terça-feira, setembro 29, 2020
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Alvim lembra “profeta” R10, Império do Amor e dívida do Fla.

Globo
Esporte – Rodrigo Alvim é um cara de sorte. Sem nunca ter empresário para
administrar seus interesses e dono de futebol contestado em muitos momentos de
sua carreira, o lateral-esquerdo conquistou dinheiro, fama – quando engatou
namoro com a promoter Carol Sampaio – e muitos amigos depois de rodar por
grandes clubes do Brasil e da Europa. Uma das amizades provenientes do mundo da
bola foi fortalecida no Flamengo, onde o jogador reencontrou Ronaldinho Gaúcho,
seu amigo de infância desde os tempos do Grêmio.

De
resenha a resenha, principalmente por dividirem o mesmo quarto nas
concentrações, Alvim acabou vivenciando um lado do craque ex-Barcelona que
poucas pessoas conhecem. Se atualmente Ronaldinho teve passagem sem brilho pelo
Fluminense, criticado inclusive pelo seu comportamento apático dentro de campo,
no Fla profetizava como seria seu próximo gol com dias de antecedência – e
cumpria as promessas.
– Um
dos jogos que ficaram marcados foi contra o Santos (no Brasileiro de 2011,
vencido pelo Rubro-Negro por 5 a 4). Durante a semana, o Ronaldo treinou
bastante as cobranças de falta e me disse que iria bater por baixo da barreira.
Eu tinha visto ele fazer isso no Barcelona, mas fiquei achando que era balela.
Daí quando ele foi derrubado, eu estava aquecendo atrás do gol e avisei os
companheiros: “Ó, ele vai bater por baixo”. Eles duvidaram, mas disse
que o próprio Ronaldo havia avisado. Não deu outra: gol. Esse jogo não valeu
nada, mas não dormimos no hotel a madrugada inteira – relembra.
Outra
profecia do “messias” Gaúcho foi no confronto contra o Avaí, no mesmo
campeonato de 2011, apenas oito rodadas após a partida diante do Peixe. Alvim
revelou que Ronaldinho, também durante um bate-papo na concentração, comentou
estar incomodado com o baixo aproveitamento dos companheiros nas bolas alçadas
na área dos adversários. Ele tinha um plano para resolver o “problema”. 

Pouco tempo depois daquele gol de falta, a gente estava no quarto concentrado
para o jogo contra o Avaí na Ressacada. E, entre uma conversa e outra sobre a
forma de atuarmos, ele me disse: “Poxa, estou cruzando direto na área e
ninguém está conseguindo fazer gol. Vou tentar fazer um olímpico”. Ele foi
lá e fez. Perguntei se ele havia virado profeta, pois tudo que estava me
dizendo ele estava cumprindo. Ele é um gênio. O que o povo via na televisão, eu
via muito mais nos treinos – afirma.
CHORO
Do
período no Rubro-Negro o lateral ainda teve outros parceiros famosos: Obina,
Petkovic, Maldonado, Renato Abreu, Kléberson, Léo Moura, o goleiro Bruno e uma
dupla que ficou conhecida como “Império do Amor”, formada por Vagner Love e
Adriano, uma das melhores do Brasil, segundo Alvim.

Nosso time era bom demais, era um grupo forte, unido e brincalhão. Tínhamos o
Adriano, que é um cara que tem um coração maior que ele. Todo mundo o ama no
Flamengo e pouca gente sabe dos nossos problemas (referindo-se à aposentadoria
precoce do atacante). E ainda tinha o Vágner (Love), rápido demais e fora de
campo mais parecia uma criança grande. Se não a melhor dupla que vi jogar, foi
uma das melhores, sem dúvida alguma – afirma o jogador.
Vida nova nos Estados Unidos 
Desde
que deixou o Paysandu, em 2013, Rodrigo Alvim ficou um tempo sem atuar
profissionalmente até aceitar o desafio do Miami Dade para disputar a National
Adult League (NAL), equivalente à quarta divisão americana. O jogador, na
realidade, acabou unindo o útil ao agradável, já que queria acompanhar de perto
o andamento de seus negócios na Flórida. Alvim tem uma empresa no segmento de
celulares e exportações e se mudou para Miami recentemente com a esposa,
Kellen, e a filha Valentina, de três anos.
– Eu
não parei de jogar ainda, mas estou focado nos meus negócios nos Estados
Unidos. Tenho uma empresa em Miami, a Devices Group, que trabalha com
acessórios para celulares. Então, hoje em dia, eu teria que analisar com
cuidado qualquer proposta. Talvez eu jogue em outro time dos EUA, o que seria o
ideal, pois estou morando lá, comprando apartamento para minha família. É um
país sério e de oportunidades – opina.
A
possibilidade mencionada pelo jogador é em um clube ainda em fase de formação,
que terá dois ex-zagueiros da Azzurra no comando: Paolo Maldini como dirigente
e Alessandro Nesta como técnico. O contato com os italianos aconteceu durante a
temporada de verão no Dade. 
– Eu
os conheci nesse período de três meses em que disputamos o torneio de verão
pelo Miami Dade. Fiz muitos contatos e os conheci, então pode ser que surja
essa possibilidade de ficar jogando lá. Os EUA têm duas boas ligas,
principalmente a MLS, que virou febre. Tem a NASL, do time do Ronaldo Fenômeno
(Fort Lauderdale Strikers) também, que é a segunda liga, por assim dizer –
explicou.
Carreira e finanças
Grêmio,
Caxias, Vila Nova, Paraná, Wolfsburg-ALE, Flamengo, Joinville e Paysandu. Estes
foram os clubes por onde Rodrigo Alvim passou ao longo de 13 anos de carreira
profissional. Além da experiência marcante no Fla, o jogador lembra com carinho
do período na Europa, onde disputou a Liga dos Campeões e a Liga Europa.
– Sou
um cara de sorte, pois nunca tive empresário e todos os meus contratos fui eu
mesmo quem negociou. Como eu nunca fui craque, tinha que compensar em outros
aspectos, e sempre achei que tinha inteligência tática. Destaquei-me no Paraná
no ano em que o time foi para a Libertadores, fui para Portugal a pedido do
Jorge Jesus, depois cheguei ao Wolfsburg com três anos de contrato e retornei
ao Brasil por opção, somente porque era um convite do Flamengo. Isso me seduziu
– relembra.
Financeiramente,
a estabilidade veio ainda no Velho Continente. Além do salário gordo no clube
alemão, Rodrigo ganhava premiações elevadas, que triplicavam quando convertidas
para o Real – o Euro àquela altura estava cotado em R$ 3,50 em média. Porém, o
lateral afirma que sempre teve os pés no chão quando o assunto são suas
finanças.
– Eu
tinha um salário muito bom na Alemanha e premiações altas. Lá, a maioria dos
atletas têm contrato de produtividade. Então, tudo aconteceu de forma
maravilhosa na minha carreira. Cheguei lá com o Euro em R$ 3,50 e quis voltar,
mesmo com contrato vigente, porque o Euro estava baixando com a valorização do
Real na época. Cheguei ao Flamengo e também fui muito feliz. Era um sonho jogar
ali, no Maracanã, torcida, pressão… Mas no final tive um problema –
adianta.  
O
jogador cobra do Flamengo na Justiça a quantia de R$ 5 milhões, segundo ele,
pelo não cumprimento de seus direitos trabalhistas, incluindo Fundo de Garantia
(FGTS). Ainda neste mês de outubro, Alvim e a atual diretoria rubro-negra devem
sentar em frente ao juiz para o que pode ser a última audiência entre as
partes.  
– Era
uma fase de transição de uma presidência para outra. Tive uma reunião na época
e nem cheguei a apresentar os valores. Não se mostraram interessados. Nunca
quis acionar a Justiça contra o Flamengo, mas preciso defender meus direitos,
até mesmo garantir uma aposentadoria para minha família. Essa nova diretoria
tentou um acordo, mas não foi possível. Estou confiante, pois são direitos
adquiridos – disse.

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