Ataque inofensivo é obra de contratações erradas do Flamengo

Guerrero em Flamengo x Botafogo pelo Brasileirão 2017 – Foto: Buda Mendes/Getty Images

GOAL: Por
Bruno Guedes

Flamengo
começou o Brasileirão sem derrotas, mas continua repetindo os mesmos erros do
campeonato passado: ineficiência ofensiva. Problema crônico de 2016, que em
alguns jogos custou até a vitória e a disputa mais direta pelo título, o
Rubro-Negro este ano esbarra na falta de gols. E são dois os motivos: ausência
de jogadores que finalizem bem e erros nas contratações.
O
primeiro caso é o mesmo desde 2016, um time que finaliza muito mal ao gol
adversário. Contando apenas as quatro partidas do Campeonato Brasileiro, a
equipe teve mais posse de bola que o adversário em três, somente contra o
Atlético-MG que foi inferior. Em todas, com exceção da vitória contra o
Atlético-GO, foi a chamada posse de bola inútil. Ou como chamou o Zé Ricardo na
coletiva após o empate com o Botafogo, “a posse de bola estéril”.
Flamengo
teve uma média de 422 passes trocados nos jogos. Sempre esbarrando na opção por
passes laterais ou com pouca objetividade. E essa pouca agressividade ofensiva
se reflete nos números. O time chutou em média 16 vezes contra os rivais (11
contra o Atlético-MG, 20 contra o Goianiense, 14 contra o Paranaense e 19
contra o Botafogo) porém a de acertos ou direção ao gol é de apenas cinco,
provando a pouca eficiência nas finalizações. Ou seja, a equipe precisou chutar
12 vezes para marcar um gol.
Isso é
obra direta das contratações erradas, focadas em jogadores de velocidade e
pouca efetividade em empurrar a bola para dentro, como Berrío.  Estes números levaram o Rubro-Negro a começar
o torneio com números piores que do ano passado. Em 2016 marcou 52 gols em 38
rodadas, média de 1,3 por partida. Em 2017, por enquanto, ela caiu para 1,2,
com 5 gols. O Palmeiras, campeão da última edição e que também sofreu com tal
crítica em parte da temporada, marcou 62 gols, fechando a média em 1,6 tentos
por partida.
E a
falta de bons finalizadores, muitos velocistas e ausência da criatividade no
toque de bola incentiva o cruzamento intenso para a área. Flamengo cruzou um
total de 77 vezes até aqui, média de 19 por partida. Porém, o mais assustador,
é a de acertos desse tipo de jogada: apenas 23%. Números horríveis.
Isso
prova o quanto a diretoria errou (ou não viu?) ao não corrigir esse problema
durante as contratações. Falta um atacante finalizador para ajudar Paolo
Guerrero. Ter mais posse de bola não significa ter domínio do jogo. Com a
entrada do Éverton Ribeiro e Conca talvez os números e médias melhorem. Mas se
os passes continuarem inúteis, novamente teremos um time campeão de
incompetência ofensiva.
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