terça-feira, setembro 29, 2020
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Bandeira descarta Fla titular no Carioca, e aposta em Liga.

O DIA
– Eduardo Bandeira de Mello engordou 8kg desde que assumiu a presidência do
Flamengo, em 2012. Aos 62 anos, aposentado do BNDES, diz que sacrificou a vida
pessoal, mas que se apoiou na família: os três filhos são sócios e conselheiros
do clube. Candidato à reeleição, com vantagem sobre os adversários, segundo as
pesquisas, Bandeira promete um 2016 mais promissor e um time capaz de buscar
títulos. E avisa: vai investir pesado na base, graças ao Programa de
Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro
(Profut), que ajuda os clubes a quitar as dívidas. “Também planejo mais melhorias
no Ninho do Urubu, além de amenizar as dívidas, que caíram R$ 250 milhões na
minha gestão”, diz.
O DIA: Como você encontrou o Flamengo e
qual a situação atual?
Bandeira
de Mello: Numa situação caótica, com crise de credibilidade, receitas penhoradas
e dívidas de R$ 750 milhões. Isso nos obrigou a muitos sacrifícios: tivemos de
dispensar atletas no futebol e esportes olímpicos, reduzir despesas, fazer
ajuste dramático com a Procuradoria da Fazenda Nacional para ter acesso à Lei
de Incentivo ao Esporte… Hoje nosso esporte olímpico é autossustentável. Com
a regulamentação do Profut, teremos alívio de caixa e vamos investir no CT do
Ninho, nas divisões de base e projetar um 2016 melhor.
O DIA: O que o torcedor pode esperar em
relação ao futebol, mas especificamente sobre as contratações?
Bandeira
de Mello: Uma situação mais confortável. O Flamengo é o único clube grande do
Brasil que conteve as despesas e foi o que mais conseguiu aumentar as receitas
de patrocínios. Vamos fechar o ano com dívidas próximo a R$ 500 milhões e
receitas beirando os R$ 360 milhões.
O DIA: Como você quer ser lembrado: o presidente
que tirou o clube do buraco ou aquele que ganhou títulos expressivos?
Bandeira
de Mello: O ano provavelmente vai encerrar sem que o time tenha conquistado
título na dimensão que a torcida merece, mas é claro que o objetivo de todo o
presidente é ser campeão de tudo. Minha preocupação não é como serei lembrado.
Quero, como torcedor que nunca deixei de ser, que o Flamengo tenha sucesso em
todas as frentes.
O DIA: Qual seu maior acerto?
Bandeira
de Mello: Represento um grupo fantástico e divido qualquer mérito com ele.
Difícil apontar, mas toda a questão da política de austeridade e
responsabilidade teve um resultado muito positivo. Tínhamos que recuperar a
dignidade do Flamengo.
O DIA: E os erros de sua administração?
Bandeira
de Mello: Erramos muito. Mas destaco como maior erro a maneira empírica que
tratamos nosso futebol nos primeiros meses, pela falta de dinheiro. Mas hoje o
futebol do clube funciona em cima de três pilares: prioridade de investimento
na base, inteligência em mercado (trabalhar com banco de dados/informações) e
excelência em performance (trabalhar para extrair o máximo do jogador). Também
fizemos contratações equivocadas, claro.
O DIA: Wallim Vasconcelos, seu rival da
Chapa Verde, disse que você o traiu, ao tentar a reeleição. É verdade?
Bandeira
de Mello: Mentira. O grupo se reuniu ano passado e em janeiro deste ano
definindo minha candidatura à reeleição. Ele e o Bap (Luiz Eduardo Baptista,
ex-vice de marketing) participaram e até pediram para eu consultar minha
família.
O DIA: Por que o grupo partiu?
Bandeira
de Mello: O Bap saiu de forma muito deselegante, fazendo ofensas pessoais. Aí
levou algumas pessoas com ele para formar a Chapa Verde. E o Wallim agora se
comporta com extrema falta de educação em sua campanha. Acho lamentável.
O DIA: Está chateado com o Wallim?
Bandeira
de Mello: Diante de tudo o que vejo agora, percebo que errei ao confiar nele.
Wallim derrapou feio na saída do Renato Abreu e demitiu o Jayme de Almeida
daquela forma equivocada. Além das contratações de Carlos Eduardo, Val,
Bruninho…
O DIA: A vaidade subiu à sua cabeça?
Bandeira
de Mello: Sou a mesma pessoa, um homem simples, criado na Zona Norte. Se aceito
fazer fotos com torcedores é porque estou presidente e não porque sou
bonitinho.
O DIA: Qual o balanço que faz de sua
gestão?
Bandeira
de Mello: Vamos deixar o balanço para quando eu for ex-presidente. Mas vou
olhar para trás com a certeza de que errei tentando acertar. Essa avaliação
sobre meu trabalho deve ser feita pela Nação Rubro-Negra. Estou trabalhando
duro e me esforçando muito para ser um bom presidente.
O DIA: Qual a melhor parte de ser
presidente do Flamengo?
Bandeira
de Mello: Poder ajudar o clube que sempre venerei. Saber que você está com a
mão no volante. A pior parte é quando você perde. Nunca vou me acostumar com
isso. As derrotas já eram ruins quando eu só era torcedor. Como presidente, são
muito piores.
O DIA: O Torneio Sul-Rio-Minas, com 12
clubes de cinco estados, vai dar certo?
Bandeira
de Mello: Tudo indica que sim. Temos poucas datas, começando talvez no final de
janeiro. Estamos atrás de patrocinadores, discutindo sobre direitos comerciais
e televisivos. Não queremos afrontar a CBF, queremos apenas um produto novo,
rentável e atrativo.
O DIA: O que achou da medida da Ferj que
colocou Vasco e Botafogo mandantes quando enfrentarem Flamengo e Fluminense na
primeira fase do Estadual?
Bandeira
de Mello: Eles escolherão os preços e os lados. Quem é o mandante? Quem manda,
afinal, na Federação, e faz o que o Vasco quer? Estamos rompidos com a Ferj. E
não tenho a ilusão de que jogaremos o Estadual com arbitragem e tribunal
imparciais. Vamos com time misto.
O DIA: Qual a sua opinião sobre a
candidatura do Zico à presidência da Fifa?
Bandeira
de Mello: Excelente oportunidade de se buscar moralizar o futebol mundial, que
vive enorme crise de credibilidade. Zico é uma pessoa inatacável, um exemplo de
cidadão e atleta, que, com certeza, vai trabalhar muito para recuperar a
péssima imagem da entidade.

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