quinta-feira, outubro 1, 2020
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Arena mais cara do Brasil vira ‘Coliseu’ e casa de briga de torcidas.

Torcida do Palmeiras iniciou confusão no Mané Garrincha – Foto: Reprodução

UOL: O
Estádio Nacional Mané Garrincha, erguido 100% com dinheiro público pelo Governo
do Distrito Federal por R$ 1,6 bilhão, o mais caro da Copa do Mundo de 2014,
carrega outro título em seu currículo: o de arena com mais episódios de
violência nas arquibancadas e arredores desde a sua inauguração.

Foram,
pelo menos, oito incidentes de agosto de 2013 para cá. O último deles ocorreu
no domingo passado (5), na partida entre Palmeiras e Flamengo. Durante o
intervalo do jogo, centenas de torcedores se enfrentaram nos corredores
internos da arena, utilizando punhos, cestos de lixo, grades metálicas e até
extintores de incêndio.
O
conflito teve início, segundo apontam as autoridades do Distrito Federal, por
iniciativa de torcedores palmeirenses, que teriam invadido a área reservada aos
flamenguistas para dar início à batalha. A PMDF (Polícia Militar do Distrito
Federal) prendeu 20 torcedores do time paulista (já soltos). Um torcedor do
Flamengo seguia hospitalizado até a publicação desta reportagem.
De
acordo com o coronel Antônio Carlos, chefe da Comunicação Social da PMDF, não
há nada de errado no protocolo operacional da polícia distrital nem na
estrutura do Mané Garrincha que possa explicar os reiterados confrontos que
ocorrem no estádio.
“Não
fazemos comparações com outros estádios para saber se aqui houve mais ou menos
confrontos, mas sei que nosso estádio e nossa polícia foram considerados os
mais eficientes das Copas do Mundo e das Confederações”, afirmou o
coronel. Foi no Mané Garrincha e no Maracanã, porém, que aconteceram os
confrontos de maior vulto durante os jogos dos campeonatos internacionais (veja
vídeo acima).
Para o
coronel, as brigas ocorrem no Mané Garrincha porque torcedores que chegam ao DF
de outras praças esportivas vão ao local já dispostos a brigar. “Repare
que as brigas não ocorrem com torcedores locais, mas sim com torcidas, na
maioria das vezes organizadas, que vêm a Brasília já dispostas a brigar.”
Apesar
da afirmação do coronel, pelo menos duas brigas envolveram torcedores do Gama
(DF) e do Vila Nova (GO), em partidas com menos de 5.000 pessoas no estádio,
conforme também se pode ver no vídeo acima.
Especificamente
em relação ao incidente do último domingo, o coronel não tem dúvidas sobre o
responsável pelo episódio: “A culpa é do Flamengo”, cravou. “O
time mandante (Flamengo) não seguiu o que foi detalhado em reunião de
preparação para o jogo. Estava determinado que dois setores das arquibancadas,
adjacentes à área reservada aos palmeirenses, não seriem ocupados por
torcedores, criando uma área de segurança. Apesar disso, acredito que por
razões financeiras, o clube acabou por comercializar as cadeiras dessas áreas,
o que deixou as torcidas muito próximas e acirrou os ânimos”.
Já o
Clube de Regatas Flamengo nega que tenha vendido ingressos para esses locais.
“Como o estádio estava muito cheio, essas áreas acabaram por ser liberadas
para dar mais conforto ao torcedor”, informou a assessoria do clube. O
Mané Garrincha tem capacidade para mais de 70 mil pessoas. O público presente
no último domingo foi de 55 mil torcedores.
De uma
forma ou de outra, fato é que a comparação que fez em 2014 o então ministro do
Esporte Aldo Rebelo (PC do B), do estádio do DF com o Coliseu de Roma, onde
combates entre gladiadores eram acompanhados por milhares de pessoas, parece
fazer sentido. Relembre, abaixo, como foram os principais episódios de
violência ocorridos no Estádio Nacional Mané Garrincha.
18/08/2013 – Fratura na mandíbula de
torcedor no chão
No dia
18 de agosto de 2013, Flamengo e São Paulo disputaram em Brasília partida do
primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Na saída dos 44.164 torcedores, os
torcedores passaram a se enfrentar no amplo estacionamento do entorno da arena.
Policiais
sobre cavalos e usando espadas tentavam conter os são-paulinos, naquele local
em ampla maioria. Algumas dezenas, porém, ultrapassaram a linha da polícia e
começaram a agredir os flamenguistas.
Um
deles caiu no chão. Ficou por cerca de 20 segundos sendo chutado e pisado por
são-paulinos, conforme mostraram as imagens de televisão nos dias seguintes.
Seis policiais a pé estavam em volta desta ação, mas não interviram até que
chegasse reforço. O torcedor sofreu múltiplas escoriações e fratura na
mandíbula.
25/08/2013 – Corintianos x Polícia Militar
No dia
25 de agosto de 2013, Vasco e Corinthians cumpriram tabela do Campeonato
Brasileiro no Mané Garrincha. O público foi de 21.627 pessoas. No intervalo,
dezenas de corintianos foram em direção à área onde estava a torcida do Vasco,
em ameaça a dar início a um confronto.
Eles
foram enfrentados por policiais militares quando se deu conta do ânimo dos
corintianos. Não havia barreiras físicas entre as torcidas. Os policiais, no
início em cerca de dez, fizeram uso do spray de pimenta e do cacetete, um deles
tendo chegado a perder o equipamento para um dos agressores corintianos. O
tumulto atingiu famílias e crianças, muitos deixaram a arena pelo mal estar
causado pelo spray de pimenta, que toma conta do ambiente na arena esférica de
Brasília.
“Lamentamos
pelas crianças e por todos os torcedores que são prejudicados pelo spray de
pimenta. A Polícia Militar faz o uso gradual da força, a utilização do spray é
eficaz para conter turbas dispostas a atos de violência. Infelizmente, muitos
torcedores vão ao estádio em busca de se enfrentarem, não assistir a um
espetáculo”, disse o coronel Antônio Carlos ao UOL Esporte, na última
segunda-feira (6), após a confusão deste domingo, em que a PM novamente fez uso
do gás de pimenta. 
5/07/2014 – Brasileiros e argentinos se
estapeiam na Copa
No
jogo Argentina a Bélgica da quartas de final da Copa do Mundo de 2014, a
segurança era feita por agentes privados contratados pela Fifa com supervisão e
retaguarda efetuada pela Polícia Militar.
O
clima de amistosidade que se espera em partidas de Copa não se fez presente em
boa parte dos torcedores argentinos e brasileiros – os últimos em maior número
– que acompanhavam a partida. Houve brigas localizadas nas arquibancadas, como
pode ser visto no vídeo acima.
Em um
dos episódios, um argentino e três brasileiros foram detidos pela PM e
retirados da arquibancada em meio a brigas. Eles foram autuados na delegacia do
estádio e liberados depois. Outros dois argentinos foram presos e levados para
a 5ª Delegacia de Polícia, próxima ao estádio, acusados de agredir dois
torcedores brasileiros dentro da arena.
7/12/2014 – Combate com cadeiras e
extintores
Botafogo-RJ
e Atlético-MG jogaram no Mané Garrincha no fim do Campeonato Brasileiro, com as
duas equipes já sem chance de título. A partida atraiu menos de 4.000
torcedores.
Com
pouco público, sobrou espaço para a briga generalizada que aconteceu no
intervalo da partida. Dezenas de torcedores – a maioria usando camisas de
torcidas organizadas – se enfrentaram com os punhos e com o resto que estava à
mão, inclusive extintores de incêndio, como se vê no vídeo acima.
Cinco
pessoas que participaram deste conflito foram encaminhadas para a um distrito
policial, quatro torcedores do Atlético e um do Botafogo. Até o final da
partida, 10 pessoas foram detidas. Todas foram soltas no mesmo dia ou no dia
seguinte, para responder judicialmente em liberdade.
Ainda
um outro torcedor foi encaminhado à delegacia. Inicialmente, os policiais o
prenderam por invadir o gramado, e levaram junto com os que brigaram e
depredaram a arena. No distrito, depoimento do torcedor e de testemunhas
mostraram que ele havia entrado no gramado para fugir da briga. Foi liberado
sem passagem.
15/07/2015 – Pancadaria entre torcedores
na Série D
No dia
15 de julho do ano passado, o Gama (DF) recebeu o Botafogo-SP em sua estreia na
Série D do Campeonato Brasileiro, para 3.115 espectadores. Aos 33 min do
primeiro tempo, torcedores do Gama se deram conta de que começaram a adentrar o
estádio centenas de torcedores do rival Brasiliense, e inclusive estavam
estendendo uma faixa do “Jacaré”.
Foi a
conta. Sem separação entre as torcidas, foram três minutos de pancadaria e
interrupção do jogo, até que a PM conseguisse controlar a situação. O Gama foi
condenado a pagar uma multa de R$ 10 mil. A equipe não perdeu o mando de campo.

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