sábado, setembro 26, 2020
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Bandeira diz que errou ao delegar funções no Flamengo

Eduardo Bandeira de Mello, Presidente do Flamengo – Foto: Gilvan de Souza

OLHAR
CÔNICO ESPORTIVO
: por Emerson Gonçalves

A
pergunta veio de um dos muitos estudantes na plateia, e foi feita ao presidente
do Clube de Regatas do Flamengo logo após o final de sua palestra no
encerramento do primeiro dia de trabalhos do…
I
CONGREFUT – Congresso de Gestão do Futebol na USP

Presidente, qual foi seu maior erro como gestor do Flamengo?
Eduardo
Bandeira de Mello pensou alguns segundos…
– No
começo de minha gestão eu deleguei demais e para quem não devia…
Parou
alguns segundos e continuou:

Errei também em algumas trocas de treinadores, algumas foram precipitadas. Hoje
tenho claro que a alta rotatividade de treinadores não é benéfica.
Vale a
pena repetir e destacar:
“Hoje
tenho claro que a alta rotatividade de treinadores não é benéfica.”
Naquele
mesmo momento em que o presidente rubro-negro respondia ao estudante da USP,
pela 18ª rodada do Brasileirão 2017 o São Paulo suava no Morumbi no 6º jogo sob
o comando de Dorival Júnior, seu terceiro treinador na competição (contando com
1 jogo dirigido por Pintado), enfrentando o Coritiba, que fazia o 2º jogo no
retorno de Marcelo Oliveira ao Coxa, também ele o terceiro técnico da equipe
nesse campeonato.
Mudanças
demais, né?
Nesse
momento em que escrevo, na véspera do início da 19ª e última rodada do primeiro
turno do campeonato, 14 treinadores já foram demitidos. Jorginho, que treinava
o Bahia, foi a última vítima.
Anteontem,
depois de mais um grande jogo, cheio de nuances, gol anulado, bola na trave o
Flamengo foi novamente derrotado pelo Santos. No retorno ao Rio de Janeiro,
muros pichados, protestos e uma quase agressão ao treinador Zé Ricardo, fato
que o presidente Bandeira comentou muito revoltado.
Hoje,
sexta-feira, a direção do clube com a melhor gestão do Brasil, muito, muito à
frente dos demais, entra em uma reunião programada para discutir estratégia e
metas para o futuro próximo, mas que será “ocupada” pelo futebol, graças à
fortíssima pressão sobre os dirigentes, treinador e jogadores, por parte de
torcedores, sócios e dirigentes inconformados com o desempenho do time no
campeonato.
O fato
de o clube ter conseguido um equilíbrio ainda não completo na área financeira é
traduzido como “obrigação de ganhar tudo em campo”, afinal, devem pensar os
exigentes torcedores, os salários estão em dia, portanto, tem que ganhar.
Como
se fosse assim tão simples…
Um Congresso oportuno
A
situação vivida pelo Flamengo de hoje, que deixou de ter a pior gestão do país
para ter a melhor, mostra claramente que gestão do futebol é tema que ainda
dará muito pano pra manga.
Ela
não existe e quando existe não é compreendida, em boa parte porque a maioria
das pessoas espera ou acredita e exige resultados imediatos, já, aqui &
agora… As mesmas pessoas que cobram… boa gestão e, aparentemente, não
conseguem perceber essa contradição.
Vivemos
em um tempo dominado pela impaciência.
O
imediatismo dos novos tempos ignora ou passa por cima do fato de que uma gestão
boa, excelente, não nasce pronta e acabada. Ela é construída no desenvolvimento
de um processo que demanda tempo, visão, inteligência e também persistência.
Isso
vale para a presidência e direção de um clube de futebol, como vale para gestão
do futebol propriamente dito, ou seja, a gestão técnica de uma equipe.
O
CONGREFUT é uma grata surpresa. Ontem, durante a pausa para o almoço os
organizadores mudaram o local das palestras, pois o auditório usado pela manhã,
com 130 lugares, lotou e o jeito foi mudar as palestras da tarde para o
auditório inicialmente programado apenas para a apresentação de Eduardo
Bandeira de Mello, no final dos trabalhos do dia. Também esse auditório, com o dobro
da capacidade, acabou quase totalmente lotado.
Isso é
muito bom, por demonstrar o interesse de uma nova geração de futuros
profissionais em conhecer o extra campo do futebol. E muito bom também por
vermos uma iniciativa desse tipo, pensada e levada pelos alunos de uma
universidade pública, que criaram a FEA Sport Business para atuar nessa área.
Para esse primeiro congresso eles contaram com o apoio da Armatore e da
Sportfood.
Por
fim, é muito animador presenciar e participar desse evento, sobretudo num
momento em que, pelo Brasil inteiro as notícias que vêm dessas instituições
fundamentais para o país e para o futuro têm sido muito pouco ou nada
animadoras.
Que
venha o II CONGREFUT e outros mais.
Porque
está mesmo na hora de repensar o futebol.

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