segunda-feira, setembro 21, 2020
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Autor de ‘rebolada’ pelo Flamengo, Paulinho acerta com o Vasco.



GLOBO
ESPORTE
: O veterano Paulinho Jaú não para. Depois de boa passagem e títulos pelo
Flamengo entre 2006 e 2007, o volante de 40 anos de idade assinou com o “rival”
Vasco da Gama, clube de mesmo nome do original carioca e que disputa a elite do
Campeonato Amador de Uberlândia. A repercussão do acerto foi grande,
principalmente pelos amigos que fez no Rio de Janeiro. Mas Paulinho lidou bem
com a pressão e até tirou onda da situação. Pelos gramados amadores do interior
de Minas Gerais, o volante quer mostrar que ainda tem lenha para queimar no
futebol, descarta rótulo de salvador, mas garante experiência na marcação.

Quando saiu a notícia o pessoal veio falar comigo para eu não vestir a camisa.
Tenho alguns amigos do Rio que até acharam que era o Vasco do Rio de Janeiro
mesmo. Expliquei que era um time do Amador de Uberlândia. “Milhares”
de pessoas me ligaram de lá, foi uma maravilha. Meu telefone nunca tocou tanto
igual como na última semana. Estou com quase 41 anos, não tenho mais aquele
gás, então, só pego os atalhos. Eu não sou um cara de fazer gol, desarmo bem e
tenho um passe muito bom. Estou ali para desarmar e se depender de gol meu vai
passar fome – brincou Paulinho, que ressaltou também a amizade com o treinador
Alfredinho Cazuza, do Vasco.
O
anúncio da contratação do campeão Carioca de 2007, porém, foi para a partida de
ida da segunda fase da competição, realizada no último domingo. Na ocasião, o
Vasco perdeu para o Floresta por 1 a 0. Inscrito na competição, Paulinho estava
apto a jogar, mas não compareceu. Para domingo, às 10h, no Poliesportivo Dona
Zulmira, no jogo que vale a sequência do Vasco na competição, o volante garante
cumprir a palavra e ajudar na classificação do clube esmeraldino. Sobrou até
recado para os amigos do time adversário.
– Eu
assinei para jogar já na última rodada, mas infelizmente não deu certo com meu
trabalho. Eu gosto de estar apalavrado para chegar lá e fazer o meu melhor.
Outra coisa além disso não é da minha índole. Eu tenho uma banda de pagode e
fizemos um show em outra cidade e retornei no outro dia bem cansado. Preferi
não ir para não prejudicar, eu gosto de ser sincero. Domingo estou lá, vou
jogar sim e tomara que a gente passe. Sabemos que será um jogo difícil, tem
amigos meus lá. Até já falei com eles que vou atropelá-los e avisei:
“Agora eu vou, viu? Vai ser diferente!”. Vai dar certo, se Deus
quiser, vamos fazer um golzinho e levar para os pênaltis – contou o volante.
Para
continuar no Amador, o Vasco precisa de uma vitória por dois gols de diferença.
Caso vença por apenas um gol, leva a decisão para os pênaltis. O cruz-maltino é
o terceiro clube que Paulinho Jaú defende no Amador de Uberlândia. Em anos
anteriores vestiu a camisa do Guará e do Roda Viva.
Ao som de Zeca
Natural
de Monte Carmelo-MG, o volante exerce vida dupla longe dos gramados. Durante a
semana, trabalha como conferente de carga e descarga de uma empresa de tintas
na cidade de Uberlândia. Nos fins de semana, é percursionista da própria banda
de pagode ao lado de familiares. Mas por tudo que tem na vida, agradece ao
futebol profissional, principalmente ao Flamengo.
– Não
me arrependo de nada. Tudo o que fiz, agradeço a Deus. Não imaginava chegar
aonde cheguei. Quando você joga no Flamengo, você fica famoso. As pessoas na
rua te cumprimentam. Sou de uma cidade pequena e ter jogado no Flamengo foi a
melhor coisa da minha vida, pessoal e profissional. Agora, “deixo a vida
me levar” como diz a música do Zeca Pagodinho – disse Paulinho.
O fã
confesso de pagode lembra da trajetória no rubro-negro carioca com muito
orgulho e comemora quando serve de inspiração aos mais jovens.
– Foi
uma passagem histórica. Fui campeão da Taça Guanabara, do Carioca e joguei uma
Libertadores. Saímos nas oitavas de final. No Maracanã, precisávamos ganhar de
três gols do Defensor-URU, fizemos apenas dois. Minha história é boa para as
crianças e jovens se inspirarem e fugirem das drogas. Uma criança quando vem e
me cumprimenta por tudo que fiz, é gratificante – finalizou o veterano, que
pensa em montar uma escolinha de futebol em breve.
Paulinho
Jaú rodou o futebol brasileiro e tem passagens marcantes pelo Ipatinga – quando
foi campeão Mineiro, em 2005 – e pelo Flamengo. Rodou também por equipes como
Botafogo-SP, Patrocinense-MG, Social-MG, Villa Nova-MG, Gama, Paysandu, Guarani
e Volta Redonda. No futebol internacional atuou por Al Arabi, do Qatar, e
Maccabi Haifa, de Israel. Seu último clube profissional foi o Paracatu, quando
disputou o Candangão, no ano passado.

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