sexta-feira, setembro 25, 2020
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América-MG cobra R$ 10 milhões do Flamengo por Felipe Vizeu.

Felipe Vizeu tem passagem pelas Seleções de Base – Foto: Divulgação

GLOBO
ESPORTE
: Aos 19 anos, o atacante Felipe Vizeu vive, no Flamengo, o melhor
momento da sua curta carreira no futebol até aqui. Recentemente, devido às boas
atuações, renovou contrato com o clube carioca até 2020. No último jogo do
Rubro-Negro, contra o Atlético-MG, pelo Campeonato Brasileiro, Vizeu marcou
dois gols e foi o principal nome da partida, garantindo a vitória por 2 a 0. O
jogador, porém, está envolvido em outro tipo de disputa com outro clube
mineiro: o América-MG. Vizeu foi jogador do Coelho nas categorias de base,
antes de se transferir para o Flamengo em 2013, e tem uma ação judicial em
andamento em Cabo Frio-RJ – sua cidade natal – contra o Coelho. Neste processo,
o atacante conseguiu uma liminar, garantindo a ele acertar com outro clube por
alegar falta de condições de trabalho como justificativa por sua saída de Belo
Horizonte. O América-MG, por sua vez, entende como absurda a acusação e estuda
entrar com uma ação cobrando indenização por participação na formação do
atleta, não sem antes tentar um acordo amigável com o Fla.

Pelo
lado americano, quem está à frente da situação é Anderson Racilan, um dos
presidentes do conselho administrativo do clube – que conta com nove
presidentes. Em entrevista ao GloboEsporte.com, ele explicou o imbróglio com
mais detalhes.
– O
Felipe foi atleta nosso nas categorias de base por aproximadamente um ano.
Houve aqui em Belo Horizonte um torneio sub-17 no fim de 2012, e tive a
informação que o Felipe Vizeu foi, na ocasião, assediado pelo pessoal das
categorias de base do Flamengo. Terminado esse torneio, o América entrou de
férias. Ele é de Cabo Frio e foi para lá. Nós retornamos no início do ano (de
2013), e o menino não voltou. Aí tivemos a informação que ele já estaria
treinando no Flamengo. Quando foi em março, ele entrou com uma ação lá em Cabo
Frio pedindo a liberação dele (do América-MG) sob alegações absurdas no
tratamento que ele tinha aqui, alegando falta de condições de trabalho, sendo
que na verdade ele já estava treinando no Flamengo. Tem postagens dele no
Facebook comentando com amigos que já estava no Flamengo, feliz com a nova
casa. Logo que ele conseguiu a liminar, quatro dias depois, ele fez um jogo
oficial pelo Flamengo como titular. Isso prova que ele já estava treinando lá.
Houve a audiência na quinta-feira passada, nós levamos nossas testemunhas,
atletas contemporâneos dele no América, dizendo que são absurdas as alegações
dele. Nosso coordenador das categorias de base também foi e mostrou para a
juíza quais são as situações que ele viveu lá.
Essa
audiência citada pelo dirigente era da fase de recolhimento de alegações finais
e deve ter resultado em breve, mas a disputa judicial não termina aí. O clube
mineiro alega que tem, por direito, uma indenização a receber do Flamengo por
ter participado da formação profissional do atleta. Segundo o clube, os valores
giram em torno de R$ 10 milhões.
– Nós
precisávamos formar provas para a gente entrar cobrando a indenização que a Lei
Pelé garante. A indenização que prevê a Lei é de até 200 vezes o que o clube
gastou com a formação do atleta. A gente está fazendo o levantamento dos
valores com a formação e está, a princípio, apurando que o valor da multa deve
girar em torno de R$ 10 milhões. O América não está inventando nada, chorando,
só porque hoje ele é titular do Flamengo. Este assunto vem se arrastando há
mais tempo. Não é porque agora o menino está em evidência que a gente está
correndo atrás, chorando, de olho ou nada disso. O menino é do Flamengo, vai
continuar sendo e tem contrato com o Flamengo. Nós precisamos é que o América
seja reparado com uma indenização prevista em Lei. Na verdade, o que a gente
precisa é banir do futebol brasileiro esse tipo de atitude. Clubes coirmãos, de
uma forma ou de outra, assediando atletas e permitindo que atletas que tenham
contratos com outros clubes sejam assediados. A gente tem que acabar com isso
no futebol brasileiro. Hoje aconteceu com o América, amanhã pode acontecer com
o Flamengo, Atlético ou Cruzeiro – disse Anderson Racilan.
Por
fim, o presidente do Coelho adiantou que há uma intenção do clube em resolver a
questão da indenização sem envolver a Justiça, já que existe uma boa relação
entre as duas diretorias.

Temos uma relação muito boa com o Flamengo, estive com o presidente Eduardo
Bandeira na última segunda-feira em uma reunião dos clubes da Série A e Série
B, em São Paulo. Tivemos uma conversa inicial sobre o atleta. O América
gostaria de não ter problemas com o Flamengo. Ele ficou de conversar com o
departamento jurídico e de futebol pra gente voltar a conversar sobre o assunto.
O América não tem interesse em brigar com o Flamengo na Justiça, mas se não
houver um diálogo ou um acordo com o Flamengo, vamos ter que entrar e pleitear
os nossos direitos.
Procurado
pela reportagem, o departamento jurídico do Flamengo informou que o caso não
envolve o clube, mas sim o atacante e o Coelho, e que está sob segredo de
justiça. Mas, de acordo com o Rubro-negro, quando contratou o atacante, foram
tomadas todas as precauções para contratar o jogador, que estava livre na
época. Também procurado pelo GloboEsporte.com, o empresário do atleta, Carlos
Eduardo Baptista, informou outra situação. Segundo ele, os envolvidos no caso
são os dois clubes e que nem o jogador, e nenhum de seus representantes irá
comentar sobre o assunto.
Não encontrado?
Anderson
Racilan ainda questiona a forma como a Justiça de Cabo Frio concedeu a liminar
para Felipe Vizeu romper com o América-MG e poder assinar com o Flamengo, em
2013.
– Um
absurdo maior ainda: ele só conseguiu essa liminar porque o juiz de Cabo Frio disse
que, tendo em vista a dificuldade de intimação do América, concedeu a liminar.
Como que um juiz não vai conseguir intimar um clube de futebol como o América?
Se fosse um time de várzea, tudo bem. Ele alega dificuldade de intimar o
América para que a gente conhecesse a existência da ação. Deve ter sido
colocado lá um endereço errado ou um endereço de um local que não tinha
ninguém. O juiz me dá o despacho falando que, como não conseguiu intimar o
América, ia deferir a liminar. O América não é um clube qualquer, que não tem
uma sede, que está escondido.

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