quinta-feira, setembro 24, 2020
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A(s) causa(s).

Foto: Divulgação

BUTECO
DO FLAMENGO
: Salve, Buteco! Como [email protected] vocês, estou exausto de tanta
frustração. Tentamos ter toda boa vontade com uma Diretoria que já mudou (para
o bem) o status quo do clube fora de campo, mas a cada dia que passa, por mais
que tome medidas que aparentemente indiquem que farão a diferença, simplesmente
não consegue produzir resultados dentro das quatro linhas. Eu costumo dizer que
os problemas, e portanto suas causas, eram tantos que diagnosticá-los já é uma
tarefa bastante complexa, que dirá solucioná-los. Também já escrevi, em textos
e comentários, e torno a repetir que tinha e tenho uma expectativa contida,
exatamente por esse motivo – aprender a gerenciar futebol no complexo clube de
maior e mais impaciente torcida do mundo -, e por isso preparei-me para uma boa
dose de frustração. Alguns confundem essa postura com “otimismo”, o
que ao menos na minha visão é algo bem diferente. A questão é que, diferentemente
de outras vezes, agora realmente começo a temer por mais três anos de seguidas
frustrações no futebol e confesso que, pelo nível do elenco e de composição da
dívida do clube, já não era para estarmos passando por isso. [email protected] sabemos que,
em situações tais, tradicionalmente a responsabilidade é jogada no colo do
treinador. Não cometerei o desatino e a ousadia de afirmar que Muricy Ramalho
não errou e nem que seja, hoje, a melhor opção disponível no mercado, mas com
toda a sinceridade tenho a pretensão de demonstrar que a discussão precisa,
para o bem do clube, ser bem mais profunda, independentemente de sua
permanência ou não.

***

quanto tempo Muricy Ramalho dirige o Flamengo? Quantos treinadores, nos últimos
anos, com dois, três, quatro meses de cargo se viram em situação semelhante?
Sem perspectiva, dando a impressão de estarem completamente perdidos, com a
torcida enlouquecida já pedindo suas cabeças? Vejam a média de permanência de
treinadores no clube. Alguém pode, sinceramente, dizer que o principal problema
vem sendo cada um dos treinadores que assumiram o comando técnico do elenco
profissional do Flamengo? O Flamengo se tornou, desde o final da década de 80,
uma verdadeira máquina trituradora de treinadores. Honrosas exceções
conseguiram permanecer mais de um semestre ou mais de um ano na direção técnica
do futebol. Reconheço, porém, que, posta nesses termos (numéricos), a discussão
se restringe a um patamar superficial, especialmente porque de alguns anos para
cá o futebol sofreu uma considerável mudança em nível tático e não são todos os
que conseguiram a ela se adaptar.
No
caso de Muricy Ramalho, parece-me óbvio que está sendo posto a prova. Por isso
mesmo, acho que de uma maneira geral, até certo ponto maldosa, deram (inclusive
jornalistas) uma conotação pejorativa ao “curso” ou
“estágio” que fez no Barcelona, gesto de humildade de um profissional
vitorioso que reconheceu publicamente a necessidade de se reciclar. Todavia, se
o assunto for discutido seriamente, será fácil concluir que é impossível para
qualquer clube latino-americano jogar no nível do clube catalão, seja por
faltarem recursos para contratar jogadores daquele nível, seja por faltar até
mesmo condições de recrutar e formar na base com a mesma qualidade. Como se não
bastasse, outro fator extremamente relevante: a tal “cultura” do
jogador europeu, mais ilustrado, profissional e consciente de suas obrigações
táticas, enfim, tudo o que não temos nos jogadores brasileiros, em sua maioria
preocupados em fazer dinheiro fácil e festejar, tanto que o mercado que os
acolhe hoje é o chinês, inclusive o da segunda divisão…
Evidentemente,
nada disso responde à pergunta que não quer calar: será Muricy capaz de se
atualizar taticamente e sobreviver à nova onda do futebol mundial? O tempo
dirá, com ele dentro ou fora do Flamengo, mas eu indago a vocês se é possível
responder de forma justa a esse questionamento, ainda que no hoje acanhado
universo do futebol brasileiro, em pouco mais de setenta dias no cargo, tendo a
disposição boa parte do elenco de 2014/2015, disputando três competições
(decisão da Diretoria) enquanto a maioria dos adversários disputa apenas uma e
mandando os jogos em diversos estados de um país de dimensões continentais
(outra decisão da Diretoria), diminuindo tempo e condições de treinamento?
Sim,
em que pese todos esses fatores, Muricy errou; errou ao não utilizar todas as
substituições em alguns jogos e provavelmente errou na decisão de escalar os
titulares em algumas partidas contra equipes de menor investimento no Estadual,
mas quem tem certeza de quais eram seus limites para tomar essa decisão diante
da exigência contratual da Rede Globo? Quanto à falta de variação tática,
efetivo problema da equipe, muitas vezes o técnico consegue acertar o time na
conversa, mas não tenho dúvidas de que a maratona de jogos diminuiu o tempo
para treinamentos. Além disso, se sequer foi possível acertar o esquema tático
principal, que chegou a dar certo em algumas partidas importantes, já é momento
de exigir variações? O 4-1-4-1 não é o esquema mais utilizado no momento? Ainda
assim, é inegável que se trata de assunto de responsabilidade do treinador e no
qual quatro partidas sem marcar gols representam um indiscutível e sério
problema.
Mas
vamos falar um pouco dos jogadores.
***
O
Atlético/PR vinha de crise e contratou Paulo Autuori. Atenção: Paulo Autuori.
Acredito que, se @s [email protected] pesquisarem em dicionários virtuais da língua
portuguesa o significado da palavra ostracismo provavelmente encontrarão entre
um dos resultados a expressão “Paulo Autuori”. A torcida atirou
pipoca nos jogadores, gesto que comumente alude a falta de ímpeto e coragem nas
disputas futebolísticas. Curiosamente, acusação idêntica a que a a nossa
torcida vem acusando boa parte desse elenco nos últimos anos. Se me permitem,
faço uma breve pausa para voltar a 2013 e peço que se recordem da derrota para
o mesmo Atlético/PR no Maracanã e à bola perdida por Adryan, bem como ao
subsequente pedido de demissão de Mano Menezes. Com um pouquinho mais de
esforço @s [email protected] [email protected] do Buteco se recordarão de lastimáveis momentos sob
o comando de Mano Menezes, como as derrotas de 0x3 para o Bahia na Fonte Nova e
os 0x4 no Pacaembu contra o Corinthians.
Nem
acho que, no todo, os resultados com Mano eram ruins, e seu trabalho tanto
tinha uma base que Jayme bem o aproveitou, mas o ponto é que jogadores de
futebol, de um modo geral e especialmente no Brasil, estão acostumados a
“decidir” o futuro dos treinadores, porém no caso de Mano Menezes no
Flamengo tomaram uma baita rasteira. Eu sei que é difícil para um torcedor do
Flamengo se debruçar sobre o episódio e analisá-lo com frieza, de modo a captar
toda a riqueza de detalhes que oferece, mas vale a pena observar que hoje o
nosso capitão, o “rei do mimimi” nas entrevistas, Wallace, era
exatamente o zagueiro do time que “se transformou” logo após o pedido
de demissão do Mano e que nunca mais foi o mesmo em nível de dedicação e
vibração depois do título da Copa do Brasil. Outro líder é o goleiro Paulo
Victor, remanescente e reserva na “Era Bruno” e que cresceu em meio à
“fina-flor da boleiragem” nos piores tempos recentes do Flamengo em
nível de comportamento extracampo. E para não dizerem que não falei das flores,
em jogo recente até o Márcio Araújo, que chegou depois mas explicitou o
discurso do “cansaço”, usou a braçadeira de capitão, mas espero que
vocês compreendam que mesmo esse reflexivo colunista tem seus limites pessoais
e por isso não mais me aprofundarei no assunto…
Para
quem ainda não entendeu, o ponto é: quando os jogadores “querem”,
quando estão satisfeitos, unidos, jogam, e há tempos que a torcida tem sérias e
fundadas dúvidas a respeito não apenas da qualidade, como da índole de parte do
elenco do Flamengo, bem assim de sua capacidade de se comprometer em torno de
algo mais altivo. E essa semana esse grupo e seus “líderes”
certamente “decidirão” se querem continuar com Muricy Ramalho como
treinador, pois a torcida não digere bem derrotas em clássicos e teremos, na
sequência, Vasco da Gama e Botafogo pelo Estadual. Chama a atenção,
primeiramente, o fato de que os jogadores não gostam de viagens; segundo,
algumas das contratações, inclusive a que ainda não se concretizou, incomodarem
exatamente esses líderes: Muralha, Cuéllar, zagueiro…
O
treinador, seja ele quem for, precisa ser amparado.
***
Não
poderia finalizar esse texto sem deixar muito claro o que penso a respeito de
treinadores brasileiros e estrangeiros em geral. No universo brasileiro,
acredito que Tite e Cuca sejam os mais avançados em nível tático, mas ainda
assim estão alguns patamares abaixo dos bons treinadores sul-americanos. Basta
mencionar como exemplo que o curso de treinadores da AFA é reconhecido pela
UEFA e que os treinadores argentinos e chilenos há tempos têm mercado nos
maiores centros do futebol europeu. A cultura tática dos jogadores
sul-americanos em geral, como por exemplo argentinos, chilenos e uruguaios, é
historicamente mais avançada do que a dos brasileiros, que sempre prevaleceram
por seu imenso talento individual. Todavia, com os nossos talentos hoje
migrando cada vez mais cedo para o exterior e os profissionais sendo
contratados pela segunda divisão do futebol chinês, o que sobra para os nossos
defasados treinadores trabalharem é a raspa do tacho. Trabalhando com jogadores
mais “cultos” taticamente, os treinadores sul-americanos sempre
tiveram maior facilidade para desenvolver seus conhecimentos teóricos e
aplicados.
Sampaoli,
Bielsa, Sabella e outros, ao meu ver, são melhores em nível tático do que todos
os treinadores brasileiros, inclusive os melhores que citei acima, brasileiros
esses que, portanto, considero superiores no fundamento tático do que Muricy,
que precisa provar efetivamente sua atualização. Hoje, Sampaoli está
disponível, o que não deixa de ser uma baita “tentação”. Vindo ou
não, ou seja, independentemente de Muricy ficar, e antes de trazer qualquer
treinador estrangeiro, as perguntas que cada torcedor deve fazer, assim como os
dirigentes do Flamengo, ao meu ver são duas: a) o que teria ocorrido se Jorge
Sampaoli ou outro treinador hermano tivesse sido submetido a todo esse complexo
contexto de problemas que Muricy teve que enfrentar no início do ano, e até
mesmo outros treinadores nos últimos anos? b) O que fazer para esse ciclo de
problemas se encerrar?
***
Enfim,
esse texto não defende a permanência nem a saída de Muricy, treinador que
respeito pela seriedade e firmeza de propósitos, além da transparência ao
assumir o Flamengo; defende que o assunto seja tratado de forma séria e justa,
sem condescendência, porém da mesma forma sem tratá-lo como bode expiatório.
Defendo, enfim, que, qualquer que seja o treinador, receba um Departamento de
Futebol em perfeitas condições para trabalhar, inclusive planejamento, o que
parece mais uma vez não ter sido o caso.
Bom
dia e SRN a [email protected]
Gustavo
Brasília

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