sábado, setembro 26, 2020
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As causas do mau futebol do Flamengo.

Foto: Divulgação

BUTECO
DO FLAMENGO
: Salve, Buteco! Muito tem se discutido a respeito das causas do mau
futebol do Flamengo. Há quem sustente que as (inegáveis) melhorias estruturais
(Departamento Médico, tecnologia, fisiologia) oferecidas ao Departamento de
Futebol, assim como o próprio elenco, que no papel está indiscutivelmente entre
os dez melhores do futebol brasileiro, representam condições de trabalho que
justificariam a apresentação, pelo treinador Muricy Ramalho, de resultados
muito mais expressivos tanto em nível tático como em efetividade nas
competições disputadas. Da mesma forma, há quem sustente que há um problema de
gestão no Departamento de Futebol que dificulta o estabelecimento de
prioridades, definição de logística de trabalho, local de mando de campo e
formação do elenco.  E também fala-se da
falta de qualidade de algumas peças, o que sem dúvida também é problema, [email protected]
sabemos. Todavia, qual o elenco que não sofre do mesmo mal?

Ontem,
durante a transmissão pela Rede Globo de Grêmio x Flamengo, outra questão foi
levantada, dando conta da “frieza” do time dentro de campo, pois os
atletas pouco falam entre si, o que seria motivo para a Diretoria buscar um
jogador com “perfil de liderança”, como se a chegada de um só atleta,
“o Messias”, fosse resolver problemas de relacionamento ou atitude de
todo um grupo e que parecem se arrastar há alguns anos.
Onde
começa e terminam os problemas? Quais deles são os principais e quais são as
suas causas? Já escrevi neste espaço que a personalidade do presidente Eduardo
Bandeira de Mello em absolutamente nada me incomoda, mas a sua cada vez mais
evidente incapacidade de encontrar uma solução para o Departamento de Futebol.
A rigor, outros dirigentes já viajaram durante momentos importantes de
competições oficiais, por exemplo, com o time na lanterna do Brasileiro ou em
plena janela de transferências internacionais, em ambos os casos com o Mundo
Maravilhoso de Disney exercendo uma curiosa vis attractiva. Para ser justo,
isso aparentemente não ocorre com o nosso atual Presidente, que parece mesmo
ser um workaholic em nível de Flamengo. O problema é o mérito de seu trabalho,
ou dos profissionais a quem delegou a administração do principal setor do clube
(como queiram), qual seja, o futebol profissional, onde simplesmente nada
funciona.
Eduardo
Bandeira de Mello cada vez mais se aproxima perigosamente da situação em que
Márcio Braga se encontrava quando sabiamente pediu ajuda a Helio Ferraz e
Kleber Leite, dando início ao período de maior estabilidade no Departamento de
Futebol do Flamengo pós-Geração Zico (e que teve suas turbulências). A
semelhança das circunstâncias não significa necessariamente que o desfecho será
igualmente exitoso.
***
Primeiramente,
em nível de Diretoria faria uma séria autoavaliação da capacidade de lidar com
o tema futebol profissional, antes que seja tarde demais.
O
trabalho do treinador não está funcionando mesmo, mas a principal pergunta que
eu faria, no momento, seria, em nível de gestão, quais são as exatas
atribuições de cada funcionário do Departamento de Futebol e, em seguida,
mensuraria o nível de efetividade de cada um. Além disso, questionaria o
modelo, o formato e o currículo de cada profissional, de modo a avaliar a
capacidade e a experiência para trabalhar com o futebol profissional do clube
de maior torcida do mundo!
Por
exemplo: como pode um gerente executivo, em momento de crise, reclamar que o
elenco não é homogêneo? Em que proporção decidiu pela manutenção de atletas que
contribuem para a natureza “heterogênea” desse mesmo elenco que
critica publicamente, de forma até antiética?
Outro
exemplo: como pode a Comissão Técnica ter um auxiliar ligado à oposição do
clube e que, comprovadamente, quando não escala de forma desastrada,
comporta-se da mesma forma, como ontem na entrevista pós-jogo?
***
Sim, o
Flamengo poderia estar melhor treinado em nível tático, mas gostaria de
advertir que, se um treinador realmente de nível top no futebol sul-americano
for contratado sem que seja simultaneamente resolvido o problema de gestão e
sucumbir ao caos sistemático disseminado pela máquina trituradora que funciona
no Departamento de Futebol, ainda não desmontada, estaremos literalmente no
famoso “mato-sem-cachorro”, sem termos para onde correr.
Bom
dia e SRN a [email protected]
Gustavo
Brasília

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