segunda-feira, setembro 28, 2020
Início Notícias Amarildo teve carreira transformada por um cigarro.

Amarildo teve carreira transformada por um cigarro.

Trivela
– O acaso sempre esteve ao lado de Amarildo. O Possesso tinha, é claro, muita
técnica e um faro de gol impressionante. Porém, não fosse o destino, talvez
nunca vivesse o grande momento de sua carreira. A lesão de Pelé na Copa de 1962
assustou o Brasil, mas não o seu potencial substituto. O atacante assumiu a
responsabilidade de entrar no lugar do Rei e brilhou. No duro jogo contra a
Espanha, mais lembrado pela malandragem de Nilton Santos, Amarildo anotou os
dois gols da virada por 2 a 1 depois dos 27 do segundo tempo. Ainda brilharia
na decisão, empatando contra a Tchecoslováquia. Deixou o Chile como um dos
grandes heróis do bi mundial. Teve a coragem e o talento para triunfar. E,
hoje, pode recontar essa história com orgulho, no dia em que completa 75 anos.
Pois o
imprevisível sempre ajudou Amarildo. Desde o início. O craque que se consagrou
no Botafogo era, na verdade, uma promessa das categorias de base do Flamengo.
Nascido em Campos, começou a carreira no Goytacaz, antes de ser levado para a
capital. E, por causa de um cigarro que nem era dele, o garoto de 18 anos
acabou dispensado da Gávea, com somente seis partidas pela equipe principal.
Ordem do rígido Manuel Fleitas Solich, um dos maiores técnicos rubro-negros,
mas que perdeu um goleador por causa de sua intransigência.
“Eu
cheguei ao Botafogo em 1958. A minha saída da Gávea foi meio conturbada, por
causa de um cigarro que eu nem fumei. Um companheiro de time estava fumando, na
concentração, enquanto esperava por um telefonema da namorada. Quando ele foi
atender, eu fiquei segurando o cigarro. Justamente nesta hora, o treinador
passou. Ele não gostava que ninguém fumasse ou bebesse. Não teve bronca, mas
quando eu fui passar a folga de Natal em casa recebi o recado que não precisava
mais voltar”, declarou Amarildo, ao livro ‘O artilheiro que não sorria:
Quarentinha, o maior goleador da história do Botafogo’, de Rafael Casé.
Sem
clube, o Possesso viu o acaso mais uma vez trabalhar ao seu favor. Além de, é
claro, aproveitar a chance de ouro que recebeu:

“Assim que saí do Flamengo, fui
prestar serviço militar. O time do batalhão era cheio de jogadores que atuavam
em clubes, entre eles o Paulistinha. Ele reparou que todo mundo saía para
treinar, menos eu. Eu expliquei o que tinha acontecido e o Paulistinha foi
falar de mim para o João Saldanha e o Paulo Amaral. Acabei conseguindo um teste
no Botafogo. Dei sorte, fiz dois gols no treinamento e surgiu o interesse pela
contratação. Eu tinha que tentar uma vaga num time que tinha acabado de ser
campeão. Tinha Didi, Garrincha, Paulinho Valentim, Quarentinha… Jogadores já
famosos, que tinham acabado de ser campeões do mundo. Era um sonho para um
garoto que, como eu, chegava para jogar com os aspirantes”.

Amarildo
não demorou muito para encontrar o seu espaço na grande equipe do Botafogo. Em
uma linha de ataque fabulosa, o jovem conquistou dois Campeonatos Cariocas, o
Torneio Rio-São Paulo e a Taça Brasil. E a importância em um período tão glorioso
dos alvinegros valeu a convocação para a Copa do Mundo de 1962. Fez jus à
oportunidade, para voltar a General Severiano ainda com mais moral. E, ainda
aos 22 anos, também atrair o interesse de clubes europeus.
Depois
da Copa de 1962, Garrincha era o principal alvo das especulações na Itália. O
camisa 7 negociou com a Juventus, mas a transação que também envolvia Amarildo
não decolou. Já em 1963, depois de se frustrar na tentativa de levar Pelé, o
Milan escolheu justamente o Possesso como alternativa. O atacante deixou o
Botafogo com uma história grandiosa. Em apenas quatro anos com a camisa
alvinegra, marcou 136 gols em 231 partidas, tornando-se o oitavo maior
artilheiro do clube naquele momento.
No
Milan, Amarildo também se tornou ídolo de um esquadrão. Chegou logo após a
conquista da Champions de 1963, mas seus gols não foram suficientes para bater
o Santos no Mundial Interclubes ao final do ano. Apesar de ir muito bem em suas
duas primeiras temporadas, só conquistou um título quando já perdia espaço,
levando a Copa da Itália em 1967. Logo depois partiu à Fiorentina, vivendo
glórias maiores no Artemio Francchi. O atacante era uma das referências na
Viola que faturou a Serie A em 1969. Ainda teve uma breve passagem pela Roma,
antes de voltar ao Brasil para encerrar a carreira no Vasco.
Amarildo
ainda trabalhou como técnico, comandando principalmente equipes pequenas da
Itália. Voltou a morar no Brasil em 2007, chegando a treinar o America por um
jogo. Sua grande contribuição ao futebol, entretanto, veio em sua participação
na entrega da Bola de Ouro em 2014: “A torcida pode apoiar, incentivar, dar
força, mas não tem o poder de ganhar o jogo. Quem tem essa obrigação são os
jogadores, dando aquilo que eles sabem, dando amor, sangue. Futebol se ganha
dentro de campo. Os nossos torcedores precisam ser mais disciplinados. O que
tem acontecido nos campos de futebol tem nos preocupado. Isso não pode
acontecer na Copa do Mundo”. Palavras que arrancaram risos da plateia de gala,
mas se fizeram verdadeiras meses depois. Um sortudo, sim, mas que sabia das
coisas. Não fosse sua competência, Amarildo também não teria triunfado tanto.

MAIS LIDOS

Dome se diz “extremamente orgulhoso” da atuação do Fla após empate

Ausente no empate em 1 a 1 diante do Palmeiras, na tarde deste domingo (27), Domènec Torrent, afastado por estar infectado pelo novo coronavírus,...

Torcida do Palmeiras pede a cabeça de Luxa após empate; veja os comentários

O Flamengo entrou em campo na tarde deste domingo, diante do Palmeiras, no Allianz Parque. O Rubro-negro viu o time paulista abrir o placar, entretanto,...

Jordi Guerrero rasga elogios a Base do Fla: “Estavam preparados para jogar”

Jordi Guerrero, substituto de Domènec Torrent na tarde deste domingo diante do Palmeiras, onde a equipe saiu de campo com um empate em 1...

Lincoln cutuca o Palmeiras após grande atuação

O Flamengo entrou em campo na tarde deste domingo, em jogo contra o Palmeiras. O confronto pelo Campeonato Brasileiro por pouco não saiu do...