domingo, setembro 27, 2020
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André Kfouri destaca problemas que Diego pode enfrentar no Brasil.

Diego Ribas em Juventus x Parma – Foto: Claudio Villa/Getty Images

ANDRÉ
KFOURI / LANCE
: Diego jogou na Europa desde 2004, quando saiu do Santos para o
Porto. A lembrança serve para que não se coloque a qualidade de seu futebol em
questão, pois, especialmente para um jogador não europeu, não é fácil
permanecer no principal centro do esporte por tantas temporadas seguidas.

O
melhor Diego, o jogador que vimos surgir com a camisa santista e que atuou em
muito bom nível no Werder Bremen entre 2006 e 2009, seria capaz de transformar
qualquer time brasileiro em tempo razoavelmente curto. Ocorre, por óbvio, que o
melhor Diego estaria em situação privilegiada em algum clube europeu e não se
interessaria por retornar ao Brasil.
O
Diego que chega ao Flamengo aos 31 anos é um ótimo jogador, em potencial, para
o patamar atual do futebol brasileiro, uma vez superadas as dificuldades de
readaptação que ele enfrentará. A reentrada no ambiente que Diego deixou um ano
depois de atingir a maioridade apresentará várias diferenças em relação ao que
ele conhece. A questão que importa: quanto tempo levará para que o novo meia
rubro-negro entre no “fuso-futebol brasileiro”?
Não é
um tema apenas físico ou de visões distintas do mesmo jogo. Método de treinamento,
logística, ritmo, posicionamento… nas palavras de quem fez a mesma transição:
“é praticamente outro esporte”. Um aspecto que pouco se nota é a mudança de
horário de treinos e jogos. No Fenerbahçe, treina-se às 11 da manhã ou às 7 da
noite. E não se joga à tarde.
Diego
terá de reeducar seu organismo a responder com desempenho em situações de
preparação e competição às quais ele não está acostumado. E precisará se
recuperar em períodos mais curtos. A vida pessoal também sofrerá: no Brasil,
jogadores de futebol vêem suas famílias com muito menos frequência do que na
Europa.
Sim,
pode ser um sucesso e um impulso para o Flamengo, por isso a postura do
torcedor e do clube precisa ser de apoio, paciência. Essa talvez seja a parte
mais difícil.
EVOLUÇÃO
Em
duas entrevistas na Granja Comary, só bons sinais. Sobre o time olímpico,
Rogério Micale falou em “defender com onze e atacar com onze”. Tite conversou
com dezesseis técnicos e viu dez jogos do Equador, próximo adversário do Brasil
nas Eliminatórias. A seleção brasileira parece estar em uma nova era no aspecto
dos conceitos e da comunicação.
POSIÇÃO
Romildo
Bolzan Júnior será o vice-presidente da Liga Sul-Americana de clubes,
organização recém-criada, com a qual os quatro clubes paulistas preferiram não
se envolver em nome de um “voto de confiança à Conmebol”. O presidente gremista
dá nova mostra de ser o dirigente brasileiro com visão mais evoluída sobre o
papel institucional dos clubes.

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