o (Vicente) Del Bosque.
Você tem vontade de treinar algum time
brasileiro?
Se eu
puder, sim. Tenho de janeiro até agosto livre. Penso em trabalhar no Brasil
para ver se posso voltar depois e ficar de vez. Tive uma proposta do São
Caetano, mas ainda não conversei com o pessoal de lá, mas a proposta ficou em
cima da mesa. Seria legal botar o São Caetano na Primeira Divisão do Paulista e
do Brasileiro de novo.
Quais foram os times que te fizeram
propostas?
As
seleções do Azerbaijão, África do Sul e Irã me chamaram para treinar. Fui
sondado por México e Albânia. Querem levar pessoas do futebol para lá. Chegam
possibilidades do Catar, China, países que necessitam a Pro Licence e eu não
posso ir.
O que você acha dessas demissões de
treinadores no Brasil?
Nós
temos que mudar essa mentalidade de quaisquer dois jogos perdidos mandar o cara
embora. Tem que ter planejamento, fazer um time bom, com muita qualidade, aí
você não perde. Porque perdeu um jogo não pode baixar a guarda, tem que tentar
mudar a filosofia de quem comanda o futebol brasileiro.
Quem é o melhor treinador brasileiro da
atualidade?
Tite é
o treinador ideal hoje.
Qual seu grande sonho como treinador de
futebol?
Daqui
uns 15 anos, dirigir a Seleção Brasileira, essa é a minha meta.
BATE-BOLA – Zico
O que tem para fazer na Índia fora do
ambiente e dos horários de treinamentos e jogos?
Minha
vida aqui é tranquila. Fico no hotel fazendo tudo, tem uma ótima piscina onde
faço exercícios, faço também musculação. A gente tem que preparar tudo de
planejamento para as partidas, três, quatro dias antes dos jogos. Ver jogo,
analisar, montar vídeo para o outro jogo. Minha vida é assim, não sou de
badalação. É daqui pro treino e do treino para casa. Janto no hotel, tem bons
restaurantes. Talvez seria diferente em uma cidade grande.
Você já percebeu diferenças na cultura?
Totalmente
diferente, a resignação deles, a humildade até exagerada em alguns momentos. É
um país que vive ainda das castas, é sempre meio problemático, muita coisa
poderia ser mais dividida para todos. Todo mundo se contenta com o que tem, vai
à luta com o que pode, ninguém reclama de nada. Alimentação é difícil de se
acostumar. Não pode apimentar a comida, o preparo já é apimentado. Se vier com
pimenta, não aguenta comer.
O interesse pelo futebol na Índia cresceu
após a Superliga?
Teve
muita adesão, principalmente nas escolas. Vim para o draft de jogadores
indianos, fui em duas escolas e é uma loucura, mais de três mil crianças com a
camisa do Goa, bandeira, foto para autografar. Há uma paixão e prática muito
grande.
O Lúcio é seu jogador principal. Você
queria outro brasileiro?
O
primeiro nome tinha sido o Adriano. Falei com os donos, queria fazer uma
experiência de um mês para ver como ele estava, parte médica do tendão. Adriano
até aceitou. Os caras aqui não aceitaram. É negócio, questão de passado do Adriano.
As pessoas chegam até eles, algumas dão informações e os caras não querem
bancar. Não depende só da gente. Eu estaria disposto a bancar. Tinha junho e
julho para trabalhar com ele aí, tinha que dar carta liberatória. Não
aceitaram. É um direito deles. Alguns aceitam risco, outros não. Não posso
dizer porque o Adriano não está aqui. Não vejo ele com motivação para superar
esse momento que ele está. Se dependesse só dele…
Mudou de ideia sobre treinar o Fla um dia?
Tem vontade hoje?
Nenhuma
vontade. Não quero treinar nenhum time do Brasil, não quero trabalhar no
Brasil. Meu relacionamento com o Flamengo é outro. Muitos clubes brasileiros
fizeram propostas, mas não deu. Não quero treinar no Brasil porque é uma opção
de vida.

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