domingo, setembro 27, 2020
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Babel dos tribunais desportivos nos estaduais.

Globo
Esporte – Em “Babel”, Marrocos, Estados Unidos, Japão e México narram quatro
histórias que, mesmo com suas particularidades e atores, estão interligadas por
ideologias e mistérios. Inevitável não remeter o filme americano à mítica e
bíblica “Torre de Babel”, na qual as línguas se confundem ante a miscigenação
das raças. Nos campeonatos estaduais de 2015, sobram localidades, personagens,
sotaques, tramas e, como não podia deixar de ser, infrações disciplinares.
Em
Goiás, uma mão nunca rendeu tamanho gancho. E não foi no boxe. Na terra do
massagista Esquerdinha (cujo time chegou à final sem ninguém salvando gol em
cima da linha), o atleta Bruno Henrique dominou a bola com a mão e fez o gol
para seu time, o Goiás (veja no vídeo abaixo). Alto lá, disseram os membros do
TJD-GO, que lhe deram uma suspensão de aviltantes 12 jogos. E qual infração?
Lei de Gérson? Não, uma incluída no capítulo de corrupção no esporte ou
manipulação de resultado. A aberração jurídica foi corrigida em segunda
instância, mas não deixou de ser um alerta: Diego Maradona que não passe perto
destas terras, deste estadual e desta comissão disciplinar. Pela “Mano de Dios”
de 1986, seria certamente banido do futebol.
No
Ceará, outro caso que até parecia anedota contada pelo saudoso Chico Anysio. O
Fortaleza foi sumariamente rebaixado e excluído do campeonato cearense por ter
ingressado na justiça comum quando nem o CBJD, de 2003, existia. Pelo bem do
futebol, esta serôdia decisão do TJD-CE já deve estar fulminada quando um dos
dois grandes der a volta olímpica, deixando o humor ser exclusivo do mestre
cearense e seus eternos personagens.
No Rio
de Janeiro, os jogos nem tinham começado quando, já no conselho técnico,
dirigentes promoveram ríspida discussão de fazer inveja em atletas desbocados.
E ainda teve a polêmica “Lei da mordaça” constante no regulamento, que foi
derrubada antes do primeiro pênalti anotado. Fogo aceso e resultado da
labareda: TJD-RJ foi o 17º time do certame. Invasão de torcedores no vestiário
de Macaé; agressão covarde em Ricardo Berna; Fred desejando o fim do campeonato
após expulsão; Vanderlei Luxemburgo se calando com esparadrapo na boca depois
de ser alijado de um Fla x Flu. Ofensa à honra, desrespeito à arbitragem,
faixas e ameaças à entidade regional, perdas de mandos, jogadores desfalcando
seus clubes em jogos finais, clube perdendo pontos. Que o estadual de 2016
comece com nota dez em harmonia. Caso contrário, o TJD-RJ terá mais iluminação
e público que os jogos de Nova Iguaçu e Barra Mansa.
Na
Bahia, arretado foi o atleta Meidson, da Jacuipense. Insatisfeito com uma
decisão do árbitro Arilson Bispo, o jogador não se fez de rogado e lhe desferiu
um soco na barriga. Expulsão foi pouco: 210 dias de suspensão no TJD-BA para
refletir se quer jogar futebol ou talvez tentar a sorte no MMA.
No Rio
Grande do Sul, o TJD-RS teve que se deparar com fúrias. Primeiro, do jogador
Fabrício, possivelmente em cumprimento de aviso prévio no Internacional. Gestos
obscenos e impropérios dirigidos à sua própria torcida, em resposta às vaias.
Em seguida, supostas ofensas de cunho racista (de novo, não!). Incitação à
violência e infração à ética e disciplina. Ainda da arquibancada, mas em grau
acentuado, o G. E. Brasil, clube de feridas não cicatrizadas desde a tragédia
de 2009, presenciou seus torcedores torcerem pelas tortuosas estradas do estado
e pelos difíceis julgamentos nos tribunais. A interdição do Bento de Freitas
após queda de parte da arquibancada forçou a saída para outras plagas. Spray de
pimenta, gás lacrimogênio e bomba de efeito moral marcaram e mancharam outro
jogo do time, desta feita no Aldo Dapuzzo. No próximo estadual, menos TJD-RS
julgando perdas de mandos e desmandos, e mais paz nas arquibancadas, como bem
fizeram os grandes da capital ao mesclarem parte de suas torcidas em um mesmo
setor do estádio.
Em
outros estaduais, destaque para o uso incorreto da água. No campeonato
amazonense, um jogador do Princesa do Solimões arremessou sua garrafa d´água em
um torcedor. O caso foi parar no TJD-AM, por conduta mais do que
antidesportiva, e na delegacia. No Acre, o mesmo utensílio foi usado, mas para
banho (indesejado) de um atleta enquanto concedia entrevista. No jogo Galvez x
Rio Branco, sobrou água fria dentro de campo, um ato hostil entre colegas de
profissão em tempos de racionamento.
Outros
dois estaduais também tiveram luz própria. No Espírito Santo, mais
precisamente, a falta. Um apagão no jogo disputado no Engenheiro Araripe gerou
dúvidas. Seria o divino o responsável pela queda abrupta de energia? Mais
abaixo no mapa, em Santa Catarina, clubes brilharam em perdas de pontos por
irregularidades de atletas, colocando asteriscos na tabela e mostrando, mais
uma vez, que o “Caso Héverton” nunca foi, e nunca será, episódio isolado.
Histórias,
contos, tramas e punições nos tribunais dos nossos 27 estaduais, mas o
GloboEsporte.com acabaria suspendendo esta coluna por excesso de caractere se
todos fossem destacados!
O fato
é que a Babel dos tribunais desportivos mostrou que os estaduais estão longe de
serem monótonos e rotineiros. Os TJDs, cada um com seu sotaque e independência
funcional, tiveram trabalho árduo e agora lançam, em conjunto, a bola para o
STJD, responsável pelas Séries A, B, C e D. A confusão de linguagem deve ficar
na bíblia e no cinema, não na nossa justiça desportiva, na qual torcedores,
jogadores e clubes devem sempre tentar se comunicar no mesmo idioma.

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