quinta-feira, outubro 1, 2020
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Bagá, do pesadelo ao sonho.

RENATO
MAURÍCIO PRADO – Como sabem todos os que leem esta coluna, Bagá é ciclotímico.
Vai da euforia à depressão de uma rodada pra outra, intercaladas, naturalmente,
por ataques de fúria avassaladora, no período posterior às derrotas. E como,
nos últimos jogos, elas têm sido bem constantes (foram cinco, sem seis
rodadas!) dá pra imaginar o humor da fera, quando a encontrei, ontem,
espantando pardais a urros, na Praça General Osório.
Bramindo,
com fúria, o formidando crioulo fuzilou, tão logo me viu atravessar a rua
Jangadeiros:
– Chefia,
o Oswaldinho “cristovou”?
E
agora? Dizer o que? Após um começo estupendo, com seis vitórias em seis jogos,
o Flamengo de Oswaldo já perdeu cinco das últimas seis partidas. E, pode-se
dizer, deu adeus às chances de conquistar uma vaga na Libertadores, possibilidade
aberta, exatamente, pela surpreendente sequência de triunfos, depois que o novo
treinador substituiu Cristóvão:

Calma, Bagá! A coisa parece ter desandado, mas é preciso paciência e confiança
pois o Oswaldo tem condições de fazer um bom trabalho no ano que vem –
argumentei.
Pra
que? Minha tentativa de acalmar a besta-fera só fez enfurece-la ainda mais:
– Como
esse elenco molambento e baladeiro? Nem que seja mágico. Treinamos 10 dias pra
levar duas lambadas seguidas, chefia. Também, quando o time alinhou pra ouvir o
hino, antes do jogo com o Inter e eu vi, lado a lado, César Martins, Canteros,
Márcio Araújo e Pará, percebi logo o que viria pela frente. É muito
perna-de-pau junto. Esses quatro têm que comandar a “barca” de dispensas no fim
do ano. São horrorosos. Jogando com eles, simplesmente, não dá pra sonhar com
um time que preste.
Apesar
de meu espírito pacifista. Estava ficando difícil discordar do gigante de
ébano. E ele, sem me dar tempo de pensar, prosseguiu sua cantilena:
– No
duro, no duro, deveriam ficar apenas o Guerrero, o Jorge e o Emerson, que aliás
precisa ser colocado nos eixos pra deixar de tomar cartão amarelo em todos os
jogos. O resto, vou te dizer, é fraco. Claro, tem alguns, como o Éverton, o
Allan Patrick, o Paulinho, o Cirino, o Samir, talvez o Gabriel e mais um ou
outro que, se estiverem bem acompanhados e entenderem que futebol é pra ser
levado a sério e não vivido na gandaia, podem até ficar no grupo. Mas se for
pra continuar no bagaço, como vários deles andam, melhor botar todos na rua! –
rosnou.
Bagá
anda inconformado, também, com o critério de contratações do Mais Querido:
– Quem
é que escolhe os jogadores que vão ser contratados? O Stevie Wonder ou o Ray
Charles? Porque o cara é cego, chefia. O Nenê estava dando sopa no mercado e
preferiram o Ederson, que é mais um camisa dez de enfermaria! O que faz o
Rodrigo Caetano nessa hora? Não é função dele mapear bem o mercado e apontar as
melhores escolhas? É muita bola fora!
Com a
provável reeleição de Bandeira de Mello (que está disparado em todas as
pesquisas), o furibundo torcedor espera que a escolha do futuro vice-presidente
de futebol seja especialmente bem feita:
– O
tal do Biscotto pode ser gente boa e coisa e tal, mas não tem cacife pra
segurar esse foguete. O Mengo precisa de um cara forte, que bata de frente com
os adversários, seja do ramo e conheça bem as manhas e manias dos jogadores. Um
Domingo Bosco moderno. Senão é engolido por eles, como tem acontecido com todos
os que passaram por lá nos últimos três anos.
Como
eu já nem argumentava, diante das palavras enraivecidas, mas prenhes de razão,
Bagá resolveu se despedir, dando a sua fórmula de transformar o pesadelo em
sonho, na próxima rodada:

Chefia, não vamos pra “Liberta”, mas podemos, pelo menos, nos despedir com
dignidade, carimbando a faixa do Timão, lá dentro de Itaquera, né? Já pensou,
que beleza? Um a zero, gol do Guerrero! Ia ser uma despedida e tanto. Depois,
podia dar férias pra todo mundo, avisando a maior parte desses perebas que nem
precisavam voltar no ano que vem. Mengôôôô!
E lá
se foi o ciclope, balançando a pança e rindo da própria piada, por acreditar
que, apesar dos pesares, o Flamengo é até capaz de aprontar diante do virtual
campeão brasileiro. Sonhar, não custa nada, não é Bagá?
Mudanças, já
A
tentativa da CBF de agora boicotar a Liga Sul-Minas evidencia como o principal
órgão do futebol brasileiro é retrógrado, político e precisa de mudanças
drásticas. A começar por um presidente de verdade, porque o atual só tem como
preocupação fugir do FBI.

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